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Estabilidade cambial cresce em mercados emergentes

Moedas emergentes registram menor volatilidade que G7 e atraem carry trade com dólar mais fraco.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
Moedas

As moedas de mercados emergentes vivem um momento incomum: estão mais estáveis do que as moedas de países desenvolvidos. Segundo índices de volatilidade do JPMorgan Chase, esse padrão já dura quase 200 dias consecutivos — o período mais longo desde 2008. Caso ultrapasse 208 dias, será o recorde mais extenso desde 2000.

Para o investidor brasileiro, o fenômeno não é apenas curiosidade estatística. Ele afeta diretamente o comportamento do dólar frente ao real, os fluxos de capital estrangeiro e as estratégias de renda fixa e câmbio.

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Por que as moedas emergentes estão mais estáveis?

Dólar mais fraco e expectativa de cortes do Fed

Um dos principais motores dessa calmaria é o enfraquecimento do dólar, combinado à expectativa de que o Federal Reserve adote um ciclo gradual de afrouxamento monetário.

Quando os juros americanos deixam de subir — ou passam a cair — a pressão sobre países emergentes diminui. Isso ocorre porque o capital internacional tende a buscar retornos maiores fora dos Estados Unidos.

Commodities em alta favorecem emergentes

Outra variável importante são os preços elevados de commodities. Países exportadores de matérias-primas, como o Brasil, se beneficiam diretamente desse cenário. A entrada de dólares via balança comercial ajuda a sustentar a moeda local.

Segundo dados do Banco Central do Brasil, o fluxo cambial tem mostrado entradas consistentes, reflexo tanto das exportações quanto de investimentos financeiros.

Carry trade volta ao radar dos investidores

A estabilidade cambial fortaleceu o apelo do chamado carry trade — estratégia que consiste em captar recursos em moedas de baixo rendimento e investir em países com juros mais elevados.

Com a taxa Selic ainda em patamar elevado em termos reais, o Brasil se torna destino natural desse tipo de operação.

De acordo com dados compilados pela Bloomberg, os fluxos de entrada em mercados emergentes estão no ritmo mais acelerado para o período desde 2019, prolongando o forte movimento observado no ano passado — o maior desde 2009.

Um índice da Bloomberg com oito moedas emergentes acumula alta de cerca de 2,8% neste ano, após avanço expressivo de 17,5% no ano anterior.

Fundamentos mais sólidos sustentam o movimento

Especialistas apontam que a estabilidade não é apenas conjuntural. Há fatores estruturais em jogo:

  • Reservas cambiais robustas em diversos países emergentes
  • Crescimento econômico relativamente mais forte do que nas economias desenvolvidas
  • Política monetária mais ortodoxa após o choque inflacionário global

No caso brasileiro, as reservas internacionais superam US$ 350 bilhões, funcionando como colchão de segurança contra choques externos.

Turbulência nos países desenvolvidos

Enquanto emergentes vivem calmaria, moedas do G7 enfrentam maior volatilidade.

Dólar pressionado por incertezas fiscais e políticas

O dólar registrou aumento de volatilidade após declarações do presidente Donald Trump sobre possíveis tarifas contra a Europa e incertezas fiscais nos Estados Unidos.

Preocupações com o chamado “excepcionalismo americano” — a ideia de que os EUA cresceriam muito acima do restante do mundo — também perderam força.

Iene sob risco de reversão de carry trade

O Iene japonês tem enfrentado oscilações diante de dúvidas sobre a trajetória fiscal do Japão e possibilidade de intervenção cambial. Analistas alertam para o risco de desmonte de operações de carry trade financiadas em iene, cenário apelidado de “bomba-relógio”.

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Quais moedas emergentes estão no radar?

Investidores globais têm buscado moedas consideradas menos voláteis dentro do universo emergente, como:

  • Dólar de Singapura
  • Baht tailandês
  • Yuan chinês

No caso do Brasil, o real também tem se beneficiado da combinação de juros elevados e melhora nos termos de troca.

O que isso significa para o investidor brasileiro?

Para quem investe no Brasil, o cenário abre algumas oportunidades e riscos:

Oportunidades

  • Entrada de capital estrangeiro na B3
  • Valorização de ativos locais
  • Possível estabilidade cambial favorecendo renda fixa

Riscos

  • Reversão abrupta caso surja um evento de risco extremo
  • Mudança inesperada na política monetária americana
  • Choques geopolíticos ou fiscais

A história mostra que períodos prolongados de baixa volatilidade podem ser interrompidos por eventos inesperados. Por isso, diversificação e gestão de risco continuam fundamentais.

A atual calmaria pode se estender, mas investidores devem monitorar atentamente os próximos passos do Fed, dados de inflação americana e tensões geopolíticas globais.

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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