Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Estes erros fazem o INSS negar o Auxílio-Doença; veja quais são!

Mais de 200 mil pedidos de auxílio-doença foram negados em julho; veja os erros mais comuns e como evitar.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
auxilio-doença

Todos os anos, centenas de milhares de trabalhadores brasileiros enfrentam dificuldades para obter o auxílio-doença, atualmente chamado de benefício por incapacidade temporária. De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social, mais de 200 mil pedidos foram negados somente em julho de 2024, revelando um problema recorrente e alarmante.

Embora parte das negativas se deva à ausência real do direito ao benefício, a maioria ocorre por erros evitáveis, como documentação incompleta, problemas no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e falhas no preenchimento do requerimento. Neste artigo, mostramos os principais motivos que levam à negativa do auxílio-doença e o que fazer para garantir seus direitos.

Leia mais:

Pente-fino do INSS afeta mais da metade dos auxílios-doença; saiba o que esperar para 2025

Imagem: Canva

1. Documentação médica insuficiente ou incorreta

Por que isso ocorre?

A ausência de laudos médicos detalhados, a falta de exames atualizados ou atestado sem o CID (Classificação Internacional de Doenças) são as principais causas de negativa. O INSS exige provas objetivas da incapacidade, e documentos genéricos, como receitas ou atestados simples, não são suficientes.

Além disso, laudos sem carimbo ou assinatura de médico, ou sem vínculo com a doença alegada, costumam ser desconsiderados.

Como evitar?

  • Solicite laudos detalhados, mencionando expressamente a incapacidade laboral, com a CID incluída.
  • Junte exames compatíveis com a condição relatada (ex: raio-x, ressonância, exames laboratoriais).
  • Certifique-se de que todos os documentos estejam assinados, carimbados e legíveis.
  • Organize os documentos com antecedência, antes mesmo de agendar a perícia.

2. Falta de carência ou perda da qualidade de segurado

O que é carência no INSS?

Para ter direito ao auxílio-doença, o segurado precisa ter no mínimo 12 contribuições mensais (carência), salvo nos casos de doenças graves, como câncer, tuberculose, HIV e esclerose múltipla, em que a exigência é dispensada.

Além disso, o trabalhador precisa estar com qualidade de segurado vigente, ou seja, ainda protegido pelo INSS, o que inclui contribuintes ativos ou em período de graça, que pode chegar a 36 meses, dependendo da situação.

Quem está mais vulnerável?

  • MEIs (Microempreendedores Individuais);
  • Contribuintes individuais;
  • Pessoas que pararam de contribuir por longos períodos;
  • Trabalhadores com contribuições abaixo do salário mínimo, que não são contabilizadas desde 2019.

Como evitar?

  • Atualize e consulte o CNIS regularmente.
  • Mantenha as contribuições em dia e acima do salário mínimo vigente.
  • Regularize pendências, inclusive com recolhimentos retroativos, quando possível.
  • Verifique se ainda está no período de graça antes de solicitar o benefício.

3. Resultado negativo na perícia médica

Perícia médica
Imagem: Canva

Por que a perícia é decisiva?

Mesmo com laudos e exames, o perito do INSS tem autonomia para negar o benefício se entender que não há incapacidade para o trabalho. Em 2024, muitos casos foram indeferidos por interpretação restritiva dos peritos, que nem sempre são especialistas na área do problema de saúde apresentado pelo segurado.

Situações frequentes:

  • Incompatibilidade entre o diagnóstico e os sintomas descritos.
  • Doença sem agravamento suficiente para justificar afastamento.
  • Doença pré-existente não agravada durante o vínculo com a Previdência.

Como evitar?

  • Leve à perícia todos os documentos organizados em ordem cronológica.
  • Seja claro e objetivo nas respostas, relatando como a doença afeta sua capacidade de trabalhar.
  • Se possível, peça acompanhamento de profissional da saúde ou representante legal.
  • Caso o benefício seja negado, é possível pedir uma nova perícia (reconsideração) pelo Meu INSS, com documentos atualizados.

4. Erros ou omissões no preenchimento do pedido

Onde ocorrem os erros?

Erros no preenchimento do requerimento, como descrições vagas da incapacidade, datas incorretas ou inconsistência entre o cadastro e a documentação são causas frequentes de negativa. Segundo o INSS, 40% das recusas em 2024 envolveram falhas cadastrais.

Trabalhadores que atuaram em regimes especiais, como rural, militar ou servidor público, também enfrentam dificuldades se não informarem corretamente todos os períodos de contribuição.

Como evitar?

  • Revise atentamente todas as informações antes de enviar o pedido.
  • Certifique-se de que os dados do CNIS estejam corretos e completos.
  • Inclua todas as atividades laborais, inclusive como autônomo ou rural.
  • Em caso de dúvidas, consulte um especialista previdenciário ou advogado da área.

Como recorrer se o auxílio-doença for negado?

Etapa administrativa

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Se o benefício for negado, o segurado pode apresentar recurso administrativo em até 30 dias após a decisão, diretamente pelo portal Meu INSS. O recurso será analisado por um setor diferente do que negou o benefício.

É necessário:

  • Apresentar novos documentos médicos, se disponíveis.
  • Explicar por escrito por que discorda da decisão.
  • Acompanhar o andamento pelo próprio aplicativo ou site.

Etapa judicial

Se o recurso administrativo também for negado, ou se houver urgência no pagamento, é possível ingressar com uma ação judicial. Nesse caso, o processo pode incluir:

  • Uma nova perícia médica judicial, feita por profissional indicado pelo juiz;
  • Pagamento de valores retroativos, desde a data do primeiro pedido;
  • Em alguns casos, indenização por danos morais, quando há negligência grave do INSS.

Advogados especialistas destacam que boa parte dos auxílios negados administrativamente são aprovados na Justiça, com base em perícias mais criteriosas e imparciais.

Auxílio-doença: requisitos principais para concessão

Requisitos básicos

Para ter direito ao benefício por incapacidade temporária (auxílio-doença), o segurado deve:

  1. Estar temporariamente incapaz para o trabalho.
  2. Ter carência mínima de 12 contribuições, salvo doenças isentas.
  3. Estar com qualidade de segurado ativa.
  4. Comprovar a condição de saúde por laudos e exames compatíveis.
  5. Passar por perícia médica oficial do INSS.

Documentos recomendados

  • Laudos médicos recentes, com descrição da doença, CID, tempo de afastamento sugerido e histórico clínico.
  • Exames de imagem ou laboratoriais compatíveis com o diagnóstico.
  • Atestados assinados e carimbados, preferencialmente de especialistas.
  • Declaração do empregador, se houver, informando o afastamento.

Dicas finais para evitar a negativa do benefício

auxílio-doença
Imagem: Canva – Freepik
  • Não espere agravar o quadro de saúde: busque atendimento médico o quanto antes e inicie o processo com base técnica.
  • Evite pedidos com documentos incompletos ou genéricos.
  • Mantenha suas contribuições em dia e não contribua abaixo do salário mínimo.
  • Organize todo o histórico laboral e previdenciário antes de agendar perícia.
  • Em caso de negativa, não desista: recorra com base em novos documentos ou entre com ação judicial.

Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados