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Abono Salarial Pis/Pasep muda em 2026 e pode cortar benefício de milhares; confira

Saiba como as novas regras do PIS/Pasep vão reduzir o número de trabalhadores com direito ao abono salarial a partir de 2026 e entenda quem será mais afetado.

Gisele BarbosaPor Gisele Barbosa7 min de leitura
Abono salarial

O abono salarial, benefício anual destinado a milhões de trabalhadores inscritos no PIS e no Pasep, passará por mudanças significativas a partir de 2026. O governo federal aprovou novas regras que alteram diretamente o limite de renda usado para definir quem tem direito ao pagamento. Embora o valor do benefício não seja reduzido, a forma de determinar quem poderá recebê-lo será mais restrita, o que deve resultar em uma queda progressiva no número de beneficiários ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em meio a uma reestruturação das contas públicas e de programas de transferência de renda. Com o salário mínimo crescendo acima da inflação nos últimos anos, o governo decidiu desvincular o abono desse parâmetro para impedir que o gasto continue aumentando. A partir de agora, o limite de renda será reajustado apenas pela inflação, tornando o acesso ao benefício mais rígido.

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O que é o abono salarial

Finalidade e importância

O abono salarial foi criado para complementar a renda de trabalhadores com remuneração mais baixa. Para muitos brasileiros, o benefício funciona como um reforço importante do orçamento anual, equivalente a até um salário mínimo.

Trabalhadores da iniciativa privada recebem pelo PIS, enquanto os servidores públicos são atendidos pelo Pasep. Apesar de operarem separadamente, as duas modalidades seguem critérios semelhantes de elegibilidade.

Regras atuais

Até 2025, para ter direito ao abono salarial, é necessário:
• estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos;
• ter trabalhado por 30 dias ou mais no ano-base;
• ter recebido remuneração média mensal de até dois salários mínimos;
• ter os dados corretamente enviados pelo empregador à RAIS ou ao eSocial.

Como o valor é calculado

O valor do abono é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base. Quem trabalhou o ano inteiro recebe o valor integral, equivalente a um salário mínimo. Quem trabalhou menos recebe proporcionalmente.

O cálculo será mantido nas novas regras, o que significa que a alteração não está no pagamento, mas sim em quem poderá recebê-lo.

O que muda a partir de 2026

Critério de renda deixa de acompanhar o salário mínimo

A mudança mais importante é a redefinição do limite de renda. O teto de “até dois salários mínimos” deixará de existir. No lugar, entrará um valor fixado em reais, que será corrigido apenas pela inflação medida pelo INPC.

Isso significa que o limite de renda deixará de subir no mesmo ritmo do salário mínimo, que tradicionalmente tem reajustes maiores.

Ponto de partida da transição

Em 2026, o valor inicial de referência deve ficar em torno de R$ 2.640, atualizado pelo INPC. A partir daí, todos os anos o teto será reajustado apenas pela inflação. Como o salário mínimo terá reajustes maiores ao longo do tempo, cada ano deixará mais trabalhadores acima do limite de elegibilidade.

Projeção de longo prazo

Estudos do governo indicam que, até 2035, o limite de renda representará o equivalente aproximado a apenas 1,5 salário mínimo. Isso significa que o critério ficará progressivamente mais rígido, diminuindo o número de trabalhadores aptos ao abono.

Ano-base considerado

Para o pagamento de 2026, o governo utilizará as informações trabalhistas do ano-base 2024. Assim, mesmo antes de as novas regras entrarem em vigor, o rendimento de 2024 já será determinante.

Calendário de pagamento

O calendário continuará sendo definido pelo Codefat e divulgado anualmente. A expectativa é que o modelo por mês de nascimento seja mantido, como ocorre atualmente.

Por que o número de beneficiários vai diminuir

Salário mínimo cresce mais que a inflação

O principal fator que levará à redução de beneficiários é a diferença entre os reajustes do salário mínimo e do teto de elegibilidade. Enquanto o salário mínimo sobe com ganho real, acima da inflação, o limite do abono crescerá apenas pelo INPC.

Isso significa que, com o passar dos anos, mais trabalhadores ultrapassarão o teto — mesmo que seus reajustes salariais sejam modestos.

Expansão automática será interrompida

Nos últimos anos, a combinação de crescimento real do salário mínimo e formalização do mercado de trabalho ampliou o número de pessoas que se qualificavam para o abono. Em alguns casos, trabalhadores com renda que não se enquadrava na categoria “baixa renda” também passaram a receber o benefício.

O governo avalia que o desenho atual estava perdendo foco e precisava ser reformulado.

Estimativas de impacto

A previsão oficial é de que milhões de trabalhadores deixem de ser elegíveis entre 2026 e 2035. A economia projetada para os cofres públicos ultrapassa R$ 20 bilhões na próxima década, resultado da redução gradual do número de beneficiários.

Quem será mais afetado pelas mudanças

Trabalhadores com renda próxima do limite atual

Quem recebe entre R$ 2.200 e R$ 2.800 está especialmente vulnerável. Com a mudança, esses trabalhadores provavelmente ultrapassarão o novo teto já nos primeiros anos de transição.

Profissionais com remuneração variável

Trabalhadores que recebem comissões, horas extras ou adicionais correm maior risco de ultrapassar o limite de forma inesperada. Mesmo um aumento moderado pode elevar a média salarial acima do teto corrigido apenas pela inflação.

Trabalhadores em ascensão profissional

Aqueles que recebem promoções ou reajustes anuais acima do INPC podem perder o direito rapidamente. Como o novo sistema não acompanha o salário mínimo, qualquer ganho real coloca o trabalhador mais próximo de ficar fora do programa.

Vínculos intermitentes e temporários

Em casos de trabalhadores com jornadas variáveis, é possível que alguns meses com remuneração maior elevem a média anual, retirando o direito ao benefício.

Motivações do governo

Controle fiscal

O governo argumenta que o abono salarial estava se expandindo além do previsto originalmente, pressionando as contas públicas. A mudança busca evitar que o custo continue crescendo.

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Focalização do benefício

O objetivo oficial é garantir que o abono atinja prioritariamente trabalhadores de renda mais baixa, evitando que aumentos gerais do salário mínimo ampliem o acesso de grupos com melhor situação econômica.

Ajuste técnico

Ao longo dos anos, o critério de renda vinculado ao salário mínimo passou a ser considerado distorcido, uma vez que muitos trabalhadores acima da faixa mais vulnerável passaram a se enquadrar no programa devido ao reajuste real do piso.

O que o trabalhador deve fazer para não perder o benefício

Conferir a média salarial de 2024

Como o ano-base 2024 será usado para o pagamento de 2026, o trabalhador deve revisar toda sua remuneração daquele ano, incluindo adicionais, horas extras e comissões.

Verificar o envio das informações pelo empregador

É fundamental verificar se os dados enviados pelo empregador ao eSocial estão corretos. Qualquer divergência pode impedir o recebimento do abono.

Acompanhar a evolução dos limites

O governo divulgará anualmente o limite corrigido pelo INPC. Trabalhadores próximos do teto devem acompanhar se seus reajustes de salário ultrapassam esse valor.

Organizar documentação

Manter holerites, contratos, comprovantes de pagamento e registros formais ajuda a resolver eventuais inconsistências.

Perguntas frequentes

O valor do abono salarial vai diminuir?

Não. O cálculo permanece proporcional aos meses trabalhados e vinculado ao salário mínimo.

As mudanças afetam todos os trabalhadores imediatamente?

Não. A transição será gradual, mas o impacto começará já em 2026.

Ainda será necessário estar inscrito há cinco anos?

Sim. Os critérios básicos continuam iguais.

Preciso solicitar o PIS/Pasep?

Não. O benefício continua sendo liberado automaticamente para quem cumpre os requisitos.

A regra pode mudar novamente?

Sim. Qualquer alteração dependerá de nova legislação.

Gisele Barbosa

Autor

Gisele Barbosa

Gisele Cavalheiro Gonçalves Barbosa é redatora do portal Seu Crédito Digital. Atua na produção de conteúdos sobre economia, benefícios sociais, INSS, finanças pessoais, loterias, tecnologia e política, sempre com foco em informar o leitor de forma clara, objetiva e atualizada. É formada em técnico de edificações na área da construção civil e aplica uma abordagem prática e analítica na apuração dos temas que impactam diretamente o dia a dia dos brasileiros.

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