A Nu Holdings, controladora do Nubank, divulgou nesta terça-feira (14) os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2025, e apesar da expressiva alta de 74% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2024, o mercado reagiu com preocupação. A principal razão para o tom negativo foi o aumento da inadimplência e os impactos financeiros da expansão internacional da empresa, especialmente para os mercados do México e da Colômbia.
Lucros do Nubank caem devido a desafios no México e Colômbia
O Nubank reportou lucro de US$ 557 milhões no 1T25, alta de 74% sobre 2024. Mas inadimplência, juros altos e expansão internacional.
Com lucro líquido de US$ 557 milhões, o banco digital reafirma sua força como uma das maiores instituições financeiras da América Latina. No entanto, analistas destacam que os desafios operacionais e macroeconômicos poderão comprometer a rentabilidade futura, gerando alertas sobre o desempenho nos próximos trimestres.
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Número de clientes continua crescendo
O relatório aponta que o Nubank alcançou a marca de 118,6 milhões de clientes até 31 de março de 2025, um crescimento de 4,3 milhões no trimestre. Desse total:
- 104,6 milhões estão no Brasil;
- 11 milhões no México;
- 3 milhões na Colômbia.
A expansão da base de clientes reflete o avanço da estratégia de inclusão financeira, sobretudo nos mercados latino-americanos em desenvolvimento. No entanto, o crescimento também trouxe custos elevados, especialmente fora do Brasil.
Desempenho financeiro no trimestre
O lucro bruto da companhia foi de US$ 1,3 bilhão, o que representa uma queda de 3% em relação ao trimestre anterior, embora haja um crescimento de 32% na comparação anual, considerando uma base cambial neutra.
Pressão sobre margens
A margem de lucro bruto caiu para 40,6%, puxada por dois fatores principais:
- Maiores provisões para perdas com crédito;
- Alta nas despesas com juros no Brasil, em função da taxa Selic elevada.
Segundo o Nubank, essas variáveis ainda não foram repassadas completamente ao portfólio de crédito, o que prejudica a rentabilidade no curto prazo.
Além disso, o crescimento da base de depósitos no México — considerado um passo estratégico — também pressionou as margens, ainda que a empresa considere essa expansão fundamental para o futuro.
Reações do mercado
O balanço financeiro gerou reações divergentes entre analistas e instituições financeiras. Enquanto alguns mantiveram otimismo com o longo prazo, outros reduziram recomendações e alertaram para os riscos no horizonte.
Avaliação da Eleven Financial
Para Fernando Siqueira, Head de Research da Eleven Financial, os números foram fracos, apesar do crescimento de clientes e da receita:
“O Nubank está sofrendo com inadimplência maior. O crescimento em novos mercados vem a um custo elevado. No Brasil, os juros altos devem continuar pressionando os resultados”, afirmou.
Relatório do Banco Safra
O Banco Safra classificou o balanço como negativo e rebaixou a recomendação de compra das ações para neutra. A instituição apontou que o lucro líquido de US$ 557 milhões superou em 3% a estimativa interna, mas ficou 6% abaixo se desconsiderado um impacto contábil positivo de US$ 47 milhões.
Além disso:
- A receita total ficou 3% abaixo do previsto;
- O lucro bruto ficou 8% abaixo das expectativas;
- Houve queda no NII (receita líquida de juros), pressionado pelo mercado mexicano.
O relatório destacou que, embora o NIM (margem financeira líquida) tenha crescido no Brasil, o desempenho global foi impactado pelo custo de financiamento no México e por estratégias de crescimento agressivas.
Ponto positivo: Eficiência operacional
Um dos destaques positivos, segundo o Safra, foi a redução de 22% no custo de atendimento por cliente ativo, que chegou a US$ 0,70. Isso contribuiu para uma melhora no índice de eficiência, que caiu para 24,8%, superando as expectativas do banco.
Visão do Goldman Sachs
O Goldman Sachs manteve a recomendação de compra para as ações da Nu Holdings, mas reconheceu os desafios enfrentados pela operação internacional.
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Para o banco, os investimentos no México e na Colômbia são responsáveis por parte da pressão nos lucros atuais, mas têm potencial de trazer retorno futuro significativo, especialmente com a prometida otimização do financiamento nesses países.
Riscos apontados pelo Goldman Sachs
O relatório da instituição destacou os seguintes pontos de atenção:
- Ambiente macroeconômico mais fraco pode elevar o risco de inadimplência;
- Crescimento mais lento do crédito afeta receita;
- Risco regulatório, especialmente com as taxas de juros de cartões;
- Possível impacto da estrutura acionária com ações supervotantes.
Inadimplência e juros altos no Brasil preocupam

Mesmo com um controle razoável da inadimplência, analistas apontam que há um aumento sazonal da inadimplência antecipada, o que já pressiona as provisões para perdas e indica possíveis dificuldades à frente.
No contexto brasileiro, o Nubank enfrenta ainda os efeitos de uma Selic persistentemente alta, que encarece o crédito e reduz o apetite por financiamento, especialmente entre clientes de baixo e médio rendimento.
Embora a instituição demonstre otimismo com a possibilidade de expansão do financiamento via PIX, essa dependência de produtos de margem elevada também pode representar um risco em cenários de mudança regulatória.
Ações do Nubank em foco
A divulgação do resultado teve reflexo imediato nas bolsas. Os papéis da Nu Holdings (NUBR33 e NU.N), listados na B3 e na Bolsa de Nova York, apresentaram volatilidade logo após o anúncio dos números.
Apesar da decepção com as margens e com o impacto da expansão internacional, a companhia ainda é bem posicionada no segmento digital e conta com forte reconhecimento de marca e engajamento do público jovem.
O que esperar para os próximos trimestres?

Especialistas acreditam que o desempenho do Nubank nos próximos trimestres dependerá de:
- Possível queda da taxa Selic, aliviando o custo do crédito;
- Maior controle da inadimplência nos mercados principais;
- Equilíbrio entre crescimento e rentabilidade nas operações internacionais;
- Avanços no financiamento via PIX, que pode se consolidar como nova alavanca de receita.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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