A popularização do delivery no Brasil trouxe novas oportunidades de renda, mas também criou brechas para crimes. Uma das práticas mais recentes envolve a venda e o uso de mochilas com logos falsos do iFood e do 99Food, conhecidas como bags, utilizadas por entregadores.
Mochilas com logo falso do iFood/99Food são usadas para golpes — entenda o risco
Bags com logos falsos do iFood e 99Food são usadas em golpes; especialistas alertam para riscos e fiscalização.
A irregularidade dessas mochilas facilita golpes, incluindo falsos entregadores, alertam especialistas em segurança.
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Bags falsas: risco para consumidores e entregadores
Basta uma rápida busca em sites de venda online para encontrar bags com logos falsificados do iFood e 99Food, dois dos maiores serviços de entrega do país. Os valores desses produtos variam entre R$ 35 e R$ 134, dependendo do modelo, que pode incluir apenas a capa ou capa com isopor. Plataformas como Mercado Livre e Shopee oferecem esses itens de forma fácil, sem fiscalização efetiva.
“A utilização de bags com logos de marcas por parte de criminosos facilita o cometimento do crime. Desencorajar essa venda não autorizada dificultaria o disfarce”, afirma Alan Fernandes, mestre em ciências policiais de segurança e consultor do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Especialistas destacam que a confiança do público nas marcas de delivery torna esses golpes eficientes. Falsos entregadores podem se aproximar de vítimas com aparência legítima, aumentando o risco de assaltos e crimes patrimoniais.
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Casos recentes no Brasil

Os efeitos dessa prática já foram registrados em incidentes graves em São Paulo. No início do mês, um casal que passeava com um bebê foi assaltado por um falso entregador na zona oeste da capital paulista. Em junho, o delegado Josenildo Belarmino foi morto na zona sul após ser abordado por um entregador falso.
Esses casos reforçam a necessidade de atenção redobrada por parte dos consumidores e das autoridades diante da popularização das bags falsas.
Fiscalização ainda é limitada
A Polícia Civil de São Paulo apreendeu mais de 41 milhões de produtos falsificados desde 2023, segundo dados da SSP-SP. No entanto, ainda há falta de controle específico sobre bags irregulares de delivery, conforme relatam investigadores.
“Essas empresas de delivery são marcas que nós aprendemos a confiar, a respeitar. Por isso, esses golpes funcionam”, analisou um investigador que preferiu não se identificar.
Plataformas de vendas online têm implementado mecanismos para coibir o comércio irregular. O Mercado Livre, por exemplo, oferece uma ferramenta para que marcas denunciem violações de propriedade intelectual, enquanto a Shopee disponibiliza canais de denúncia para usuários, marcas e detentores de direitos.
Legislação tenta conter a prática
Diversos estados brasileiros têm tentado regulamentar o uso de bags de entrega para reduzir crimes associados a falsos entregadores.
São Paulo
Em São Paulo, uma lei sancionada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em maio está em processo de regulamentação. A legislação prevê que mochilas, baús ou outros equipamentos de entrega devem possuir QR code e chip, comprovando a relação entre o entregador e a empresa. Além disso, os serviços de delivery deverão manter cadastro atualizado dos prestadores, garantindo maior segurança.
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a lei sancionada pelo governador Cláudio Castro (PL) estabelece que apenas plataformas digitais autorizadas podem fornecer bags, que devem ser entregues gratuitamente aos entregadores. Cada mochila terá identificação do prestador e as empresas devem manter registro detalhado dos equipamentos distribuídos, reduzindo a possibilidade de falsificação.
“Apesar das leis, especialistas analisam com cautela a efetividade das medidas. A fiscalização continua sendo o ponto crítico para evitar crimes com bags falsas”, afirma Alan Fernandes.
Plataformas digitais e o combate à falsificação
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Além das medidas legais, plataformas de venda online desempenham papel importante na prevenção de golpes:
- Mercado Livre: ferramenta de denúncia de violações de propriedade intelectual, monitoramento de anúncios suspeitos.
- Shopee: canais de denúncia para usuários e marcas, penalidades para vendedores irregulares.
Ainda assim, a ampla disponibilidade de bags falsas evidencia que a fiscalização online e offline precisa ser reforçada para impedir que criminosos se beneficiem do uso de mochilas falsificadas.
Recomendações de segurança para consumidores

Especialistas recomendam que consumidores fiquem atentos ao identificar entregadores:
- Verificar identificação oficial do entregador na plataforma (QR code ou chip).
- Conferir se a empresa enviou notificação ou foto do entregador antes da entrega.
- Desconfiar de bags não reconhecidas ou compradas fora dos canais oficiais.
- Evitar entregar informações pessoais ou abrir portas para desconhecidos.
“A conscientização do público é fundamental. Evitar bolsas falsas e confirmar a identidade do entregador pode prevenir muitos crimes”, reforça Alan Fernandes.
Impactos para as empresas de delivery
O uso de bags falsas prejudica a imagem e a confiança nas plataformas de entrega, além de gerar riscos legais e de segurança. Empresas como iFood e 99Food investem em tecnologia e treinamento de entregadores para reduzir a atuação de criminosos e proteger consumidores.
As iniciativas incluem cartões de identificação, QR codes, chips e rastreamento de entregas, além de campanhas educativas sobre golpes de falsos entregadores.
Com informações de: UOL
