Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Natura encerra capítulo da Avon internacional com crédito milionário

Natura conclui venda da Avon Internacional por 1 libra, reduz prejuízos e reforça foco estratégico na América Latina em 2026.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
natura e avon

A Natura &Co oficializou, no dia 31 de dezembro de 2025, a venda da Avon Internacional para a empresa de investimentos Regent. A operação, comunicada ao mercado nesta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026, marca um dos movimentos mais relevantes do grupo brasileiro nos últimos anos e simboliza uma mudança estratégica profunda na condução dos negócios globais da companhia.

O valor da transação chamou atenção: apenas 1 libra esterlina. Apesar de parecer irrisório à primeira vista, o montante reflete o contexto financeiro delicado da Avon Internacional, que vinha gerando perdas expressivas e consumindo o caixa da Natura. Somente no primeiro semestre de 2025, os prejuízos associados à operação internacional da Avon chegaram a R$ 1 bilhão, considerando principalmente os impactos cambiais.

A decisão representa um esforço claro da empresa para conter perdas, simplificar sua estrutura operacional e concentrar investimentos em mercados considerados prioritários, especialmente na América Latina.

Leia Mais:

Veja por que tantos brasileiros estão desistindo de morar em Portugal

Entenda o que está incluído — e o que ficou fora da venda

Embora o anúncio fale em venda da Avon Internacional, a operação não abrange todas as frentes da marca Avon no mundo. A Natura deixou claro, em documento enviado ao mercado, que alguns ativos estratégicos permaneceram sob seu controle.

Operações excluídas da transação

Ficaram fora do acordo com a Regent:

  • O mercado russo da Avon
  • A marca Avon na América Latina
  • As operações comerciais da Avon em países latino-americanos
  • Os direitos econômicos e a propriedade intelectual da marca Avon na região

Com isso, a Natura mantém o controle total da Avon na América Latina, considerada uma região estratégica tanto pelo potencial de crescimento quanto pela sinergia com as demais marcas do grupo, como Natura e The Body Shop (esta última também já passou por reestruturações).

Por que a América Latina é prioridade

A América Latina continua sendo o principal mercado da Natura, tanto em faturamento quanto em presença de marca. A empresa possui uma forte rede de consultoras, alto reconhecimento entre consumidores e uma cadeia logística já consolidada.

Ao preservar a marca Avon na região, a companhia evita a perda de valor de um ativo importante e mantém a possibilidade de integração operacional, compartilhamento de canais e otimização de custos.

Avon Internacional: um ativo que se tornou um passivo

A aquisição da Avon, anunciada em 2019 e concluída em 2020, tinha como objetivo criar um dos maiores grupos de cosméticos do mundo. No entanto, a operação se mostrou mais complexa do que o previsto, especialmente fora da América Latina.

Dificuldades estruturais e cenário adverso

A Avon Internacional enfrentou uma combinação de desafios nos últimos anos:

  • Queda nas vendas em mercados maduros
  • Pressão inflacionária global
  • Desvalorização cambial em diversos países
  • Custos elevados de reestruturação
  • Dificuldades de integração com o modelo operacional da Natura

Esses fatores acabaram transformando a unidade internacional da Avon em um centro constante de perdas financeiras, comprometendo o desempenho consolidado do grupo.

Impacto direto no caixa da Natura

De acordo com os dados divulgados, apenas no primeiro semestre de 2025 a Natura registrou perdas de R$ 1 bilhão relacionadas à Avon Internacional. Esse cenário acendeu um alerta entre investidores e analistas, reforçando a necessidade de uma solução definitiva.

A venda por valor simbólico, portanto, não representa um prejuízo adicional, mas sim uma forma de estancar perdas futuras e permitir que a empresa volte a focar em rentabilidade.

Linha de crédito de US$ 25 milhões: compromisso mantido

Mesmo após a venda, a Natura reafirmou um compromisso financeiro previamente anunciado em setembro de 2025: a disponibilização de uma linha de crédito garantida à Avon Internacional.

Como funciona essa linha de crédito

Segundo a companhia:

  • O valor máximo é de US$ 25 milhões
  • O prazo de vencimento é de cinco anos após a primeira utilização
  • Os recursos podem ser sacados até 31 de dezembro de 2026
  • A liberação depende do cumprimento de condições específicas

Apesar de não ter emprestado recursos à Avon Internacional no quarto trimestre de 2025, a Natura manteve esse compromisso como parte dos termos da transação.

Por que a linha de crédito foi mantida

Especialistas avaliam que a linha de crédito funciona como um mecanismo de transição, permitindo que a nova controladora, a Regent, tenha fôlego financeiro para estabilizar as operações iniciais da Avon Internacional.

Ao mesmo tempo, o modelo garante que a Natura limite sua exposição financeira, já que se trata de um crédito garantido e condicionado.

Regent assume desafio de reestruturação global

A Regent, empresa que adquiriu a Avon Internacional, é conhecida por investir em ativos que passam por processos de reestruturação profunda. O perfil da compradora indica que a estratégia não é crescimento acelerado no curto prazo, mas sim reorganização operacional, redução de custos e reposicionamento de mercado.

Expectativas para a Avon fora da América Latina

Com a nova gestão, a Avon Internacional deve passar por mudanças significativas, que podem incluir:

  • Revisão de portfólio de produtos
  • Fechamento ou consolidação de mercados deficitários
  • Modernização de canais de venda
  • Redução de despesas administrativas

Ainda não há detalhes públicos sobre o plano estratégico da Regent, mas o histórico da empresa sugere foco em eficiência e recuperação gradual.

Estratégia da Natura: menos dispersão, mais foco

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

A venda da Avon Internacional está alinhada a uma estratégia mais ampla da Natura, que vem sendo implementada nos últimos anos. O objetivo central é reduzir a complexidade do grupo e direcionar recursos para operações com maior potencial de retorno.

Foco no core business

Segundo a própria empresa, a decisão faz parte de um plano para:

  • Otimizar operações
  • Melhorar a alocação de capital
  • Reforçar presença em mercados-chave
  • Aumentar a previsibilidade financeira

Ao concentrar esforços na América Latina, a Natura busca fortalecer sua posição competitiva em regiões onde já possui vantagem estrutural.

Reação do mercado

O anúncio foi bem recebido por parte do mercado financeiro, especialmente entre analistas que vinham alertando para o peso excessivo da Avon Internacional nos resultados do grupo. A expectativa é de que a saída dessa operação deficitária contribua para melhorar indicadores como margem operacional e geração de caixa ao longo de 2026.

O que muda para consumidores e consultoras

Para consumidores da América Latina, a venda da Avon Internacional não traz impactos diretos. A marca continua operando normalmente na região, sob controle da Natura, com manutenção de produtos, canais de venda e rede de consultoras.

Já nos mercados internacionais incluídos na venda, mudanças podem ocorrer de forma gradual, dependendo das decisões da nova controladora.

Um marco na trajetória recente da Natura

A conclusão da venda da Avon Internacional simboliza o encerramento de um ciclo iniciado com grandes expectativas, mas marcado por desafios inesperados. Mais do que um simples desinvestimento, a operação reflete uma leitura pragmática do cenário global e uma tentativa de reposicionar o grupo para os próximos anos.

Ao abrir mão de uma operação que drenava recursos e preservar ativos estratégicos, a Natura sinaliza ao mercado que está disposta a tomar decisões difíceis em nome da sustentabilidade financeira e do foco estratégico.

A expectativa agora é que 2026 marque uma fase de maior estabilidade, com resultados mais alinhados ao potencial das marcas que permanecem no portfólio da companhia.

Conclusão

A venda da Avon Internacional para a Regent, formalizada no último dia de 2025, representa um movimento decisivo na estratégia da Natura. Ao negociar os ativos por um valor simbólico e manter apenas compromissos financeiros controlados, a empresa busca interromper um ciclo de perdas e reforçar sua atuação em mercados onde possui maior competitividade.

Com a América Latina preservada como pilar central, a Natura tenta transformar aprendizados recentes em uma base mais sólida para o futuro. O desfecho dessa reestruturação dependerá da execução da estratégia e da capacidade do grupo de recuperar margens e confiança dos investidores ao longo de 2026.

Imagem: rafapress / Shutterstock.com

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados