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Mulheres empreendem, mas não crescem: entenda o que está por trás dessa barreira

Descubra os desafios das mulheres empreendedoras e veja como superar barreiras com educação e acesso ao crédito.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
mulheres

O empreendedorismo feminino no Brasil tem crescido nas últimas décadas, impulsionado por fatores como necessidade de renda, busca por autonomia e desejo de conciliar trabalho com a maternidade.

No entanto, apesar do aumento do número de mulheres à frente de negócios próprios, a realidade dessas empreendedoras ainda é marcada por desigualdades estruturais, falta de acesso a crédito e dificuldades para expandir suas atividades.

Uma pesquisa recente realizada pela Serasa, em parceria com a Opinion Box, revelou um cenário alarmante: 87% das mulheres empreendedoras brasileiras já foram ou estão negativadas, e 68% tiveram pedidos de crédito negados.

Esses dados escancaram as barreiras financeiras enfrentadas por elas, comprometendo o desenvolvimento e a sustentabilidade de seus negócios.

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Principais desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras

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Imagem: Canva

Endividamento e inadimplência

A negativação é um dos principais obstáculos enfrentados pelas mulheres que empreendem. O alto índice de inadimplência (87%) indica não apenas a fragilidade financeira das empreendedoras, mas também o quanto os negócios liderados por mulheres estão mais expostos a oscilações econômicas.

Muitas vezes, esses empreendimentos são iniciados com recursos próprios ou informais, sem planejamento financeiro robusto, o que aumenta a vulnerabilidade a crises e à falta de capital de giro.

Dificuldade de acesso ao crédito

Segundo a mesma pesquisa, 75% das empreendedoras já recorreram ao crédito em algum momento para manter suas atividades. Porém, o acesso a esse recurso é limitado: 35% delas afirmam que a principal barreira para manter o negócio é a recusa nos pedidos de financiamento.

Razões para a recusa de crédito

  • Histórico de inadimplência;
  • Falta de garantias reais;
  • Baixa formalização dos negócios;
  • Ausência de comprovação de renda estável.

Esses critérios, muitas vezes rígidos, desconsideram as especificidades do empreendedorismo feminino, onde o negócio pode estar integrado à rotina familiar e sem uma estrutura empresarial tradicional.

Jornada dupla e a sobrecarga doméstica

Outro fator crucial que impede o crescimento dos negócios liderados por mulheres é a dupla jornada de trabalho. A pesquisa revela que 73% das mulheres afirmam que os afazeres domésticos impactam negativamente na gestão do negócio.

Tempo que falta para empreender

A sobrecarga com tarefas do lar e cuidados com filhos reduz drasticamente o tempo que poderia ser dedicado a atividades essenciais como:

  • Planejamento estratégico;
  • Atendimento ao cliente;
  • Capacitação profissional;
  • Gestão financeira.

Essa condição reflete a desigualdade de gênero ainda presente na divisão do trabalho doméstico e prejudica a competitividade das empreendedoras frente aos negócios geridos por homens.

Complemento de renda e informalidade

Além de enfrentar obstáculos estruturais, 74% das empreendedoras afirmaram que precisam recorrer a trabalhos informais para complementar a renda, segundo um levantamento anterior da Serasa.

Essa situação demonstra que os negócios não estão sendo suficientes para garantir uma renda estável, o que impede a profissionalização, a formalização e o crescimento do empreendimento.

Impactos da informalidade

  • Dificuldade de acessar linhas de crédito;
  • Ausência de benefícios previdenciários;
  • Risco jurídico e fiscal;
  • Insegurança trabalhista.

Muitas mulheres empreendem na informalidade por necessidade, não por escolha estratégica, o que compromete a sustentabilidade a longo prazo.

Importância da educação financeira

A falta de conhecimento sobre gestão e finanças é outro entrave apontado por especialistas. Sem acesso a ferramentas de educação financeira, as empreendedoras encontram dificuldades para administrar capital, precificar produtos ou serviços e reinvestir de maneira eficaz.

O que pode ser feito:

  • Capacitações em finanças básicas e avançadas;
  • Acesso a mentorias com foco em mulheres;
  • Criação de redes de apoio entre empreendedoras;
  • Apoio governamental para programas de educação empreendedora.

Políticas públicas e inclusão produtiva

Transformar esse cenário exige ação coletiva e políticas públicas que promovam a inclusão produtiva das mulheres, com foco na autonomia econômica.

Medidas recomendadas:

Linhas de crédito com condições diferenciadas

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Programas de microcrédito voltados exclusivamente para mulheres, com taxas de juros reduzidas e menos exigências, podem ser um caminho para democratizar o acesso a financiamento.

Incentivo à formalização

Facilitar a formalização de negócios liderados por mulheres, com orientação e isenção de taxas nos primeiros meses, pode impulsionar a regularização e o crescimento das empresas.

Apoio à conciliação entre trabalho e cuidados

Investimentos em creches públicas e programas de apoio à maternidade são fundamentais para permitir que mais mulheres consigam empreender de forma sustentável e com tempo adequado para se dedicar aos negócios.

Caminhos para o crescimento sustentável

Empreender
Imagem: Canva

Apesar dos inúmeros desafios, há histórias de sucesso e estratégias que podem ajudar as mulheres a superarem as barreiras estruturais do empreendedorismo.

Rede de apoio e networking

Criar ou participar de redes de empreendedoras pode abrir portas para parcerias, aprendizado e até mesmo acesso facilitado a crédito por meio de fundos coletivos ou cooperativas.

Mentoria e capacitação

O acompanhamento de mentores experientes, principalmente outras mulheres empreendedoras, é uma ferramenta poderosa para evitar erros comuns e acelerar o desenvolvimento do negócio.

Planejamento e organização

Mesmo diante da sobrecarga, investir tempo em planejamento estratégico e organização financeira pode melhorar a eficiência do negócio e prepará-lo para crescer com mais segurança.

Conclusão

O empreendedorismo feminino no Brasil está em crescimento, mas enfrenta uma série de entraves que impedem seu pleno desenvolvimento.

A dificuldade de acesso ao crédito, o endividamento, a informalidade e a sobrecarga doméstica são barreiras que precisam ser enfrentadas com políticas públicas, programas de capacitação e acesso a educação financeira.

Para garantir que mais mulheres consigam não apenas empreender, mas também prosperar, é essencial que o país invista na autonomia econômica feminina e em medidas estruturantes que promovam a igualdade de oportunidades.

Imagem: Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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