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Governo quer mudar o pagamento de precatórios: mudança em correção e taxação estão em pauta

O governo Lula estuda mudanças na correção e taxação de precatórios como parte de uma estratégia para equilibrar as contas públicas. Confira!

Andreza AraújoPor Andreza Araújo4 min de leitura
PEC Bolsa com um cifrão desenhado ao lado de um martelo, representando o pagamento de precatórios do INSS

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva está considerando uma série de alterações nas regras de pagamento dos precatórios, com o objetivo de aliviar a pressão sobre as finanças públicas. Em meio a desafios econômicos significativos, essas mudanças são parte de uma estratégia mais ampla para ajustar as contas do governo, aumentando as receitas e controlando as despesas.

Sendo assim, saiba mais sobre as propostas em discussão, seus potenciais impactos e os desafios que o governo enfrenta para implementá-las. Continue a leitura!

Contexto e Importância dos Precatórios

O Que São Precatórios?

Precatórios são requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário para cobrar de entes públicos, como a União, valores devidos após uma condenação judicial definitiva. Essas dívidas incluem, por exemplo, salários, aposentadorias e indenizações. O pagamento dos precatórios é uma despesa obrigatória para o governo, e seu crescimento tem se tornado uma fonte significativa de pressão sobre o orçamento federal.

Impacto no Orçamento

Em 2023, as despesas com precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs) somaram R$ 86 bilhões, dos quais R$ 29 bilhões referem-se a RPVs. Para 2025, a previsão é que esses gastos ultrapassem R$ 100 bilhões. Com a tendência de aumento contínuo, esses pagamentos representam um desafio para o equilíbrio fiscal e o cumprimento das metas orçamentárias estabelecidas pelo governo.

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Propostas de Mudança

Fachada de um prédio do INSS
Imagem: Angela_Macario / Shutterstock.com

Revisão da Correção Monetária

Uma das propostas em discussão é a revisão do índice de correção monetária dos precatórios. Após a aprovação da PEC dos Precatórios, a correção foi vinculada à taxa Selic, que atualmente está em 10,50% ao ano. Antes, a correção era feita pelo IPCA-E acrescido de juros da poupança, aproximadamente 0,5% ao mês.

Assim, com a Selic elevada, o custo das dívidas judiciais aumentou, tornando-se um fardo maior para o governo.

Desafios de Implementação

Qualquer mudança no indexador de correção precisará ser feita por meio de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), exigindo o apoio de 308 deputados e 49 senadores em dois turnos de votação.

Taxação dos Ganhos de Atualização Monetária

Outra proposta sendo considerada é a taxação dos ganhos obtidos pelo credor devido à atualização monetária dos precatórios entre a sua emissão e o pagamento. Atualmente, já há uma cobrança de 3% de Imposto de Renda sobre o valor pago, sem deduções. A ideia seria aumentar a arrecadação, cobrando um valor adicional sobre a diferença monetária acumulada no período.

Recuperação de Valores Abandonados

Resgate de Valores em Contas Judiciais

O governo também está avaliando maneiras de melhorar o resgate de valores abandonados em contas judiciais. Há bilhões de reais em precatórios não reclamados que permanecem nas contas do Judiciário. O prazo atual para que a União possa reivindicar esses valores é de 25 anos, mas o governo considera reduzir esse período para acelerar a incorporação desses recursos ao Tesouro Nacional.

Burocracia e Desafios Operacionais

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O processo de identificação e resgate desses valores é burocrático, exigindo notificações publicadas no Diário Oficial e na imprensa local. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) estima que R$ 3,9 bilhões em precatórios já podem ser considerados abandonados e potencialmente repassados ao Tesouro.

Consequências para as Finanças Públicas

precatórios
Imagem: RHJPhtotoandilustration / shutterstock.com

Ajuste Fiscal e Arcabouço Fiscal

As mudanças nos precatórios são vistas como cruciais para a estratégia de ajuste fiscal do governo. Com a meta de déficit zero em 2025, o governo busca aumentar as receitas e controlar despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários e sociais. O sucesso dessas iniciativas é vital para manter a estabilidade econômica e garantir a confiança dos investidores.

Desafios Políticos e Econômicos

As propostas enfrentam desafios políticos significativos, especialmente em um cenário de divisões partidárias e interesses conflitantes. Além disso, qualquer mudança na taxação ou correção dos precatórios precisa ser cuidadosamente avaliada para evitar impactos negativos nos credores, que têm direito a receber seus valores de forma justa e tempestiva.

Considerações Finais

As mudanças propostas pelo governo nos pagamentos de precatórios refletem a necessidade urgente de ajustar as contas públicas em um contexto econômico desafiador. Embora as medidas possam ajudar a aliviar a pressão orçamentária, elas também exigem um equilíbrio delicado entre a necessidade de arrecadação e o respeito aos direitos dos credores.

À medida que o governo avança com essas propostas, será essencial manter o diálogo com o Congresso e a sociedade para garantir uma implementação eficaz e equitativa.

Imagem: Andrii Yalanskyi / Shutterstock.com

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Andreza Araújo

Autor

Andreza Araújo

Andreza Araújo é formada em Letras (Português e Linguística) pela Universidade de São Paulo e em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. Com experiência na área educacional como professora de inglês, atualmente atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, escrevendo sobre finanças, benefícios sociais, consumo e mercado.

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