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Nestlé aposta em florestas para gerar 1,5 milhão de créditos de carbono

Avatar de Ellen D'Alessandro Ellen D'Alessandro · · 5 min de leitura
Imagem de um celular com a foto da Nestlé

A Nestlé anunciou uma nova fase de seu compromisso global com a sustentabilidade por meio de dois projetos robustos de restauração florestal no Brasil.

A iniciativa tem como meta a remoção de até 1,5 milhão de toneladas de carbono da atmosfera em 30 anos, com a geração de créditos certificados de carbono, essenciais para que a companhia atinja a neutralidade até 2050.

Os projetos serão desenvolvidos nos estados da Bahia e Pará, por meio de parcerias com a greentech re.green e a gigante do cacau Barry Callebaut, e incluem o plantio de 11 milhões de árvores em 8 mil hectares, combinando técnicas de reflorestamento nativo e sistemas agroflorestais. Trata-se de uma estratégia alinhada à meta da Nestlé de plantar 200 milhões de árvores até 2030.

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Nestlé vendas
Imagem: Divulgação / Nestlé

Foco em café, cacau e leite

O Brasil foi escolhido como país estratégico para esses projetos devido à sua importância nas cadeias de fornecimento da multinacional. Ingredientes como café, cacau e leite representam mais de 70% da pegada de carbono da Nestlé.

Além da relevância econômica, o país oferece condições ideais de clima e biodiversidade para ações de reflorestamento com impacto escalável.

“São dois projetos complementares. Tanto a floresta nativa quanto a agrofloresta cumprirão papéis importantes, dando escala aos benefícios ambientais e sociais”, explica Barbara Sapunar, diretora de Business Transformation e ESG da Nestlé Brasil.

Projeto 1: Restauração ecológica com a re.green no sul da Bahia

Plantio de 3,3 milhões de árvores da Mata Atlântica

A parceria com a re.green, no sul da Bahia, foca na restauração ecológica de áreas nativas da Mata Atlântica. O projeto prevê o plantio de 3,3 milhões de árvores em mais de 2 mil hectares, com potencial para gerar 880 mil créditos de carbono certificados nos próximos 30 anos.

Monitoramento de longo prazo e impacto social

A re.green será responsável pela restauração, manutenção e monitoramento das áreas por até 50 anos. O projeto utilizará drones, sensores acústicos e auditorias regulares para garantir a eficácia da recuperação ambiental.

A iniciativa deve gerar 160 empregos diretos e estimular a cadeia de coletores de sementes e serviços ambientais locais.

Projeto 2: Agroflorestas e cacau com Barry Callebaut na Bahia e no Pará

Reflorestamento e produção sustentável

O segundo projeto será desenvolvido em parceria com a Barry Callebaut, focando em sistemas agroflorestais integrados ao cultivo de cacau.

A ação abrange 6 mil hectares nos estados da Bahia e Pará, com o plantio de 7,7 milhões de mudas. O potencial de remoção estimado é de 600 mil toneladas de CO2 equivalente em 25 anos.

Recuperação de áreas degradadas e incentivo a pequenos produtores

A proposta visa transformar pastagens degradadas e áreas subutilizadas em sistemas produtivos sustentáveis. O modelo promove a expansão da cacauicultura brasileira, reduzindo a dependência da importação (que representa de 20% a 30% do consumo nacional).

Serão criados 27 empregos diretos, com o engajamento de mais de mil produtores locais, beneficiados com incentivos financeiros por serviços ambientais, insumos e assistência técnica.

Duas formas de remuneração aos agricultores:

  • Pagamentos anuais conforme a captura de carbono.
  • Cashback por muda bem-sucedida, atrelado à taxa de sobrevivência das plantas.

Benefícios ambientais e sociais amplos

Redução de emissões e conservação da biodiversidade

Ambos os projetos têm como foco principal a redução de emissões de gases de efeito estufa. A Nestlé reforça seu compromisso com o Acordo de Paris e as metas de carbono zero até 2050, contribuindo também com a preservação da biodiversidade brasileira.

Desenvolvimento regional e geração de renda

Além dos ganhos ambientais, as ações impactam positivamente a economia local, com a criação de empregos, incentivo à agricultura sustentável e capacitação de comunidades.

A inclusão de sistemas agroflorestais amplia a resiliência econômica de pequenos produtores, promovendo segurança alimentar e inclusão social.

Investimentos e estrutura financeira

Aportes estratégicos e parcerias

Os valores dos investimentos não foram revelados. No entanto, sabe-se que:

  • O projeto com a re.green será 100% financiado pela Nestlé.
  • O projeto com a Barry Callebaut será dividido: 60% da Nestlé e 40% da parceira.

Ambos os aportes seguem a lógica de longo prazo, com retorno tanto ambiental quanto socioeconômico, além de permitir a monetização por meio da venda de créditos de carbono no mercado internacional.

Criação de valor e ESG como pilar de negócios

A Nestlé posiciona a sustentabilidade como parte central de sua estratégia de negócios, e os projetos no Brasil representam uma vitrine global. As ações conectam os três pilares do ESG (ambiental, social e governança), fortalecendo a imagem da empresa junto a consumidores, investidores e governos.

Perspectivas para o futuro

Lupa em site com logo da Nestlé em evidência
Imagem: Marko Aliaksandr / Shutterstock.com

Potencial de expansão e replicabilidade

Com os aprendizados e resultados dos projetos atuais, há espaço para expansão para outras regiões brasileiras e até replicação do modelo em outros países da América Latina. A expectativa é que o Brasil continue sendo a plataforma de reflorestamento prioritária da Nestlé nos próximos anos.

Alinhamento com metas globais

As ações reforçam o objetivo da empresa de:

  • Plantar 200 milhões de árvores até 2030;
  • Reduzir 50% das emissões líquidas até 2030;
  • Atingir a neutralidade de carbono até 2050.

Conclusão

A iniciativa da Nestlé no Brasil vai além de uma ação ambiental simbólica. Trata-se de uma estratégia estruturada, com base científica, tecnológica e social, que visa resultados de longo prazo.

O reflorestamento se torna, assim, uma ferramenta de mitigação climática e desenvolvimento local, mostrando que é possível conciliar responsabilidade ambiental com geração de valor econômico.

Imagem: rafapress / shutterstock.com

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