Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Por que deputados podem derrubar a nova regra sobre trabalho nos feriados

Nova regra permite trabalho em feriados sem negociação sindical, mas deputados articulam projeto para derrubar a medida.

Julia FernandesPor Julia Fernandes5 min de leitura
Feriados

O trabalho em feriados nacionais voltou ao centro das discussões políticas e trabalhistas no Brasil. A nova norma, publicada pelo governo federal no início de junho de 2025, permite que diversos setores da economia adotem jornadas de trabalho em dias de feriado sem a necessidade de negociação prévia com sindicatos. A decisão gerou reação imediata na Câmara dos Deputados, onde tramita um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) com objetivo de derrubar a medida.

O que mudou com a nova regra sobre trabalho em feriados

Publicação da portaria

A nova regulamentação foi estabelecida por meio de uma portaria do Ministério do Trabalho e Emprego. Ela flexibilizou as regras para o funcionamento de setores como comércio, turismo, transporte e serviços essenciais durante os feriados.

Fim da exigência de negociação prévia

Um dos principais pontos da portaria é a revogação da necessidade de negociação coletiva para o trabalho nesses dias. Antes da nova norma, muitas categorias dependiam de acordos com sindicatos para garantir jornadas em feriados, conforme determinava a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Leia mais:

Governo prorroga para março de 2026 restrição ao trabalho em feriados no comércio

Justificativa do governo federal

Segundo o governo, a mudança visa estimular a economia e aumentar a geração de empregos. A expectativa é que a flexibilização permita o funcionamento de mais estabelecimentos comerciais, principalmente em datas comemorativas e feriados prolongados.

Por que há resistência à nova regra

Reação das centrais sindicais

Diversas centrais sindicais classificaram a portaria como um retrocesso nos direitos trabalhistas. As entidades argumentam que a nova regra enfraquece o poder de negociação dos trabalhadores e pode resultar em jornadas abusivas.

Críticas de parlamentares

Deputados de diferentes partidos também se posicionaram contra a medida. O argumento central é que o governo alterou regras consolidadas sem passar pelo Congresso Nacional, utilizando apenas instrumentos administrativos.

Projeto de Decreto Legislativo (PDL)

Em resposta, um grupo de parlamentares protocolou o PDL que busca sustar os efeitos da nova portaria. A proposta ainda precisa ser analisada pelas comissões temáticas da Câmara antes de ser votada em plenário.

Como o trabalho em feriados era regulado antes da mudança

Antes da nova regra, a CLT estabelecia que o trabalho em feriados só era permitido mediante convenção coletiva ou acordo com o sindicato da categoria. Essa exigência garantia que os trabalhadores tivessem benefícios compensatórios, como pagamento em dobro ou folgas adicionais.

Exemplos de categorias afetadas

  • Comércio varejista
  • Transporte coletivo
  • Hotelaria e turismo
  • Setor de saúde
  • Serviços essenciais

Para essas categorias, a negociação prévia era vista como proteção contra abusos.

Possíveis impactos para os trabalhadores

Feriados
Imagem: Freepik

Redução da proteção sindical

Sem a exigência de negociação, trabalhadores podem ficar mais expostos a escalas obrigatórias em feriados, sem garantia de compensações adequadas.

Aumento da carga de trabalho

Especialistas em direito do trabalho alertam que a nova regra pode aumentar a sobrecarga, principalmente em setores que já operam com equipes reduzidas.

Dúvidas sobre o pagamento de adicionais

Há incertezas sobre como será feita a remuneração pelas horas trabalhadas em feriados sem a intermediação sindical. Advogados apontam o risco de judicialização de casos individuais.

Argumentos a favor da flexibilização

Estímulo à economia

Para o governo e entidades representativas do setor empresarial, a nova norma traz benefícios econômicos, permitindo o aumento das vendas em datas comemorativas e atraindo mais turistas para as cidades.

Autonomia empresarial

Defensores da portaria afirmam que a flexibilização moderniza as relações de trabalho, dando mais liberdade para empregadores e trabalhadores ajustarem jornadas de forma direta.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Redução da burocracia

Outro argumento é a simplificação dos trâmites para liberação de atividades em feriados, reduzindo a burocracia para empresários, especialmente pequenos comerciantes.

Próximos passos na Câmara dos Deputados

O Projeto de Decreto Legislativo ainda precisa seguir trâmites formais na Câmara:

  1. Análise nas comissões de Trabalho e Constituição e Justiça
  2. Pareceres técnicos sobre a legalidade da portaria
  3. Votação no plenário da Câmara
  4. Caso aprovado, o PDL segue para apreciação no Senado Federal

Se aprovado nas duas casas legislativas, o decreto pode anular os efeitos da portaria do Ministério do Trabalho.

O que diz a Constituição sobre jornada em feriados

A Constituição Federal garante o direito ao descanso semanal e a condições dignas de trabalho, mas permite que a legislação infraconstitucional regule casos específicos de exceção, como o trabalho em feriados, desde que respeitados os direitos fundamentais do trabalhador.

Especialistas em direito constitucional afirmam que a portaria pode ser questionada por afrontar o princípio da negociação coletiva previsto na própria Constituição.

O posicionamento de entidades empresariais

Associações como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) manifestaram apoio à medida, alegando que ela pode ajudar a recuperar setores ainda afetados pelas crises econômicas recentes.

Segundo representantes empresariais, a abertura de estabelecimentos em feriados é uma demanda antiga e traz benefícios para o consumidor e para o mercado de trabalho.

O que pode acontecer se a regra for derrubada

Se o PDL for aprovado, a regra voltará ao formato anterior, exigindo negociação coletiva para o trabalho em feriados. Empresas que não se adequarem à legislação podem sofrer sanções trabalhistas.

Além disso, contratos estabelecidos com base na nova portaria podem ser judicialmente questionados, gerando insegurança jurídica para empregadores e empregados.

Conclusão

A nova regra que flexibiliza o trabalho em feriados no Brasil abriu uma disputa entre governo federal, sindicatos, empresários e parlamentares. A decisão sobre a manutenção ou revogação da medida agora depende do andamento do Projeto de Decreto Legislativo na Câmara dos Deputados e no Senado. Enquanto isso, trabalhadores e empregadores aguardam a definição de um tema que afeta diretamente a rotina e os direitos trabalhistas de milhões de brasileiros.

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

Topicos relacionados