A Natura &Co oficializou, no dia 31 de dezembro de 2025, a venda da Avon Internacional para a empresa de investimentos Regent. A operação, comunicada ao mercado nesta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, marca um dos movimentos mais relevantes do grupo brasileiro nos últimos anos e simboliza uma mudança estratégica profunda na condução dos negócios globais da companhia.
Natura encerra capítulo da Avon internacional com crédito milionário
Natura conclui venda da Avon Internacional por 1 libra, reduz prejuízos e reforça foco estratégico na América Latina em 2026.
O valor da transação chamou atenção: apenas 1 libra esterlina. Apesar de parecer irrisório à primeira vista, o montante reflete o contexto financeiro delicado da Avon Internacional, que vinha gerando perdas expressivas e consumindo o caixa da Natura. Somente no primeiro semestre de 2025, os prejuízos associados à operação internacional da Avon chegaram a R$ 1 bilhão, considerando principalmente os impactos cambiais.
A decisão representa um esforço claro da empresa para conter perdas, simplificar sua estrutura operacional e concentrar investimentos em mercados considerados prioritários, especialmente na América Latina.
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Entenda o que está incluído — e o que ficou fora da venda
Embora o anúncio fale em venda da Avon Internacional, a operação não abrange todas as frentes da marca Avon no mundo. A Natura deixou claro, em documento enviado ao mercado, que alguns ativos estratégicos permaneceram sob seu controle.
Operações excluídas da transação
Ficaram fora do acordo com a Regent:
- O mercado russo da Avon
- A marca Avon na América Latina
- As operações comerciais da Avon em países latino-americanos
- Os direitos econômicos e a propriedade intelectual da marca Avon na região
Com isso, a Natura mantém o controle total da Avon na América Latina, considerada uma região estratégica tanto pelo potencial de crescimento quanto pela sinergia com as demais marcas do grupo, como Natura e The Body Shop (esta última também já passou por reestruturações).
Por que a América Latina é prioridade
A América Latina continua sendo o principal mercado da Natura, tanto em faturamento quanto em presença de marca. A empresa possui uma forte rede de consultoras, alto reconhecimento entre consumidores e uma cadeia logística já consolidada.
Ao preservar a marca Avon na região, a companhia evita a perda de valor de um ativo importante e mantém a possibilidade de integração operacional, compartilhamento de canais e otimização de custos.
Avon Internacional: um ativo que se tornou um passivo
A aquisição da Avon, anunciada em 2019 e concluída em 2020, tinha como objetivo criar um dos maiores grupos de cosméticos do mundo. No entanto, a operação se mostrou mais complexa do que o previsto, especialmente fora da América Latina.
Dificuldades estruturais e cenário adverso
A Avon Internacional enfrentou uma combinação de desafios nos últimos anos:
- Queda nas vendas em mercados maduros
- Pressão inflacionária global
- Desvalorização cambial em diversos países
- Custos elevados de reestruturação
- Dificuldades de integração com o modelo operacional da Natura
Esses fatores acabaram transformando a unidade internacional da Avon em um centro constante de perdas financeiras, comprometendo o desempenho consolidado do grupo.
Impacto direto no caixa da Natura
De acordo com os dados divulgados, apenas no primeiro semestre de 2025 a Natura registrou perdas de R$ 1 bilhão relacionadas à Avon Internacional. Esse cenário acendeu um alerta entre investidores e analistas, reforçando a necessidade de uma solução definitiva.
A venda por valor simbólico, portanto, não representa um prejuízo adicional, mas sim uma forma de estancar perdas futuras e permitir que a empresa volte a focar em rentabilidade.
Linha de crédito de US$ 25 milhões: compromisso mantido
Mesmo após a venda, a Natura reafirmou um compromisso financeiro previamente anunciado em setembro de 2025: a disponibilização de uma linha de crédito garantida à Avon Internacional.
Como funciona essa linha de crédito
Segundo a companhia:
- O valor máximo é de US$ 25 milhões
- O prazo de vencimento é de cinco anos após a primeira utilização
- Os recursos podem ser sacados até 31 de dezembro de 2026
- A liberação depende do cumprimento de condições específicas
Apesar de não ter emprestado recursos à Avon Internacional no quarto trimestre de 2025, a Natura manteve esse compromisso como parte dos termos da transação.
Por que a linha de crédito foi mantida
Especialistas avaliam que a linha de crédito funciona como um mecanismo de transição, permitindo que a nova controladora, a Regent, tenha fôlego financeiro para estabilizar as operações iniciais da Avon Internacional.
Ao mesmo tempo, o modelo garante que a Natura limite sua exposição financeira, já que se trata de um crédito garantido e condicionado.
Regent assume desafio de reestruturação global
A Regent, empresa que adquiriu a Avon Internacional, é conhecida por investir em ativos que passam por processos de reestruturação profunda. O perfil da compradora indica que a estratégia não é crescimento acelerado no curto prazo, mas sim reorganização operacional, redução de custos e reposicionamento de mercado.
Expectativas para a Avon fora da América Latina
Com a nova gestão, a Avon Internacional deve passar por mudanças significativas, que podem incluir:
- Revisão de portfólio de produtos
- Fechamento ou consolidação de mercados deficitários
- Modernização de canais de venda
- Redução de despesas administrativas
Ainda não há detalhes públicos sobre o plano estratégico da Regent, mas o histórico da empresa sugere foco em eficiência e recuperação gradual.
Estratégia da Natura: menos dispersão, mais foco
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A venda da Avon Internacional está alinhada a uma estratégia mais ampla da Natura, que vem sendo implementada nos últimos anos. O objetivo central é reduzir a complexidade do grupo e direcionar recursos para operações com maior potencial de retorno.
Foco no core business
Segundo a própria empresa, a decisão faz parte de um plano para:
- Otimizar operações
- Melhorar a alocação de capital
- Reforçar presença em mercados-chave
- Aumentar a previsibilidade financeira
Ao concentrar esforços na América Latina, a Natura busca fortalecer sua posição competitiva em regiões onde já possui vantagem estrutural.
Reação do mercado
O anúncio foi bem recebido por parte do mercado financeiro, especialmente entre analistas que vinham alertando para o peso excessivo da Avon Internacional nos resultados do grupo. A expectativa é de que a saída dessa operação deficitária contribua para melhorar indicadores como margem operacional e geração de caixa ao longo de 2026.
O que muda para consumidores e consultoras
Para consumidores da América Latina, a venda da Avon Internacional não traz impactos diretos. A marca continua operando normalmente na região, sob controle da Natura, com manutenção de produtos, canais de venda e rede de consultoras.
Já nos mercados internacionais incluídos na venda, mudanças podem ocorrer de forma gradual, dependendo das decisões da nova controladora.
Um marco na trajetória recente da Natura
A conclusão da venda da Avon Internacional simboliza o encerramento de um ciclo iniciado com grandes expectativas, mas marcado por desafios inesperados. Mais do que um simples desinvestimento, a operação reflete uma leitura pragmática do cenário global e uma tentativa de reposicionar o grupo para os próximos anos.
Ao abrir mão de uma operação que drenava recursos e preservar ativos estratégicos, a Natura sinaliza ao mercado que está disposta a tomar decisões difíceis em nome da sustentabilidade financeira e do foco estratégico.
A expectativa agora é que 2026 marque uma fase de maior estabilidade, com resultados mais alinhados ao potencial das marcas que permanecem no portfólio da companhia.
Conclusão
A venda da Avon Internacional para a Regent, formalizada no último dia de 2025, representa um movimento decisivo na estratégia da Natura. Ao negociar os ativos por um valor simbólico e manter apenas compromissos financeiros controlados, a empresa busca interromper um ciclo de perdas e reforçar sua atuação em mercados onde possui maior competitividade.
Com a América Latina preservada como pilar central, a Natura tenta transformar aprendizados recentes em uma base mais sólida para o futuro. O desfecho dessa reestruturação dependerá da execução da estratégia e da capacidade do grupo de recuperar margens e confiança dos investidores ao longo de 2026.
Imagem: rafapress / Shutterstock.com
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