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Negociação dos bancários entra na 8ª rodada com cobrança por reajuste salarial

Negociação dos bancários entra em fase decisiva após rejeição da proposta da Fenaban. Entenda as reivindicações e a paralisação de agosto.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··10 min de leitura
bancarios

A negociação dos bancários entrou em uma fase decisiva. Depois de sete rodadas sem a apresentação de um índice de reajuste salarial, trabalhadores de bancos públicos e privados rejeitaram a proposta discutida com a Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban, e aprovaram uma paralisação nacional para 20 de agosto.

Nas assembleias realizadas em todo o país, 97% dos mais de 50 mil participantes votaram contra a proposta patronal. Outros 90% autorizaram a paralisação, segundo o resultado nacional divulgado pelas entidades sindicais.

A oitava rodada de negociação começou em 18 de agosto. Até a atualização mais recente consultada, ainda não havia sido anunciado um acordo. O impasse envolve salário, participação nos lucros, vales alimentação e refeição, pisos de ingresso, condições de trabalho e regras para profissionais de tecnologia.

Para quem trabalha em banco, o resultado pode definir a remuneração e os direitos da categoria. Para os clientes, a mobilização pode afetar o atendimento presencial em parte das agências, embora os efeitos dependam da adesão em cada cidade.

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O que aconteceu na negociação dos bancários?

bancos
Imagem: everything possible/Shutterstock

A Campanha Nacional dos Bancários de 2026 é conduzida pelo Comando Nacional dos Bancários, que representa trabalhadores de diferentes instituições, e pela Fenaban, representante dos bancos.

Na sétima rodada, realizada em 13 de agosto, as partes permaneceram reunidas por quase oito horas. Apesar da duração do encontro, a Fenaban não apresentou um percentual de reajuste salarial, conforme informou a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal.

Os representantes dos bancos discutiram uma proposta de reajustes diferenciados por faixas salariais, dividindo os trabalhadores em três grupos. No entanto, os percentuais e os parâmetros de cada faixa não foram apresentados naquele momento.

Também houve discussão sobre o congelamento do piso de ingresso, isto é, o salário inicial de quem for contratado depois do acordo. A medida criaria uma diferença de remuneração entre funcionários que exercem atividades semelhantes, dependendo da data de admissão.

Diante do impasse, a categoria realizou assembleias e aprovou a intensificação da mobilização. A oitava rodada começou na manhã de 18 de agosto, um dia depois da rejeição nacional da proposta, segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Por que a proposta da Fenaban foi rejeitada?

A principal crítica dos bancários é que as propostas não garantiam uma recomposição clara e uniforme da remuneração. Sem um índice definido, os trabalhadores não conseguiam calcular quanto receberiam nem avaliar se os salários seriam corrigidos acima da inflação.

Reajustes diferentes para trabalhadores da mesma categoria

A ideia de dividir os funcionários em faixas salariais preocupa as entidades porque pode fragmentar a categoria. Na prática, empregados de uma mesma instituição poderiam receber percentuais diferentes de reajuste.

Essa diferenciação também poderia produzir efeitos sobre férias, 13º salário, horas extras, contribuições previdenciárias e benefícios calculados sobre a remuneração.

Congelamento do piso para novos contratados

O piso de ingresso funciona como uma proteção mínima para quem começa a trabalhar no setor. Congelá-lo significa manter o salário inicial sem a mesma atualização aplicada aos demais empregados.

Imagine dois caixas bancários com funções semelhantes. Um foi contratado antes do acordo e teve reajuste; o outro ingressou posteriormente com o piso congelado. Essa diferença pode aumentar ao longo dos anos e abrir espaço para substituições por trabalhadores mais baratos.

Tratamento diferente para os vales no interior

Outro ponto discutido foi a possibilidade de reajustar os vales alimentação e refeição apenas nas capitais ou de aplicar condições distintas no interior. A Fenaban recuou dessa hipótese durante a negociação, mas o tema ampliou a insatisfação.

As entidades argumentam que o custo dos alimentos também aumentou em cidades pequenas e médias. Além disso, muitos municípios do interior possuem aluguel, transporte e serviços com preços próximos aos das regiões metropolitanas.

O que os bancários reivindicam?

A pauta não se limita ao salário mensal. Ela envolve diferentes parcelas que compõem a renda dos trabalhadores e medidas relacionadas ao ambiente de trabalho.

Entre as principais reivindicações estão:

  • reajuste salarial com ganho real, ou seja, correção da inflação mais aumento acima dela;
  • valorização dos pisos de ingresso;
  • reajuste da participação nos lucros e resultados, a PLR;
  • aumento dos vales alimentação e refeição;
  • criação de um piso específico para profissionais de tecnologia;
  • contratação de mais funcionários;
  • combate às metas consideradas abusivas;
  • redução do monitoramento permanente dos empregados;
  • igualdade de oportunidades para mulheres, pessoas negras, indígenas, pessoas com deficiência e integrantes da população LGBTQIA+.

O que significa aumento real?

Aumento real é o reajuste que supera a inflação acumulada. Se a inflação do período for de 5% e o salário subir 5%, há apenas reposição do poder de compra. Caso o reajuste seja de 6%, o ganho real será de aproximadamente 1%.

A diferença é importante porque os bancários defendem que a rentabilidade e o avanço tecnológico do setor permitem repartir parte dos ganhos de produtividade com os trabalhadores.

Por que a PLR também está em discussão?

A participação nos lucros e resultados é uma remuneração adicional vinculada ao desempenho das instituições. Ela não substitui o salário e segue regras previstas na negociação coletiva.

A categoria reivindica que a PLR acompanhe os resultados obtidos pelos bancos e seja distribuída de forma mais equilibrada. Mudanças na fórmula podem aumentar ou reduzir consideravelmente o valor recebido por cada funcionário.

A paralisação de 20 de agosto está confirmada?

A paralisação nacional de 24 horas foi aprovada por 90% dos trabalhadores que participaram das assembleias, conforme o resultado nacional divulgado pelas entidades sindicais.

A aprovação autoriza a mobilização, mas a adesão pode variar entre bancos, cidades e unidades. Os sindicatos locais devem informar quais agências, centros administrativos e áreas de atendimento participarão.

Paralisação é a mesma coisa que greve?

Não necessariamente. A paralisação aprovada para 20 de agosto tem duração anunciada de 24 horas e funciona como uma forma de pressionar os bancos durante a negociação.

Uma greve por tempo indeterminado exigiria nova avaliação da categoria, além do cumprimento dos procedimentos previstos na legislação e nas decisões coletivas. Portanto, a mobilização de um dia não significa automaticamente que todas as agências permanecerão fechadas nos dias seguintes.

Como os clientes dos bancos podem ser afetados?

O impacto dependerá do nível de adesão. Algumas agências podem abrir normalmente, enquanto outras poderão operar com atendimento reduzido ou permanecer fechadas durante parte do dia.

Clientes que possuem compromissos urgentes devem, se possível, antecipar serviços presenciais. Também vale consultar o aplicativo, o internet banking e os canais oficiais do banco antes de sair de casa.

Grande parte das operações pode ser realizada pelos meios digitais, incluindo:

  • pagamentos e transferências;
  • Pix;
  • consulta de saldo e extrato;
  • emissão de comprovantes;
  • renegociação de determinadas dívidas;
  • bloqueio temporário de cartões;
  • contratação ou cancelamento de alguns serviços.

Caixas eletrônicos e correspondentes bancários também podem continuar disponíveis. Contudo, operações que exigem análise humana, apresentação de documentos ou atendimento gerencial poderão levar mais tempo.

A disputa vai além da remuneração

A transformação digital mudou profundamente o trabalho bancário. Muitas operações antes realizadas nas agências migraram para aplicativos, enquanto aumentaram as atividades de tecnologia, análise de dados, segurança cibernética e atendimento remoto.

Ao mesmo tempo, os trabalhadores relatam maior controle de produtividade e cobrança contínua por resultados.

Metas abusivas e assédio por algoritmos

O chamado assédio algorítmico ocorre quando sistemas automatizados acompanham cada etapa do trabalho e transformam os dados em cobranças, rankings ou punições.

Essas ferramentas podem registrar tempo de atendimento, vendas realizadas, pausas, respostas enviadas e cumprimento de metas. O problema não está no uso da tecnologia em si, mas na falta de transparência e na utilização dos indicadores para impor pressão excessiva.

Os sindicatos defendem limites para o monitoramento e participação dos trabalhadores na definição das regras. Também reivindicam medidas de prevenção ao adoecimento mental.

Profissionais de tecnologia pedem piso próprio

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Os bancos passaram a competir diretamente com fintechs e empresas de tecnologia pela contratação de programadores, analistas de dados, especialistas em inteligência artificial e profissionais de segurança digital.

Apesar disso, nem todas as funções tecnológicas possuem um piso específico na convenção coletiva. A criação desse valor mínimo busca impedir que atividades altamente especializadas sejam contratadas com salários inferiores aos praticados pelo mercado.

Como funciona a negociação coletiva dos bancários?

A negociação ocorre em uma mesa nacional entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban. Quando há acordo, as condições são registradas na Convenção Coletiva de Trabalho, conhecida como CCT.

A convenção estabelece direitos válidos para trabalhadores de bancos públicos e privados abrangidos pelo documento. Ela pode definir reajustes, pisos, benefícios, PLR, regras de trabalho e medidas de proteção à saúde.

Empregados do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal também participam de mesas específicas. Nelas são discutidas questões próprias de cada instituição, além dos pontos gerais negociados com a Fenaban.

Enquanto não houver acordo, não existe um novo reajuste automático decorrente da campanha. Por isso, o resultado das rodadas seguintes será decisivo para saber quando e em quais condições a remuneração será atualizada.

O que acontece agora?

Os trabalhadores aguardam uma proposta que apresente percentuais claros e responda às reivindicações econômicas e sociais. Dependendo do resultado da oitava rodada, a paralisação poderá ser mantida, revista ou acompanhada por novas formas de mobilização.

Os bancários devem acompanhar as informações do sindicato responsável por sua base territorial. É esse sindicato que divulgará horários de assembleias, orientações sobre a paralisação e resultados das negociações.

Já os clientes podem monitorar os canais de atendimento de seus bancos, principalmente se tiverem serviços presenciais agendados para 20 de agosto.

O ponto central do impasse é simples: os trabalhadores querem uma proposta capaz de recompor o poder de compra, valorizar os pisos e estabelecer limites para as novas formas de controle no ambiente bancário. Até que esses pontos avancem, a campanha tende a permanecer sob forte pressão.

Perguntas frequentes

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Imagem: Reprodução

A Fenaban já apresentou um índice de reajuste salarial?

Até a atualização mais recente consultada, não havia sido divulgado um índice definitivo. Na sétima rodada, foram discutidos reajustes por faixas, mas sem percentuais detalhados.

Quando será a paralisação dos bancários?

A paralisação nacional foi aprovada para 20 de agosto de 2026, com duração anunciada de 24 horas. A adesão pode variar conforme a cidade e a instituição.

Todos os bancos ficarão fechados?

Não é possível afirmar que todas as unidades serão fechadas. O funcionamento dependerá da adesão dos trabalhadores e das orientações dos sindicatos locais.

A paralisação já é uma greve por tempo indeterminado?

Não. A mobilização aprovada tem duração de um dia. Uma greve por prazo indeterminado dependeria de novas deliberações da categoria.

O que é a Fenaban?

A Fenaban é a Federação Nacional dos Bancos. Ela representa as instituições bancárias nas negociações coletivas nacionais com os trabalhadores.

O que é ganho real no salário?

É o aumento acima da inflação. Ele não apenas repõe a perda do poder de compra, mas acrescenta uma valorização efetiva ao salário.

Os clientes podem usar Pix e aplicativos durante a paralisação?

Em princípio, os serviços digitais continuam funcionando. Instabilidades técnicas podem ocorrer independentemente da mobilização, por isso o cliente deve consultar os canais oficiais do banco.

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