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Portugal, Espanha e EUA lideram preferência de milionários brasileiros

Entenda por que milionários do Brasil estão deixando o país, quais são os destinos mais procurados, os impactos para a economia e o que dizem os estudos mais recentes.

Julia FernandesPor Julia Fernandes6 min de leitura
Portugal, Espanha e EUA lideram preferência de milionários brasileiros

O Brasil continua formando novos milionários, mas também registra um crescimento no número de pessoas de alta renda que decidem transferir residência e patrimônio para outros países. Esse movimento, que vem sendo observado há alguns anos, voltou a ganhar destaque após novos estudos mostrarem que o país liderou a saída de milionários na América Latina em 2025, ao mesmo tempo em que registrou milhares de novos integrantes nesse grupo de riqueza.

Segundo levantamento da consultoria Henley & Partners, o Brasil perdeu cerca de 1.200 milionários em 2025, o equivalente a uma saída estimada de US$ 8,4 bilhões (aproximadamente R$ 43 bilhões) em patrimônio. Em contrapartida, o Global Wealth Report 2026, do UBS, aponta que o país ganhou 9.215 novos milionários no mesmo período, demonstrando que a riqueza continua sendo criada, embora parte dela esteja deixando o território nacional.

Esse cenário desperta uma série de debates sobre competitividade econômica, ambiente de negócios, tributação e segurança jurídica. Afinal, por que tantos milionários escolhem morar em outros países? Quais destinos são os mais procurados? E quais impactos essa migração pode trazer para a economia brasileira?

O que significa a migração de milionários

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A migração de milionários ocorre quando pessoas com elevado patrimônio líquido mudam oficialmente sua residência fiscal para outro país.

Na maioria dos casos, essa decisão não envolve apenas uma mudança de endereço.

Ela costuma fazer parte de um planejamento patrimonial, sucessório e tributário, permitindo que essas famílias diversifiquem investimentos, ampliem oportunidades internacionais e reduzam riscos associados ao ambiente econômico do país de origem.

Especialistas ressaltam que esse movimento é observado em diversas partes do mundo e não acontece exclusivamente no Brasil.

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Por que milionários brasileiros estão deixando o país

Diversos fatores influenciam a decisão de famílias de alta renda.

Busca por segurança jurídica

Um dos principais motivos apontados pelos especialistas é a procura por ambientes considerados mais previsíveis para investimentos de longo prazo.

Mudanças frequentes em regras tributárias, discussões sobre reformas fiscais e insegurança regulatória costumam pesar nas decisões patrimoniais.

Planejamento tributário

Outro aspecto importante envolve a carga tributária.

Embora cada país possua regras próprias, algumas nações oferecem regimes considerados mais competitivos para investidores internacionais, empresas familiares e grandes patrimônios.

Isso não significa necessariamente pagar menos impostos, mas sim contar com maior previsibilidade no planejamento financeiro.

Qualidade de vida

Segurança pública, educação internacional para os filhos, acesso a serviços de saúde e mobilidade global também aparecem entre os fatores mais citados pelos brasileiros que decidem viver no exterior.

Quais países são os destinos preferidos

Os estudos mostram que alguns destinos continuam concentrando a preferência dos milionários brasileiros.

Portugal

A facilidade do idioma, a proximidade cultural e a boa infraestrutura mantêm Portugal entre os principais destinos.

Além disso, o país continua atraindo investidores interessados em viver na União Europeia.

Estados Unidos

Os Estados Unidos permanecem como uma das escolhas mais tradicionais.

O tamanho da economia, a diversidade de oportunidades de investimento e o ambiente empresarial atraem empresários e investidores brasileiros.

Espanha

A Espanha também aparece entre os países mais procurados, principalmente por famílias interessadas em qualidade de vida e acesso ao mercado europeu.

Uruguai e Paraguai

Nos últimos anos, países vizinhos passaram a ganhar espaço entre os brasileiros de alta renda.

Além da proximidade geográfica, fatores como regimes tributários, estabilidade econômica e facilidade logística contribuíram para esse crescimento.

O Brasil continua criando milionários

Apesar da saída de parte das grandes fortunas, os números mostram que o patrimônio privado continua crescendo no país.

Segundo o Global Wealth Report 2026, elaborado pelo UBS, o Brasil criou mais de 9 mil novos milionários apenas em 2025, resultado impulsionado pelo crescimento de ativos financeiros, valorização de empresas e recuperação de diversos segmentos da economia.

Esse dado demonstra que a migração internacional não significa necessariamente perda da capacidade brasileira de gerar riqueza.

Na prática, os dois fenômenos acontecem ao mesmo tempo: novas fortunas surgem enquanto parte dos investidores opta por internacionalizar sua residência.

Quais impactos isso pode gerar para a economia

A saída de milionários pode produzir efeitos em diferentes áreas.

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Menor arrecadação tributária

Quando famílias transferem residência fiscal para outros países, parte dos impostos relacionados ao patrimônio e à renda pode deixar de ser recolhida no Brasil, dependendo das regras aplicáveis.

Internacionalização dos investimentos

Ao mesmo tempo, muitos empresários continuam mantendo empresas, imóveis e investimentos no país mesmo após a mudança de residência.

Isso significa que nem todo o patrimônio deixa efetivamente a economia brasileira.

Ampliação dos investimentos globais

A internacionalização também permite que famílias diversifiquem ativos, reduzam riscos cambiais e ampliem oportunidades em diferentes mercados.

Esse movimento acontece apenas no Brasil?

Não.

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A migração internacional de milionários tornou-se uma tendência global.

Levantamentos recentes indicam que cerca de 165 mil milionários devem mudar de país em 2026, estabelecendo um novo recorde mundial.

Além de brasileiros, empresários e investidores da Europa, Ásia e América do Norte também buscam novas residências motivados por fatores como tributação, estabilidade política, segurança e qualidade de vida.

Ou seja, trata-se de um fenômeno observado em diferentes economias, embora cada país apresente motivações específicas.

O que especialistas observam para os próximos anos

Analistas acreditam que a mobilidade internacional das grandes fortunas continuará crescendo.

O avanço da globalização financeira, a facilidade para investir em diferentes mercados e a expansão dos programas de residência para investidores devem manter esse movimento aquecido.

Ao mesmo tempo, especialistas destacam que países capazes de oferecer estabilidade institucional, ambiente favorável aos negócios, segurança jurídica e regras tributárias previsíveis tendem a se tornar mais competitivos na atração e retenção de grandes patrimônios.

Conclusão

Os dados mais recentes mostram que o Brasil vive uma situação particular: enquanto continua criando milhares de novos milionários, também registra a saída de parte de sua população de alta renda para outros países. A busca por segurança jurídica, planejamento patrimonial, qualidade de vida e diversificação internacional aparece entre os principais fatores que explicam esse movimento.

Embora a migração de milionários desperte preocupações sobre possíveis impactos econômicos, especialistas ressaltam que ela faz parte de uma tendência global de internacionalização dos investimentos. O desafio para o Brasil será fortalecer um ambiente econômico competitivo, capaz de estimular a criação de riqueza e, ao mesmo tempo, oferecer condições para que empresários e investidores mantenham seus negócios e patrimônios no país.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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