Familiares exigem responsabilidade social da Netflix
Outro ponto da polêmica está no fato da dramatização da série misturar realidade com ficção, como na cena em que diversos corpos são dispostos em um ginásio para reconhecimento dos familiares.
De acordo com a advogada, “muitos pais não tiveram estrutura para entrar no ginásio com todos aqueles corpos e reconhecer os filhos, muitos nunca tiveram estrutura até hoje para ver as imagens dos corpos e essa cena é passada no trailer da série”.
Juliane conta que vários familiares voltaram a ter crises de pânico e ansiedade ao assistirem a chamada na televisão. Além disso, a tênue linha entre a ficção e a realidade, presente na série, soa para os envolvidos como uma busca de monetização da tragédia por parte da Netflix.
Incêndio da Boate Kiss ainda aguarda uma resposta da justiça brasileira
Após 10 anos do incêndio que vitimou 242 pessoas e deixou 636 feridos na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, diversos familiares ainda aguardam um parecer definitivo da justiça sobre o que ocorreu e os culpados da tragédia.
As pessoas representadas pela advogada Juliane reivindicam também que parte do lucro com a série seja destinada à construção de um memorial para as vítimas.
Por sua vez, a possível ação não tem relação com todos os envolvidos, já que outro grupo de familiares divulgou uma nota sob o nome da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de SM (AVTSM). A Netflix ainda não se posicionou sobre a polêmica.
Imagem: Elliott Cowand Jr / Shutterstock.com