As moedas de mercados emergentes vivem um momento incomum: estão mais estáveis do que as moedas de países desenvolvidos. Segundo índices de volatilidade do JPMorgan Chase, esse padrão já dura quase 200 dias consecutivos — o período mais longo desde 2008. Caso ultrapasse 208 dias, será o recorde mais extenso desde 2000.
Estabilidade cambial cresce em mercados emergentes
Moedas emergentes registram menor volatilidade que G7 e atraem carry trade com dólar mais fraco.
Para o investidor brasileiro, o fenômeno não é apenas curiosidade estatística. Ele afeta diretamente o comportamento do dólar frente ao real, os fluxos de capital estrangeiro e as estratégias de renda fixa e câmbio.
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Por que as moedas emergentes estão mais estáveis?
Dólar mais fraco e expectativa de cortes do Fed
Um dos principais motores dessa calmaria é o enfraquecimento do dólar, combinado à expectativa de que o Federal Reserve adote um ciclo gradual de afrouxamento monetário.
Quando os juros americanos deixam de subir — ou passam a cair — a pressão sobre países emergentes diminui. Isso ocorre porque o capital internacional tende a buscar retornos maiores fora dos Estados Unidos.
Commodities em alta favorecem emergentes
Outra variável importante são os preços elevados de commodities. Países exportadores de matérias-primas, como o Brasil, se beneficiam diretamente desse cenário. A entrada de dólares via balança comercial ajuda a sustentar a moeda local.
Segundo dados do Banco Central do Brasil, o fluxo cambial tem mostrado entradas consistentes, reflexo tanto das exportações quanto de investimentos financeiros.
Carry trade volta ao radar dos investidores
A estabilidade cambial fortaleceu o apelo do chamado carry trade — estratégia que consiste em captar recursos em moedas de baixo rendimento e investir em países com juros mais elevados.
Com a taxa Selic ainda em patamar elevado em termos reais, o Brasil se torna destino natural desse tipo de operação.
De acordo com dados compilados pela Bloomberg, os fluxos de entrada em mercados emergentes estão no ritmo mais acelerado para o período desde 2019, prolongando o forte movimento observado no ano passado — o maior desde 2009.
Um índice da Bloomberg com oito moedas emergentes acumula alta de cerca de 2,8% neste ano, após avanço expressivo de 17,5% no ano anterior.
Fundamentos mais sólidos sustentam o movimento
Especialistas apontam que a estabilidade não é apenas conjuntural. Há fatores estruturais em jogo:
- Reservas cambiais robustas em diversos países emergentes
- Crescimento econômico relativamente mais forte do que nas economias desenvolvidas
- Política monetária mais ortodoxa após o choque inflacionário global
No caso brasileiro, as reservas internacionais superam US$ 350 bilhões, funcionando como colchão de segurança contra choques externos.
Turbulência nos países desenvolvidos
Enquanto emergentes vivem calmaria, moedas do G7 enfrentam maior volatilidade.
Dólar pressionado por incertezas fiscais e políticas
O dólar registrou aumento de volatilidade após declarações do presidente Donald Trump sobre possíveis tarifas contra a Europa e incertezas fiscais nos Estados Unidos.
Preocupações com o chamado “excepcionalismo americano” — a ideia de que os EUA cresceriam muito acima do restante do mundo — também perderam força.
Iene sob risco de reversão de carry trade
O Iene japonês tem enfrentado oscilações diante de dúvidas sobre a trajetória fiscal do Japão e possibilidade de intervenção cambial. Analistas alertam para o risco de desmonte de operações de carry trade financiadas em iene, cenário apelidado de “bomba-relógio”.
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Quais moedas emergentes estão no radar?
Investidores globais têm buscado moedas consideradas menos voláteis dentro do universo emergente, como:
- Dólar de Singapura
- Baht tailandês
- Yuan chinês
No caso do Brasil, o real também tem se beneficiado da combinação de juros elevados e melhora nos termos de troca.
O que isso significa para o investidor brasileiro?
Para quem investe no Brasil, o cenário abre algumas oportunidades e riscos:
Oportunidades
- Entrada de capital estrangeiro na B3
- Valorização de ativos locais
- Possível estabilidade cambial favorecendo renda fixa
Riscos
- Reversão abrupta caso surja um evento de risco extremo
- Mudança inesperada na política monetária americana
- Choques geopolíticos ou fiscais
A história mostra que períodos prolongados de baixa volatilidade podem ser interrompidos por eventos inesperados. Por isso, diversificação e gestão de risco continuam fundamentais.
A atual calmaria pode se estender, mas investidores devem monitorar atentamente os próximos passos do Fed, dados de inflação americana e tensões geopolíticas globais.
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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital
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