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Ação judicial acusa Meta de usar IA para selecionar funcionários em licença médica para demissão

Ex-funcionários acusam a Meta de usar inteligência artificial para selecionar demissões e discriminar trabalhadores com deficiência e licença médica.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
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Uma ação judicial movida por 26 ex-funcionários da Meta nos Estados Unidos colocou em evidência um dos temas mais sensíveis da adoção de inteligência artificial no ambiente corporativo: o uso de algoritmos para apoiar decisões sobre emprego. Os autores do processo afirmam que ferramentas baseadas em IA teriam sido utilizadas para identificar trabalhadores que seriam demitidos, prejudicando de forma desproporcional pessoas com deficiência, em licença médica ou grávidas.

A empresa nega as acusações e afirma que as decisões de gestão de pessoal foram tomadas por gestores humanos, e não por sistemas de inteligência artificial. O caso ainda será analisado pela Justiça americana e pode abrir um precedente relevante sobre os limites do uso de IA em processos de recursos humanos.

Ao longo deste artigo, você entenderá o que motivou a ação, quais são as alegações apresentadas pelos ex-funcionários, como a Meta respondeu ao processo e quais podem ser os impactos desse caso para empresas que utilizam inteligência artificial na gestão de pessoas.

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O que motivou a ação contra a Meta?

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Imagem: Getty Images

O processo foi protocolado na noite de segunda-feira (13), no Tribunal Federal de Oakland, na Califórnia. Os 26 autores entraram com a ação de forma anônima e alegam que a Meta utilizou sistemas internos baseados em inteligência artificial para auxiliar na definição dos funcionários que seriam dispensados durante uma ampla reestruturação iniciada em 2026.

Segundo a ação, os algoritmos consideravam critérios como índices de produtividade, utilização de ferramentas de IA e outros indicadores internos. O problema, de acordo com os ex-funcionários, é que essas métricas acabavam penalizando empregados que precisaram se afastar do trabalho por motivos de saúde ou para cuidar de familiares.

Na avaliação dos autores, o resultado foi um impacto desproporcional justamente sobre grupos protegidos pela legislação trabalhista americana.

Quais trabalhadores dizem ter sido prejudicados?

Os ex-funcionários afirmam que a seleção para as demissões afetou principalmente:

  • trabalhadores com deficiência;
  • funcionários em licença médica;
  • pessoas afastadas por questões de saúde;
  • gestantes;
  • empregados que precisaram cuidar de familiares.

A ação sustenta que a empresa violou leis federais e estaduais que proíbem discriminação e retaliação contra trabalhadores nessas condições. Os autores vivem em seis estados americanos, incluindo Califórnia e Nova York, além do Distrito de Columbia.

Como a inteligência artificial teria sido utilizada?

Embora a ação ainda esteja em fase inicial, o processo descreve o uso de diferentes ferramentas internas de apoio à avaliação dos funcionários.

Entre elas estariam sistemas que analisavam produtividade, histórico de atividades, utilização de recursos de IA e indicadores relacionados ao desempenho profissional. Também são citados modelos internos de linguagem desenvolvidos pela própria Meta e mecanismos capazes de reunir informações sobre documentos, comunicações e atividades corporativas.

Os autores alegam que esses sistemas não levavam em consideração, de forma adequada, períodos de afastamento legalmente protegidos, produzindo avaliações inferiores para empregados que passaram algum tempo fora do trabalho.

Caso essa tese seja confirmada pela Justiça, a discussão deixará de envolver apenas a decisão humana e passará a questionar também a qualidade dos critérios utilizados pelos sistemas automatizados.

O que diz a Meta?

A Meta rejeitou integralmente as acusações.

Em nota, um porta-voz declarou que as alegações não têm fundamento e afirmou que as decisões relacionadas à organização da empresa e à gestão da força de trabalho foram tomadas por pessoas, e não por inteligência artificial.

Até o momento, a companhia não apresentou detalhes públicos sobre o funcionamento das ferramentas mencionadas na ação.

As demissões fazem parte de uma reestruturação maior

O processo está relacionado à reestruturação anunciada pela Meta no início deste ano.

Na ocasião, a empresa informou que reduziria aproximadamente 10% de sua força de trabalho global, o equivalente a cerca de 8 mil funcionários. Os desligamentos começaram em maio como parte de uma estratégia voltada ao aumento dos investimentos em inteligência artificial e à reorganização das equipes.

Segundo informações divulgadas anteriormente pela empresa, a reorganização busca concentrar recursos em projetos considerados prioritários para o futuro da companhia.

Por que esse processo pode criar um precedente?

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Especialistas em direito do trabalho e tecnologia acompanham o caso porque ele pode se tornar um dos primeiros grandes processos contra uma empresa de tecnologia envolvendo o suposto uso discriminatório de inteligência artificial em demissões.

Nos últimos anos, organizações passaram a utilizar sistemas automatizados para auxiliar em diversas etapas da gestão de pessoas, incluindo:

  • recrutamento;
  • triagem de currículos;
  • avaliações de desempenho;
  • promoções;
  • planejamento da força de trabalho.

A legislação americana já começa a exigir avaliações de viés em determinados sistemas automatizados utilizados para decisões relacionadas ao emprego. O processo contra a Meta também menciona supostas violações de normas recentes aprovadas na Califórnia e em Nova York sobre auditorias de ferramentas de IA.

Independentemente do resultado, o caso tende a ampliar o debate sobre transparência, auditoria e responsabilidade no uso da inteligência artificial para decisões que afetam diretamente a carreira dos trabalhadores.

O que acontece agora?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os autores da ação buscam uma decisão judicial que suspenda parte das demissões enquanto o mérito do processo é analisado. Paralelamente, pretendem levar as demais reivindicações para procedimentos arbitrais previstos em seus contratos de trabalho.

Como a Meta contesta todas as acusações, caberá à Justiça avaliar se houve evidências de discriminação e qual foi, de fato, o papel das ferramentas de inteligência artificial na seleção dos funcionários desligados.

O processo ainda está em fase inicial, o que significa que novas informações podem surgir durante a apresentação de provas e depoimentos.

Conclusão

A ação movida por 26 ex-funcionários coloca a Meta no centro de um debate crescente sobre o uso responsável da inteligência artificial nas relações de trabalho. Enquanto os autores afirmam que sistemas automatizados favoreceram a demissão de trabalhadores protegidos por lei, a empresa sustenta que todas as decisões foram tomadas por gestores humanos.

Independentemente do desfecho, o caso reforça a necessidade de transparência na utilização de algoritmos em processos de recursos humanos e pode influenciar futuras discussões sobre regulação da IA no ambiente corporativo.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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