O empreendedorismo feminino no Brasil tem crescido nas últimas décadas, impulsionado por fatores como necessidade de renda, busca por autonomia e desejo de conciliar trabalho com a maternidade.
Mulheres empreendem, mas não crescem: entenda o que está por trás dessa barreira
Descubra os desafios das mulheres empreendedoras e veja como superar barreiras com educação e acesso ao crédito.
No entanto, apesar do aumento do número de mulheres à frente de negócios próprios, a realidade dessas empreendedoras ainda é marcada por desigualdades estruturais, falta de acesso a crédito e dificuldades para expandir suas atividades.
Uma pesquisa recente realizada pela Serasa, em parceria com a Opinion Box, revelou um cenário alarmante: 87% das mulheres empreendedoras brasileiras já foram ou estão negativadas, e 68% tiveram pedidos de crédito negados.
Esses dados escancaram as barreiras financeiras enfrentadas por elas, comprometendo o desenvolvimento e a sustentabilidade de seus negócios.
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Principais desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras

Endividamento e inadimplência
A negativação é um dos principais obstáculos enfrentados pelas mulheres que empreendem. O alto índice de inadimplência (87%) indica não apenas a fragilidade financeira das empreendedoras, mas também o quanto os negócios liderados por mulheres estão mais expostos a oscilações econômicas.
Muitas vezes, esses empreendimentos são iniciados com recursos próprios ou informais, sem planejamento financeiro robusto, o que aumenta a vulnerabilidade a crises e à falta de capital de giro.
Dificuldade de acesso ao crédito
Segundo a mesma pesquisa, 75% das empreendedoras já recorreram ao crédito em algum momento para manter suas atividades. Porém, o acesso a esse recurso é limitado: 35% delas afirmam que a principal barreira para manter o negócio é a recusa nos pedidos de financiamento.
Razões para a recusa de crédito
- Histórico de inadimplência;
- Falta de garantias reais;
- Baixa formalização dos negócios;
- Ausência de comprovação de renda estável.
Esses critérios, muitas vezes rígidos, desconsideram as especificidades do empreendedorismo feminino, onde o negócio pode estar integrado à rotina familiar e sem uma estrutura empresarial tradicional.
Jornada dupla e a sobrecarga doméstica
Outro fator crucial que impede o crescimento dos negócios liderados por mulheres é a dupla jornada de trabalho. A pesquisa revela que 73% das mulheres afirmam que os afazeres domésticos impactam negativamente na gestão do negócio.
Tempo que falta para empreender
A sobrecarga com tarefas do lar e cuidados com filhos reduz drasticamente o tempo que poderia ser dedicado a atividades essenciais como:
- Planejamento estratégico;
- Atendimento ao cliente;
- Capacitação profissional;
- Gestão financeira.
Essa condição reflete a desigualdade de gênero ainda presente na divisão do trabalho doméstico e prejudica a competitividade das empreendedoras frente aos negócios geridos por homens.
Complemento de renda e informalidade
Além de enfrentar obstáculos estruturais, 74% das empreendedoras afirmaram que precisam recorrer a trabalhos informais para complementar a renda, segundo um levantamento anterior da Serasa.
Essa situação demonstra que os negócios não estão sendo suficientes para garantir uma renda estável, o que impede a profissionalização, a formalização e o crescimento do empreendimento.
Impactos da informalidade
- Dificuldade de acessar linhas de crédito;
- Ausência de benefícios previdenciários;
- Risco jurídico e fiscal;
- Insegurança trabalhista.
Muitas mulheres empreendem na informalidade por necessidade, não por escolha estratégica, o que compromete a sustentabilidade a longo prazo.
Importância da educação financeira
A falta de conhecimento sobre gestão e finanças é outro entrave apontado por especialistas. Sem acesso a ferramentas de educação financeira, as empreendedoras encontram dificuldades para administrar capital, precificar produtos ou serviços e reinvestir de maneira eficaz.
O que pode ser feito:
- Capacitações em finanças básicas e avançadas;
- Acesso a mentorias com foco em mulheres;
- Criação de redes de apoio entre empreendedoras;
- Apoio governamental para programas de educação empreendedora.
Políticas públicas e inclusão produtiva
Transformar esse cenário exige ação coletiva e políticas públicas que promovam a inclusão produtiva das mulheres, com foco na autonomia econômica.
Medidas recomendadas:
Linhas de crédito com condições diferenciadas
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Programas de microcrédito voltados exclusivamente para mulheres, com taxas de juros reduzidas e menos exigências, podem ser um caminho para democratizar o acesso a financiamento.
Incentivo à formalização
Facilitar a formalização de negócios liderados por mulheres, com orientação e isenção de taxas nos primeiros meses, pode impulsionar a regularização e o crescimento das empresas.
Apoio à conciliação entre trabalho e cuidados
Investimentos em creches públicas e programas de apoio à maternidade são fundamentais para permitir que mais mulheres consigam empreender de forma sustentável e com tempo adequado para se dedicar aos negócios.
Caminhos para o crescimento sustentável

Apesar dos inúmeros desafios, há histórias de sucesso e estratégias que podem ajudar as mulheres a superarem as barreiras estruturais do empreendedorismo.
Rede de apoio e networking
Criar ou participar de redes de empreendedoras pode abrir portas para parcerias, aprendizado e até mesmo acesso facilitado a crédito por meio de fundos coletivos ou cooperativas.
Mentoria e capacitação
O acompanhamento de mentores experientes, principalmente outras mulheres empreendedoras, é uma ferramenta poderosa para evitar erros comuns e acelerar o desenvolvimento do negócio.
Planejamento e organização
Mesmo diante da sobrecarga, investir tempo em planejamento estratégico e organização financeira pode melhorar a eficiência do negócio e prepará-lo para crescer com mais segurança.
Conclusão
O empreendedorismo feminino no Brasil está em crescimento, mas enfrenta uma série de entraves que impedem seu pleno desenvolvimento.
A dificuldade de acesso ao crédito, o endividamento, a informalidade e a sobrecarga doméstica são barreiras que precisam ser enfrentadas com políticas públicas, programas de capacitação e acesso a educação financeira.
Para garantir que mais mulheres consigam não apenas empreender, mas também prosperar, é essencial que o país invista na autonomia econômica feminina e em medidas estruturantes que promovam a igualdade de oportunidades.
Imagem: Freepik
