Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Alta dos custos pressiona renda de motoristas de aplicativo

Estudo do TST revela custos altos e renda apertada de motoristas de app no Brasil, com 1,7 milhão de trabalhadores em plataformas digitais.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Alta dos custos pressiona renda de motoristas de aplicativo

O crescimento dos aplicativos de transporte e entrega no Brasil transformou a forma como milhões de pessoas geram renda. Hoje, segundo dados do IBGE divulgados em 2024, mais de 1,7 milhão de brasileiros dependem de plataformas digitais como principal fonte de sustento.

Apesar da promessa de autonomia e flexibilidade, um levantamento recente do TST aponta que a realidade financeira desses trabalhadores é marcada por margens estreitas, custos elevados e pouca previsibilidade de ganhos.

O estudo reacende o debate sobre sustentabilidade econômica do modelo e levanta dúvidas sobre a chamada “liberdade” associada ao trabalho por aplicativo.

Leia mais: Bolsa Família: atualização deve ser feita até 30 de junho

O peso dos custos no dia a dia dos motoristas

Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A pesquisa do TST analisou a rotina de um motorista que trabalha cerca de 22 dias por mês, com jornadas médias de 8 horas diárias e velocidade urbana de 25 km/h.

O resultado chamou atenção: o custo mensal para manter essa atividade pode ultrapassar a faixa de R$ 5,5 mil.

Estrutura dos principais gastos

O levantamento detalha a composição média dos custos:

  • Combustível: cerca de R$ 2.500
  • Manutenção do veículo: aproximadamente R$ 800
  • Depreciação do carro: pouco mais de R$ 1.000
  • Seguro: em torno de R$ 200
  • Impostos e taxas (IPVA e licenciamento): cerca de R$ 200
  • Contribuição como MEI: valor simbólico, mas obrigatório
  • Internet e dados móveis: perto de R$ 50
  • Alimentação durante o trabalho: cerca de R$ 600
  • Multas e imprevistos: média de R$ 50

Quando somados, esses valores colocam muitos trabalhadores em uma posição delicada: o ganho bruto precisa cobrir não apenas a subsistência, mas também toda a operação do serviço.

Ganhos nem sempre acompanham os custos

Na prática, a renda varia bastante de acordo com a demanda, o horário trabalhado e a cidade. Em muitos casos, o lucro líquido é bem menor do que o faturamento bruto exibido nos aplicativos.

Motoristas ouvidos em diferentes estudos relatam que, após descontar despesas, o valor final pode ser reduzido a uma margem pequena — e, em períodos de baixa demanda, até insuficiente para cobrir custos fixos.

Mesmo assim, muitos continuam na atividade por falta de alternativas no mercado formal de trabalho.

A promessa de autonomia e a realidade do controle

Um dos pontos mais debatidos no setor é a ideia de que o trabalhador de aplicativo é um profissional autônomo, com liberdade para definir horários e rotina.

No entanto, pesquisas recentes da própria base da IBGE indicam limitações importantes:

Limitações práticas da autonomia

  • A maioria dos motoristas não define o valor das corridas
  • A escolha de passageiros é praticamente inexistente
  • A jornada média supera 40 horas semanais
  • O algoritmo influencia diretamente a distribuição de chamadas

Na prática, isso significa que o controle da atividade está concentrado nas plataformas, enquanto o trabalhador assume os riscos operacionais.

Controle algorítmico e pressão por produtividade

O funcionamento dos aplicativos é baseado em sistemas automatizados que distribuem corridas conforme critérios internos.

Esse modelo cria incentivos indiretos: quem aceita mais viagens tende a receber mais chamadas, enquanto recusas podem reduzir a oferta futura.

Especialistas e lideranças do setor apontam que isso gera uma espécie de “dependência de disponibilidade constante”, já que o rendimento depende do tempo conectado ao aplicativo.

Endividamento e ciclo financeiro apertado

Motoristas
Imagem: Rovena Rosa / Agência Brasil

Outro ponto destacado em estudos recentes, como o relatório Fairwork Brasil 2025, é o alto nível de endividamento entre trabalhadores de plataformas.

Em muitos casos, motoristas recorrem a financiamentos para:

  • Comprar ou alugar veículos
  • Custear manutenção
  • Suprir períodos de baixa renda

O problema é que a instabilidade dos ganhos dificulta o planejamento financeiro, criando um ciclo em que a dívida cresce junto com a necessidade de trabalhar mais horas.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Crédito e risco de dependência financeira

A expansão de linhas de crédito específicas para trabalhadores de aplicativos também entrou no debate.

Programas de financiamento facilitado, embora ampliem o acesso a veículos, podem aumentar a vulnerabilidade financeira quando não há garantia de renda fixa.

Especialistas alertam que, sem estabilidade contratual, o risco de inadimplência tende a crescer, especialmente em cenários de oscilação de demanda ou bloqueios em plataformas.

Regulamentação ainda em construção

A discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos avança lentamente no Brasil.

A aprovação recente da OIT de diretrizes internacionais para plataformas digitais reacendeu o debate sobre direitos básicos, como proteção social e transparência algorítmica.

No Brasil, no entanto, ainda não há consenso político sobre o modelo ideal de regulação.

Principais pontos em debate

  • Reconhecimento ou não do vínculo empregatício
  • Garantias mínimas de renda
  • Transparência dos algoritmos
  • Contribuição previdenciária e proteção social

Enquanto isso, trabalhadores seguem atuando sem um marco jurídico totalmente definido.

Entre promessa de flexibilidade e realidade econômica

O trabalho por aplicativo continua sendo uma alternativa importante para milhões de brasileiros, especialmente em um cenário de informalidade elevada.

No entanto, os dados mais recentes indicam um desequilíbrio estrutural: enquanto as plataformas ampliam sua presença e operação, o trabalhador assume a maior parte dos custos e riscos.

A combinação de despesas altas, renda variável e ausência de proteção consolidada coloca o modelo sob forte questionamento.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados