Montadoras brasileiras pretendem pedir ao governo Luiz Inácio Lula da Silva que a importação para veículos elétricos deixe de ter isenção tributária. Do mesmo modo, a mudança traria a incidência de um imposto de 35% para carros desse tipo vindos de outros países.
Montadoras querem que Lula aplique imposto de 35% para carros
Associação defende imposto de 35% para carros como forma de proteger o mercado brasileiro. Entenda o que está por trás proposta
Contudo, vale explicar que a implantação desse regime impactaria nações fora dos acordos celebrados entre o Mercosul, que o Brasil integra, e o México. Segundo a colunista Paula Gama, do UOL, a intenção foi revelada pela categoria durante uma coletiva na última semana.
Nesse sentido, no último dia 7, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) chamou jornalistas para apresentar os resultados de janeiro de 2023. Atualmente, a entidade, que sugere o imposto de 35% para carros elétricos, tem 26 membros.
Proposta de imposto de 35% ainda não foi apresentada
Conforme publicado pelo portal, a Anfavea tem discutido a ideia no âmbito de sua comissão de veículos elétricos. Porém, a organização de montadoras salienta que ainda não apresentou nada ao governo sobre a aplicação do imposto para carros elétricos.
De acordo com Márcio Leite, presidente da organização, a medida busca proteger o mercado brasileiro de veículos feitos em países com baixo custo de produção. Assim, uma invasão desses elétricos causaria uma competição desequilibrada com os veículos a combustão.
Sob o mesmo ponto de vista, a indústria nacional de autopeças seria prejudicada. Por outro lado, ainda não há informações sobre se o imposto de 35% abarcaria os modelos híbridos. Afinal, esses carros têm dois motores – um elétrico e outro a combustão.
Eventuais protegidos e prejudicados por medida
Além disso, a Anfavea pretende manter uma cota de importação com tributo zerado, para não afetar as montadoras de luxo. Nesse sentido, marcas chinesas, como a JAC, BYD e GWM, seriam as mais impactadas pelo o imposto de 35%.
Por outro lado, a Renault, que integra a Anfavea e comercializa o e-Kwid, um dos modelos elétricos mais em conta do Brasil, também seria impactada. Atualmente, um carro elétrico custa mais que um automóvel movido a combustão. Todavia, existe a tendência de que a diferença seja minimizada nos próximos anos.
Nesse ínterim, a intrusão de elétricos da China – onde o custo de produção é menor – adiantaria o processo. Por fim, esses elétricos concorreriam com modelos a combustão de todas as marcas.
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Coleta de imposto para carros elétricos é precipitada, diz ABVE
Por último, o UOL também procurou a Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), que classifica a aplicação da medida como precipitada. Para a entidade, a volta da cobrança do tributo sobre importação para elétricos deve ocorrer gradualmente.
Do mesmo modo, Adalberto Maluf, presidente da associação, destaca que dois de seus associados, GWM e BYD, têm planos de produzir no Brasil. Assim, “o imposto pode colocar em risco investimentos que já estão em andamento em função de não haver previsibilidade”, advertiu.
Imagem: Virrage Images / shutterstock.com
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