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Remédio para impotência atrai mulheres e pode causar efeitos colaterais sérios

Descubra os riscos do uso do remédio tadalafila por mulheres e por que médicos alertam para os perigos da automedicação.

Avatar de Ellen D'Alessandro Ellen D'Alessandro · · 5 min de leitura
Medicamentos

A tadalafila, princípio ativo de remédios como o Cialis, tem sido cada vez mais procurada por mulheres no Brasil, impulsionada por promessas de aumento da libido e melhoria da performance física.

No entanto, o uso desse fármaco por mulheres é desaconselhado por especialistas devido à falta de comprovação científica e aos riscos à saúde. Sendo assim, acompanhe a leitura deste artigo a seguir para entender mais acerca desse fenômeno e como proteger sua saúde.

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Crescimento das buscas por “tadalafila para mulheres”

Remédios anvisa
Imagem: Freepik

Dados recentes de ferramentas de análise de busca online apontam o Brasil como um dos países com maior interesse no uso feminino da tadalafila.

Termos como “tadalafila funciona em mulher?” ou “efeitos da tadalafila em mulheres” se popularizaram nas plataformas de pesquisa, revelando uma curiosidade crescente que se distancia das recomendações médicas formais.

Influência digital e desinformação

O fenômeno é atribuído, em parte, à atuação de influenciadores digitais que promovem a tadalafila como uma solução para questões relacionadas à libido, cansaço ou performance sexual feminina.

Muitas dessas postagens sugerem resultados milagrosos, embora ignorem completamente a ausência de validação científica e os riscos envolvidos no uso do remédio.

O que é a tadalafila e para que ela é indicada

A tadalafila é um remédio aprovado pela Anvisa e outras agências regulatórias internacionais para o tratamento de:

  • Disfunção erétil masculina;
  • Hipertensão arterial pulmonar.

Sua principal ação é a vasodilatação, ou seja, o relaxamento dos vasos sanguíneos, permitindo maior fluxo de sangue em determinadas regiões do corpo. No caso da disfunção erétil, essa propriedade facilita a ereção ao aumentar a irrigação peniana.

Por que algumas mulheres estão usando?

A especulação em torno da tadalafila como um suposto “Viagra feminino” surge da ideia de que o aumento do fluxo sanguíneo poderia gerar maior sensibilidade genital e, consequentemente, intensificar o prazer sexual. No entanto, essa associação não tem respaldo clínico.

Além disso, há quem busque o remédio como uma alternativa para aumentar energia ou melhorar o rendimento físico, embora esse uso também careça de estudos confiáveis que justifiquem sua eficácia e segurança.

Efeitos colaterais da tadalafila em mulheres

A utilização de tadalafila sem orientação médica, especialmente por pessoas para quem o remédio não é indicado, pode desencadear uma série de efeitos colaterais. Entre os mais comuns estão:

  • Cefaleia intensa;
  • Hipotensão (pressão arterial baixa);
  • Distúrbios visuais (visão embaçada ou coloração azulada);
  • Dor muscular e nas costas;
  • Taquicardia;
  • Tontura e náusea.

Em mulheres, esses efeitos podem ser potencialmente agravados pela diferença de metabolismo e pela ausência de estudos sobre a farmacodinâmica da substância no organismo feminino.

Casos de emergência médica

Hospitais brasileiros já relataram episódios de pacientes do sexo feminino com reações adversas severas após o consumo indevido de tadalafila.

Em alguns casos, a automedicação foi motivada por vídeos virais e relatos em redes sociais, o que levanta preocupações sobre a influência da internet na adesão a tratamentos sem prescrição.

Diferença entre tadalafila e Viagra

Apesar de serem comparados com frequência, especialmente nas redes sociais, a tadalafila e o Viagra (sildenafil) têm composições e características farmacológicas diferentes.

A tadalafila, por exemplo, tem um tempo de ação mais longo (até 36 horas), enquanto o Viagra costuma atuar por cerca de 4 a 6 horas. Entretanto, nenhum dos dois possui aprovação para uso em mulheres com fins de tratamento sexual, o que reforça os riscos da automedicação.

Há estudos sobre o uso de tadalafila em mulheres?

Sim, mas eles ainda são iniciais e inconclusivos. Algumas pesquisas clínicas avaliam o uso da tadalafila no tratamento de:

  • Disfunção sexual feminina em mulheres na menopausa;
  • Síndrome de Raynaud;
  • Hiperplasia uterina.

No entanto, nenhuma dessas investigações resultou, até o momento, em aprovação formal para uso feminino, nem apresentou dados suficientemente robustos para assegurar benefícios claros ou ausência de riscos.

Alerta dos especialistas

Médicos e farmacologistas alertam que o uso de qualquer remédio deve ser feito com prescrição e acompanhamento profissional. No caso da tadalafila, a automedicação é especialmente perigosa devido ao seu efeito no sistema cardiovascular.

“Estamos falando de uma substância que pode alterar significativamente a pressão arterial. Em pessoas com predisposição, isso pode levar a episódios de desmaio, arritmias ou até AVC”, afirma a cardiologista Ana Paula Moura, do Instituto do Coração (InCor).

Papel da Anvisa e a responsabilidade das farmácias

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Imagem: Canva

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina que a venda de remédios à base de tadalafila só pode ser feita com receita médica. No entanto, denúncias apontam que há pontos de venda que ignoram a regulamentação, especialmente em e-commerces e farmácias online.

Fiscalização é necessária

O aumento do consumo indevido evidencia falhas na fiscalização e na conscientização da população sobre os riscos da automedicação. A venda irregular de medicamentos sujeitos a prescrição é infração grave e pode levar à interdição do estabelecimento.

Como aumentar a libido feminina de forma segura?

Especialistas em saúde sexual indicam que, para a maioria das mulheres, a libido está mais relacionada a fatores psicológicos, emocionais e hormonais do que a uma questão exclusivamente fisiológica. Por isso, abordagens como:

  • Terapia sexual e de casal;
  • Acompanhamento ginecológico e endocrinológico;
  • Práticas de autocuidado e redução do estresse;
  • Reposição hormonal, quando indicada.

têm apresentado melhores resultados e menor risco de efeitos colaterais do que medicamentos não autorizados para este fim.

Conclusão: riscos superam benefícios no uso da tadalafila por mulheres

O uso da tadalafila por mulheres não tem amparo científico sólido e pode acarretar sérios riscos à saúde. A busca por soluções rápidas para questões relacionadas à sexualidade deve ser substituída por diálogo com profissionais de saúde, informação de qualidade e cuidados adequados.

Enquanto o debate sobre medicamentos para saúde sexual feminina evolui, é fundamental combater a desinformação e evitar modismos perigosos promovidos nas redes sociais.

Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

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