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Levantamento revela diferença de até R$ 6,69 por hora na renda de motoristas de aplicativo

O local onde o motorista de aplicativo trabalha pode fazer uma diferença significativa na renda obtida com as corridas. Um levantamento da GigU mostra que profissionais de capitais e regiões metropolitanas apresentam, em algumas áreas analisadas, lucro médio por hora superior ao registrado em cidades do interior. Em São Paulo, por exemplo, o lucro médio […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 9 min de leitura
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O local onde o motorista de aplicativo trabalha pode fazer uma diferença significativa na renda obtida com as corridas. Um levantamento da GigU mostra que profissionais de capitais e regiões metropolitanas apresentam, em algumas áreas analisadas, lucro médio por hora superior ao registrado em cidades do interior.

Em São Paulo, por exemplo, o lucro médio na Região Metropolitana chega a R$ 15,57 por hora, enquanto no noroeste paulista fica em R$ 10,11. A diferença de R$ 5,46 por hora pode representar mais de R$ 1 mil em um mês de 200 horas trabalhadas.

Em Minas Gerais, a distância é ainda maior. O levantamento aponta lucro médio de R$ 16,05 por hora na Região Metropolitana de Belo Horizonte, contra R$ 9,36 no Triângulo Mineiro — diferença de R$ 6,69 por hora.

Os números mostram que não existe uma renda única para quem trabalha com aplicativos de transporte. Demanda, tempo de espera, distância percorrida, tarifas, categorias disponíveis e custos do veículo influenciam diretamente o resultado final.

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Quanto um motorista de aplicativo ganha por hora?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Os dados da GigU apontam diferenças expressivas entre as regiões analisadas.

RegiãoLucro médio por hora
Rio de Janeiro (capital)R$ 18,49
Região Metropolitana de Belo HorizonteR$ 16,05
Região Metropolitana de São PauloR$ 15,57
SalvadorR$ 14,74
Angra dos Reis e Volta RedondaR$ 12,24
Noroeste paulistaR$ 10,11
Triângulo MineiroR$ 9,36
Eunápolis e Porto SeguroR$ 8,88

Os valores representam estimativas de lucro por hora, e não um salário fixo. O resultado individual pode ser diferente dependendo da quantidade de horas trabalhadas, do veículo utilizado, do consumo de combustível e das demais despesas.

Em São Paulo, a diferença entre a Região Metropolitana e o noroeste do estado é de R$ 5,46 por hora.

Se fosse mantida durante uma jornada hipotética de 200 horas mensais, essa diferença equivaleria a R$ 1.092 por mês. Em um ano, chegaria a aproximadamente R$ 13.104.

Por que motoristas das capitais podem ganhar mais?

A dinâmica do mercado de cada cidade ajuda a explicar a diferença.

Capitais e regiões metropolitanas concentram uma população maior e apresentam intenso fluxo de passageiros. Isso aumenta a quantidade potencial de chamadas durante o período em que o motorista permanece conectado ao aplicativo.

Outro fator é o tempo entre as corridas. Em regiões mais densamente ocupadas, as distâncias entre passageiros podem ser menores, reduzindo períodos em que o motorista percorre quilômetros sem transportar alguém.

A existência de categorias com tarifas superiores também influencia o resultado.

Segundo Luiz Gustavo Neves, CEO e cofundador da GigU, capitais e regiões metropolitanas concentram maior volume de corridas, além de apresentarem maior presença de categorias como Comfort e Black.

Esses serviços podem elevar o valor médio das viagens e, consequentemente, melhorar a rentabilidade por hora.

São Paulo tem diferença de mais de R$ 1 mil por mês

A disparidade aparece dentro do próprio estado de São Paulo.

Na Região Metropolitana da capital, o lucro médio indicado pelo levantamento é de R$ 15,57 por hora, com margem líquida de 43,6%.

Já no noroeste paulista, região que inclui municípios como Barretos, São José do Rio Preto e Votuporanga, o lucro médio cai para R$ 10,11 por hora, com margem de 33%.

A diferença é de R$ 5,46 por hora.

Em uma jornada de 200 horas, o motorista da Região Metropolitana teria, pela média do levantamento, uma vantagem de aproximadamente R$ 1.092 no mês.

É uma diferença que pode se tornar relevante para quem depende da atividade como principal fonte de renda.

Minas Gerais apresenta uma das maiores diferenças

Minas Gerais registra uma disparidade ainda maior entre as regiões analisadas.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o lucro médio chega a R$ 16,05 por hora. No Triângulo Mineiro, o valor cai para R$ 9,36.

A diferença de R$ 6,69 por hora representa aproximadamente R$ 1.338 em uma jornada hipotética de 200 horas mensais.

Em 12 meses, mantida a mesma diferença, seriam R$ 16.056.

O cálculo é apenas ilustrativo. A quantidade de horas trabalhadas e os valores obtidos podem variar de um mês para outro.

Rio de Janeiro aparece com maior lucro médio

Entre os recortes apresentados pela pesquisa, a capital fluminense apresenta o maior lucro médio por hora: R$ 18,49.

Em Angra dos Reis e Volta Redonda, a média é de R$ 12,24.

A diferença chega a R$ 6,25 por hora.

Na Bahia, Salvador registra lucro médio de R$ 14,74 por hora. Já em municípios como Eunápolis e Porto Seguro, a média fica em R$ 8,88.

A diferença entre os dois recortes é de R$ 5,86 por hora.

O que determina o lucro de um motorista?

O número de corridas realizadas não é suficiente para saber quanto o motorista realmente ganhou.

É preciso considerar quanto foi recebido e quais despesas foram necessárias para realizar aquelas viagens.

Entre os principais custos estão:

  • combustível;
  • manutenção;
  • troca de pneus;
  • óleo e outros componentes;
  • seguro;
  • documentação;
  • depreciação do veículo;
  • financiamento ou aluguel do carro, quando houver.

Por isso, dois motoristas que trabalham pelo mesmo aplicativo podem apresentar resultados completamente diferentes.

Um profissional que percorre muitos quilômetros sem passageiro, por exemplo, pode ter uma margem menor mesmo realizando uma quantidade semelhante de viagens.

Faturamento não é a mesma coisa que lucro

Essa diferença é fundamental para interpretar os números.

O faturamento corresponde ao valor gerado pelas corridas. Já o lucro considera aquilo que permanece depois da dedução dos custos relacionados ao trabalho.

Imagine, por exemplo, um motorista que tenha recebido R$ 300 em determinado período. Esse valor não significa que ele tenha colocado R$ 300 no bolso.

Se foram gastos R$ 80 com combustível e outros R$ 40 com custos operacionais estimados, o resultado seria de R$ 180 antes de outros possíveis gastos.

O exemplo é apenas ilustrativo, mas demonstra por que o cálculo da rentabilidade precisa levar em consideração a operação inteira.

Trabalhar mais horas aumenta a renda?

Nem sempre.

A quantidade de horas conectado ao aplicativo não significa necessariamente a mesma quantidade de horas efetivamente transportando passageiros.

Um motorista pode passar parte da jornada aguardando chamadas, deslocando-se até passageiros ou enfrentando congestionamentos.

Quando o tempo ocioso aumenta, o lucro por hora pode diminuir.

Por isso, motoristas que acompanham indicadores como lucro por hora e lucro por quilômetro conseguem ter uma visão mais precisa sobre quais períodos e regiões são mais rentáveis.

O mercado de aplicativos cresceu no Brasil

A Uber chegou ao Brasil em 2014 e, desde então, os aplicativos de transporte passaram a fazer parte da rotina de milhões de passageiros.

A empresa informou que mais de 5 milhões de brasileiros já utilizaram a plataforma para gerar renda ao longo dos primeiros dez anos de operação no país. No mesmo período, foram realizadas bilhões de viagens e mais de R$ 140 bilhões foram repassados a motoristas e entregadores parceiros, segundo dados divulgados pela companhia.

O tamanho do mercado, entretanto, não significa que todos os profissionais tenham as mesmas condições de trabalho.

A atividade depende das características de cada município. População, turismo, concentração de empresas, aeroportos, comércio, transporte público e circulação de passageiros são alguns dos elementos que podem alterar a demanda.

O que o motorista deve analisar antes de trabalhar com aplicativo?

Quem pretende entrar nesse mercado precisa olhar além do valor bruto recebido pelas corridas.

Uma avaliação mais realista deve considerar:

  • quanto o carro consome por quilômetro;
  • quantos quilômetros são percorridos por dia;
  • quanto tempo o motorista permanece conectado;
  • quanto tempo passa efetivamente em corridas;
  • gastos com manutenção;
  • depreciação do veículo;
  • taxas e demais despesas;
  • lucro líquido por hora.

Esse acompanhamento permite descobrir se a atividade realmente compensa na cidade em que o motorista pretende trabalhar.

Uma cidade com mais corridas não necessariamente oferece maior lucro se os custos operacionais e o tempo perdido no trânsito forem muito elevados.

Existe uma remuneração mínima para motoristas de aplicativo?

A regulamentação do trabalho realizado por meio de aplicativos continua sendo objeto de discussões entre governo, empresas e trabalhadores.

O governo federal já apresentou propostas para regulamentar a atividade dos motoristas de aplicativos de passageiros. Uma das propostas discutidas no âmbito do Grupo de Trabalho dos Aplicativos previa remuneração mínima de R$ 32,10 por hora trabalhada.

Esse valor, porém, não deve ser confundido com os números de lucro apresentados pela GigU.

São conceitos diferentes e dependem da metodologia utilizada para calcular a remuneração e os custos envolvidos.

Por isso, qualquer mudança nas regras precisa ser analisada de acordo com o texto legal efetivamente aprovado e com sua regulamentação.

Afinal, onde é mais vantajoso trabalhar como motorista?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Os dados indicam uma vantagem das grandes cidades em determinados mercados, principalmente pela maior concentração de passageiros e pela possibilidade de realizar mais corridas durante a jornada.

Mas isso não significa que trabalhar em uma capital será automaticamente mais lucrativo para todos.

O resultado depende do perfil do motorista, do carro, dos horários escolhidos, da região em que atua e dos custos de operação.

A principal conclusão do levantamento é que a localização pode ter impacto significativo na rentabilidade do trabalho por aplicativo.

Para quem depende dessa atividade, acompanhar o lucro líquido — e não apenas o valor recebido pelas corridas — é fundamental para saber se o trabalho está realmente compensando.

Conclusão

Os dados mostram que a cidade onde o motorista trabalha pode influenciar diretamente sua rentabilidade. Capitais e regiões metropolitanas tendem a oferecer mais demanda e menos tempo ocioso, enquanto algumas regiões do interior apresentam lucro médio menor.

Para saber se a atividade realmente compensa, porém, é preciso considerar não apenas o valor das corridas, mas também gastos como combustível, manutenção e depreciação do veículo. No fim, acompanhar o lucro por hora e por quilômetro é essencial para entender o ganho real.

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