Entrou em vigor nesta sexta-feira (1º) a nova composição da gasolina brasileira, que agora deve conter 30% de etanol anidro, conforme estabelece a Lei do Combustível do Futuro. A mudança marca um avanço na estratégia nacional de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, estimular a indústria do etanol e diminuir o impacto ambiental do setor de transportes.
Nova regra entra em vigor e eleva teor de etanol na gasolina
Nova mistura com 30% de etanol entra em vigor e reduz dependência de gasolina importada no Brasil. Saiba mais sobre a medida.
Com a adoção do chamado E30, o consumo de gasolina A deve ser reduzido em até 1,36 bilhão de litros por ano. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a expectativa é que o Brasil deixe de importar cerca de 760 milhões de litros e passe a gerar um excedente exportável de até 565 milhões de litros por ano.
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Importações já começaram a cair

Dados da consultoria Argus, com base em estimativas de importadores, apontam que as compras externas de gasolina podem cair até 125 mil metros cúbicos por mês. No primeiro semestre de 2025, o país importou aproximadamente 1,04 milhão de metros cúbicos, um recuo de 12% em relação ao mesmo período de 2024, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
“Em agosto já devemos observar uma diminuição dos volumes, pois importadores se afastaram das negociações ao longo de julho. Além da menor necessidade, a atual janela de arbitragem também está pouco favorável para a importação”, explicou Gabrielle Moreira, especialista em combustíveis da Argus.
Governo aposta em benefícios econômicos e ambientais
O Ministério de Minas e Energia destacou que a nova regra substitui parte da gasolina fóssil por etanol anidro, o que, além de reduzir importações, deve baixar o preço ao consumidor final e ajudar no controle da inflação.
“Além de reduzir a dependência do Brasil em relação à gasolina importada, a medida deve baixar o preço da gasolina para o consumidor e gerar impactos positivos sobre a inflação. Também estimula o consumo de etanol, reduz as emissões do setor de transporte e amplia investimentos na cadeia produtiva da cana-de-açúcar e do etanol”, declarou o MME em nota oficial.
Testes técnicos garantiram segurança
A mistura com 30% de etanol só foi autorizada após testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, coordenados pelo próprio MME. Os estudos comprovaram a viabilidade técnica da nova composição, tanto para veículos quanto para motocicletas movidos exclusivamente a gasolina.
Reação do setor automotivo
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) participou do grupo de trabalho responsável por acompanhar os testes. Segundo Gilberto Martins, diretor de Assuntos Regulatórios da entidade, os resultados foram positivos e não indicaram impactos negativos na durabilidade ou desempenho dos motores, desde que o combustível respeite os padrões técnicos.
“A adoção do E30 é considerada uma medida relevante no processo de transição energética. O etanol já é uma solução consolidada no Brasil, com reconhecidos benefícios ambientais, especialmente na redução das emissões de CO₂ ao longo de seu ciclo produtivo”, afirmou Martins.
Ele também destacou que o país já conta com infraestrutura de abastecimento adequada e com a tecnologia flex, que oferece flexibilidade no uso de etanol ou gasolina.
Setor de bioenergia está preparado
Segundo Hugo Cagno Filho, presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP), o setor está pronto para suprir a demanda adicional de etanol anidro gerada pela nova regra.
“O setor vem se preparando desde 2024. Grande parte da demanda por etanol anidro, decorrente do aumento na mistura, será suprida pela pujante indústria do etanol de milho, cuja produção cresce ano após ano. Além disso, as próprias usinas de etanol de cana-de-açúcar têm margem para ampliar a produção de anidro sem necessidade de expandir os canaviais, bastando ajustar o mix de produção açúcar x etanol e hidratado x anidro”, afirmou.
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Cautela com novos investimentos

Apesar do otimismo com a implementação do E30, a UDOP acredita que ainda é cedo para prever novos investimentos no setor de etanol. Segundo a entidade, a produção atual é suficiente para atender o aumento previsto de 800 a 900 milhões de litros nesta safra.
No entanto, a transição pode provocar volatilidade nos preços, especialmente no curto prazo. Gabrielle Moreira, da Argus, alerta que a maior demanda por etanol anidro poderá elevar os preços do etanol hidratado.
“Isso acontece em uma safra de cana-de-açúcar atrasada, marcada por uma menor quantidade de cana bisada e chuvas que atrapalharam a moagem entre abril e maio”, explicou a especialista.
Unica também confirma capacidade instalada
De acordo com Luciano Rodrigues, diretor de inteligência setorial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o setor sucroenergético está preparado para atender à nova demanda.
“A expectativa é de um consumo extra de cerca de 1,5 bilhão de litros por ano — volume que o setor já tem capacidade instalada para produzir”, garantiu. Ele acrescenta que a expansão do etanol de milho seria suficiente para suprir esse aumento, além de considerar as novas unidades em construção e futuras ampliações.
Com informações de: EXTRA
