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Novo crédito imobiliário pode liberar R$ 20 bilhões na economia brasileira

Governo Lula lança novo crédito imobiliário com recursos da poupança, podendo injetar até R$ 37,5 bi na economia até 2026.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
caixa financiamento

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma das medidas econômicas mais ambiciosas do ano: um novo modelo de crédito imobiliário utilizando recursos da caderneta de poupança, que poderá movimentar até R$ 37,5 bilhões na economia até o final de 2026.

A estratégia, articulada entre o Banco Central, o Ministério das Cidades, o Ministério da Fazenda e a Caixa Econômica Federal, visa destravar recursos atualmente retidos como depósito compulsório e impulsionar a concessão de financiamentos para a casa própria.

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Imagem: Reprodução / Shutterstock

Entenda o novo modelo de crédito com a poupança

Atualmente, o direcionamento obrigatório dos recursos captados pelas cadernetas de poupança é o seguinte:

  • 65% para crédito imobiliário (habitação);
  • 20% ficam retidos como compulsório no Banco Central;
  • 15% são de uso livre pelos bancos.

O novo modelo prevê uma alteração na lógica de liberação desses recursos. A cada R$ 1 concedido em financiamento habitacional, o banco poderá acessar R$ 1 em recursos da poupança para uso livre por um período de cinco anos.

Após esse prazo, para renovar esse direito, o banco precisará conceder novo financiamento habitacional, criando um ciclo contínuo de estímulo ao setor.

Teste começa imediatamente

A decisão de iniciar os testes de forma imediata foi tomada de última hora pelo Palácio do Planalto, em uma tentativa de acelerar os efeitos econômicos da medida antes das eleições municipais de 2026.

Durante o período de testes, 5 pontos percentuais do compulsório poderão ser usados na nova sistemática, reduzindo o recolhimento compulsório de 20% para 15% para bancos que aderirem ao programa.

Potencial de injeção bilionária na economia

Com essa flexibilização, estima-se que até R$ 37,5 bilhões em recursos possam ser liberados para circulação via crédito bancário.

Desse montante, 80% deverá ser obrigatoriamente destinado ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que financia imóveis de até R$ 1,5 milhão com juros limitados a 12% ao ano + TR.
Os outros 20% poderão ser aplicados via Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que não tem limite de taxa de juros e atende a imóveis de valor superior.

Caixa deve liderar adesão ao novo modelo

A Caixa Econômica Federal, responsável por mais de 70% das concessões de crédito imobiliário no país, deve ser a principal operadora do novo modelo. Interlocutores afirmam que o banco público já aplicou todo o volume disponível do direcionamento obrigatório atual, e a nova medida abre espaço para expansão imediata da carteira de crédito.

Além disso, a Caixa tem pressa em atender à crescente demanda do Minha Casa Minha Vida, relançado em 2023, e que tem enfrentado restrições orçamentárias.

Contradição com política monetária do Banco Central

Banco Central bc
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A medida, embora benéfica para o setor da construção civil e o mercado de trabalho, vai na contramão dos esforços do Banco Central para controlar a inflação.

A taxa Selic permanece em 15% ao ano, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem sido pressionado por setores do governo a iniciar um ciclo de cortes. A nova injeção de liquidez pode aumentar o consumo e aquecer a economia, dificultando ainda mais o controle inflacionário.

No entanto, a equipe econômica aposta que os efeitos positivos sobre a geração de empregos e sobre o PIB compensam o risco inflacionário.

Como o novo modelo pode afetar o mercado imobiliário

O mercado imobiliário é altamente sensível às condições de crédito. Com a nova sistemática:

  • Bancos terão mais incentivo para conceder financiamentos habitacionais;
  • A concorrência pode reduzir os juros para o consumidor final;
  • O setor da construção civil tende a acelerar lançamentos e contratações;
  • Pode haver aumento na demanda por imóveis de médio e alto padrão, especialmente via SFI.

Impacto na Bolsa de Valores

A expectativa é que ações de empresas ligadas ao setor imobiliário e à construção civil sejam impulsionadas com a medida. Papéis de companhias como:

  • MRV (MRVE3),
  • Cyrela (CYRE3),
  • EzTec (EZTC3),
  • Direcional (DIRR3),

podem se beneficiar da perspectiva de aumento de vendas, redução de estoque e retomada de lançamentos.

Aprovação depende do CMN e do BC

Para entrar em vigor, a proposta precisa apenas de duas medidas administrativas:

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  1. Aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) — que já convocou uma reunião extraordinária para esta semana;
  2. Publicação de resolução do Banco Central, o que deve ocorrer imediatamente após o aval do CMN.

Os técnicos do BC já trabalham na redação da nova norma para que os efeitos comecem ainda neste ano fiscal.

O que dizem os especialistas

Economia real

Segundo Fernanda Consorte, economista-chefe da Recipar Investimentos:

“É uma medida cirúrgica. Libera recursos travados, estimula a habitação e não depende de subsídio direto do Tesouro. Vai dar fôlego a um setor que tem peso relevante no PIB.”

Mercado financeiro

Para André Perfeito, analista da Necton:

“Existe um risco inflacionário implícito, mas a sinalização é clara: o governo quer crescimento, ainda que à custa de um pouco mais de pressão de preços no curto prazo.”

Bancos

Fontes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sinalizam apoio cauteloso. As instituições privadas aguardam detalhes da regulamentação, mas consideram positivo o estímulo ao crédito com contrapartidas claras.

Simulações mostram salto de até R$ 200 bilhões no crédito

Mercado imobiliário em 2025
Imagem: Reprodução / wirestock

Com o modelo plenamente operacional até 2027, o governo estima que a exigibilidade de aplicação dos bancos em crédito imobiliário pode saltar de R$ 90 bilhões para R$ 200 bilhões em dois anos, um crescimento de 122%.

Esse cenário pressupõe adoção massiva do modelo por bancos públicos e privados, em especial em segmentos de financiamento de imóveis populares e de médio padrão.

Imagem: Andrey_Popov / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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