Por que deputados podem derrubar a nova regra sobre trabalho nos feriados
O trabalho em feriados nacionais voltou ao centro das discussões políticas e trabalhistas no Brasil. A nova norma, publicada pelo governo federal no início de junho de 2025, permite que diversos setores da economia adotem jornadas de trabalho em dias de feriado sem a necessidade de negociação prévia com sindicatos. A decisão gerou reação imediata na Câmara dos Deputados, onde tramita um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) com objetivo de derrubar a medida.
📌 DESTAQUES:
Nova regra permite trabalho em feriados sem negociação sindical, mas deputados articulam projeto para derrubar a medida.
O que mudou com a nova regra sobre trabalho em feriados
Publicação da portaria
A nova regulamentação foi estabelecida por meio de uma portaria do Ministério do Trabalho e Emprego. Ela flexibilizou as regras para o funcionamento de setores como comércio, turismo, transporte e serviços essenciais durante os feriados.
Fim da exigência de negociação prévia
Um dos principais pontos da portaria é a revogação da necessidade de negociação coletiva para o trabalho nesses dias. Antes da nova norma, muitas categorias dependiam de acordos com sindicatos para garantir jornadas em feriados, conforme determinava a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
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Justificativa do governo federal
Segundo o governo, a mudança visa estimular a economia e aumentar a geração de empregos. A expectativa é que a flexibilização permita o funcionamento de mais estabelecimentos comerciais, principalmente em datas comemorativas e feriados prolongados.
Por que há resistência à nova regra
Reação das centrais sindicais
Diversas centrais sindicais classificaram a portaria como um retrocesso nos direitos trabalhistas. As entidades argumentam que a nova regra enfraquece o poder de negociação dos trabalhadores e pode resultar em jornadas abusivas.
Críticas de parlamentares
Deputados de diferentes partidos também se posicionaram contra a medida. O argumento central é que o governo alterou regras consolidadas sem passar pelo Congresso Nacional, utilizando apenas instrumentos administrativos.
Projeto de Decreto Legislativo (PDL)
Em resposta, um grupo de parlamentares protocolou o PDL que busca sustar os efeitos da nova portaria. A proposta ainda precisa ser analisada pelas comissões temáticas da Câmara antes de ser votada em plenário.
Como o trabalho em feriados era regulado antes da mudança
Antes da nova regra, a CLT estabelecia que o trabalho em feriados só era permitido mediante convenção coletiva ou acordo com o sindicato da categoria. Essa exigência garantia que os trabalhadores tivessem benefícios compensatórios, como pagamento em dobro ou folgas adicionais.
Exemplos de categorias afetadas
- Comércio varejista
- Transporte coletivo
- Hotelaria e turismo
- Setor de saúde
- Serviços essenciais
Para essas categorias, a negociação prévia era vista como proteção contra abusos.
Possíveis impactos para os trabalhadores
Redução da proteção sindical
Sem a exigência de negociação, trabalhadores podem ficar mais expostos a escalas obrigatórias em feriados, sem garantia de compensações adequadas.
Aumento da carga de trabalho
Especialistas em direito do trabalho alertam que a nova regra pode aumentar a sobrecarga, principalmente em setores que já operam com equipes reduzidas.
Dúvidas sobre o pagamento de adicionais
Há incertezas sobre como será feita a remuneração pelas horas trabalhadas em feriados sem a intermediação sindical. Advogados apontam o risco de judicialização de casos individuais.
Argumentos a favor da flexibilização
Estímulo à economia
Para o governo e entidades representativas do setor empresarial, a nova norma traz benefícios econômicos, permitindo o aumento das vendas em datas comemorativas e atraindo mais turistas para as cidades.
Autonomia empresarial
Defensores da portaria afirmam que a flexibilização moderniza as relações de trabalho, dando mais liberdade para empregadores e trabalhadores ajustarem jornadas de forma direta.
Redução da burocracia
Outro argumento é a simplificação dos trâmites para liberação de atividades em feriados, reduzindo a burocracia para empresários, especialmente pequenos comerciantes.
Próximos passos na Câmara dos Deputados
O Projeto de Decreto Legislativo ainda precisa seguir trâmites formais na Câmara:
- Análise nas comissões de Trabalho e Constituição e Justiça
- Pareceres técnicos sobre a legalidade da portaria
- Votação no plenário da Câmara
- Caso aprovado, o PDL segue para apreciação no Senado Federal
Se aprovado nas duas casas legislativas, o decreto pode anular os efeitos da portaria do Ministério do Trabalho.
O que diz a Constituição sobre jornada em feriados
A Constituição Federal garante o direito ao descanso semanal e a condições dignas de trabalho, mas permite que a legislação infraconstitucional regule casos específicos de exceção, como o trabalho em feriados, desde que respeitados os direitos fundamentais do trabalhador.
Especialistas em direito constitucional afirmam que a portaria pode ser questionada por afrontar o princípio da negociação coletiva previsto na própria Constituição.
O posicionamento de entidades empresariais
Associações como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) manifestaram apoio à medida, alegando que ela pode ajudar a recuperar setores ainda afetados pelas crises econômicas recentes.
Segundo representantes empresariais, a abertura de estabelecimentos em feriados é uma demanda antiga e traz benefícios para o consumidor e para o mercado de trabalho.
O que pode acontecer se a regra for derrubada
Se o PDL for aprovado, a regra voltará ao formato anterior, exigindo negociação coletiva para o trabalho em feriados. Empresas que não se adequarem à legislação podem sofrer sanções trabalhistas.
Além disso, contratos estabelecidos com base na nova portaria podem ser judicialmente questionados, gerando insegurança jurídica para empregadores e empregados.
Conclusão
A nova regra que flexibiliza o trabalho em feriados no Brasil abriu uma disputa entre governo federal, sindicatos, empresários e parlamentares. A decisão sobre a manutenção ou revogação da medida agora depende do andamento do Projeto de Decreto Legislativo na Câmara dos Deputados e no Senado. Enquanto isso, trabalhadores e empregadores aguardam a definição de um tema que afeta diretamente a rotina e os direitos trabalhistas de milhões de brasileiros.
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