Uma proposta em tramitação no Congresso Nacional pode provocar uma das maiores mudanças recentes no regime tributário voltado aos pequenos negócios brasileiros. O Projeto de Lei Complementar (PLP) 140/2026 prevê a ampliação dos limites de faturamento do Simples Nacional, permitindo que empresas com receitas significativamente maiores continuem enquadradas no sistema simplificado de recolhimento de tributos.
Simples Nacional de R$ 12 milhões ampliaria alcance para PMEs
Projeto prevê elevar o teto do Simples Nacional para R$ 12 milhões e pode beneficiar empresas em expansão em diversos setores.
A medida surge em um momento em que muitos empreendedores enfrentam um desafio comum: crescer sem sofrer um aumento abrupto da carga burocrática e das exigências fiscais. Atualmente, diversas empresas que expandem suas operações acabam obrigadas a migrar para regimes tributários mais complexos ao ultrapassar os limites estabelecidos pela legislação.
Caso o projeto seja aprovado, milhares de negócios poderão ganhar mais tempo para consolidar sua expansão sem enfrentar mudanças imediatas em sua estrutura tributária.
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O que é o Simples Nacional

Criado para simplificar a arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais, o Simples Nacional é um dos regimes tributários mais utilizados pelas micro e pequenas empresas brasileiras.
Por meio dele, diferentes impostos são recolhidos em uma única guia, reduzindo a burocracia e facilitando a gestão financeira dos empreendedores.
O modelo é administrado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional e atende milhões de empresas em todo o país, sendo considerado um importante instrumento de estímulo ao empreendedorismo.
O que muda com o PLP 140/2026
A principal alteração prevista no projeto está relacionada aos limites de faturamento permitidos para permanência no regime.
Atualmente, as regras estabelecem:
- Microempresa (ME): faturamento anual de até R$ 360 mil;
- Empresa de Pequeno Porte (EPP): faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Pela proposta em discussão, os limites passariam para:
- Microempresa: até R$ 1,2 milhão por ano;
- Empresa de Pequeno Porte: até R$ 12 milhões por ano.
Na prática, isso representa uma ampliação expressiva da capacidade de permanência das empresas dentro do sistema simplificado.
Regra de transição pode reduzir impactos do crescimento
Um dos pontos mais relevantes do projeto é a criação de uma faixa de transição para empresas que ultrapassarem os limites atuais.
A proposta prevê que negócios enquadrados na nova faixa ampliada possam permanecer no Simples Nacional por até cinco anos consecutivos antes da necessidade de migração para outro regime tributário.
Essa medida busca reduzir o chamado “efeito salto tributário”, situação em que uma empresa cresce e, ao ultrapassar determinado limite de faturamento, passa a enfrentar obrigações fiscais muito mais complexas.
Para muitos empresários, essa transição gradual pode representar maior previsibilidade financeira e administrativa.
Por que muitas empresas defendem a ampliação do teto
Nos últimos anos, diversos segmentos econômicos registraram crescimento acelerado impulsionado pela digitalização dos negócios, expansão do comércio eletrônico e aumento da prestação de serviços especializados.
Entretanto, o limite atual do Simples Nacional passou a ser visto por parte do mercado como um obstáculo para empresas em fase de expansão.
Em muitos casos, o faturamento cresce rapidamente, mas a estrutura operacional permanece semelhante à de uma pequena empresa.
Isso significa que o negócio pode ultrapassar o teto do regime sem necessariamente possuir porte ou capacidade financeira compatíveis com as exigências dos regimes tributários mais complexos.
Tecnologia pode estar entre os setores mais beneficiados
As empresas de tecnologia aparecem frequentemente entre as potenciais beneficiárias da proposta.
Negócios voltados para desenvolvimento de software, criação de aplicativos, consultoria em tecnologia, suporte técnico e serviços em nuvem conseguem escalar operações com relativa facilidade.
Crescimento acelerado sem expansão física
Diferentemente de setores que dependem de grandes instalações ou aumento constante do quadro de funcionários, empresas de tecnologia conseguem ampliar receitas mantendo estruturas enxutas.
Isso faz com que o faturamento avance rapidamente, levando muitas delas a ultrapassar o limite atual do Simples Nacional mesmo quando ainda apresentam características típicas de pequenos negócios.
Com um teto maior, essas empresas poderiam continuar investindo em inovação sem enfrentar mudanças tributárias imediatas.
Prestadores de serviços especializados também acompanham a proposta
Outro grupo que pode ser impactado positivamente é o das empresas de serviços profissionais.
Estão incluídos nesse cenário:
- Escritórios de engenharia;
- Empresas de arquitetura;
- Agências de marketing;
- Consultorias empresariais;
- Empresas de treinamento corporativo;
- Prestadores de serviços técnicos especializados.
Receita cresce mais rápido que a estrutura
Em muitos desses negócios, o aumento da receita não exige expansão proporcional da operação.
Uma consultoria, por exemplo, pode ampliar significativamente seu faturamento por meio da conquista de novos contratos sem necessariamente multiplicar sua equipe ou seus custos fixos.
A ampliação do teto poderia evitar mudanças tributárias bruscas durante períodos de crescimento.
Comércio eletrônico pode ganhar mais espaço para expansão
O avanço das vendas online transformou a realidade de milhares de empresas brasileiras.
Pequenos empreendedores passaram a vender para consumidores de todo o país por meio de marketplaces, lojas virtuais próprias e redes sociais.
Esse cenário elevou o potencial de faturamento de muitos negócios em ritmo muito superior ao observado em décadas anteriores.
Operações nacionais impulsionam receitas
Uma loja virtual especializada em nichos específicos pode alcançar faturamento elevado sem possuir filiais físicas ou estruturas complexas.
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Com a eventual aprovação do novo limite, essas empresas poderiam permanecer por mais tempo no regime simplificado enquanto consolidam sua presença no mercado nacional.
Indústria e agronegócio acompanham a discussão

Pequenas indústrias e empresas ligadas ao agronegócio também observam atentamente o andamento da proposta.
Setores ligados ao beneficiamento de produtos agrícolas, agroindústrias familiares e indústrias de transformação frequentemente operam com margens que exigem rigoroso controle dos custos tributários.
Crescimento produtivo exige planejamento
Durante períodos de expansão da produção ou abertura de novos mercados, essas empresas podem registrar aumento significativo de faturamento.
A permanência no Simples Nacional por mais tempo poderia proporcionar maior previsibilidade financeira e auxiliar no planejamento de investimentos.
Quais podem ser os impactos para a economia
Especialistas apontam que a ampliação dos limites pode gerar diferentes efeitos econômicos.
Entre os possíveis benefícios estão:
- Estímulo ao crescimento empresarial;
- Redução da burocracia para empresas em expansão;
- Maior previsibilidade tributária;
- Incentivo à formalização;
- Fortalecimento da competitividade dos pequenos negócios.
Por outro lado, o debate também envolve questões relacionadas à arrecadação tributária e ao equilíbrio entre diferentes regimes fiscais.
Por esse motivo, a proposta deve passar por análises técnicas e discussões legislativas antes de uma eventual aprovação.
O projeto já está valendo?
Não.
Apesar da repercussão entre empresários e entidades representativas do setor produtivo, o PLP 140/2026 ainda está em tramitação no Congresso Nacional.
Isso significa que as regras atuais permanecem inalteradas.
Para que a mudança entre em vigor, o texto precisará ser aprovado pelas casas legislativas e posteriormente receber sanção presidencial.
Até lá, microempresas e empresas de pequeno porte devem continuar observando os limites atualmente estabelecidos pelo Simples Nacional.
O que os empresários devem fazer enquanto aguardam a decisão
Mesmo sem mudanças imediatas, especialistas recomendam que os empreendedores acompanhem a evolução da proposta e mantenham o planejamento tributário atualizado.
Empresas que estão próximas dos limites atuais de faturamento podem se beneficiar de uma análise antecipada dos possíveis cenários futuros.
Além disso, contar com apoio contábil especializado continua sendo fundamental para avaliar enquadramentos tributários, oportunidades de economia fiscal e estratégias de crescimento sustentável.
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