Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Ações do Nubank caem após lucro recorde; entenda o motivo por trás da reação do mercado!

Apesar de lucro recorde de US$ 557 milhões no 1T25, ações do Nubank caem; entenda fatores que influenciaram a reação negativa do mercado.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Nubank

O Nubank (ROXO34), maior banco digital da América Latina, surpreendeu positivamente o mercado com um lucro líquido de US$ 557 milhões no primeiro trimestre de 2025, alta de 74% em comparação ao mesmo período de 2024.

No entanto, ao contrário do que muitos esperavam, o mercado reagiu negativamente à divulgação do balanço: as ações caíram quase 5% no after-market da bolsa de Nova York.

A reação levanta questionamentos sobre os reais motivos por trás da queda, mesmo diante de um trimestre de resultados expressivos. O que explica esse movimento contraditório? A seguir, entenda os principais pontos que explicam essa reação aparentemente paradoxal dos investidores.

Leia mais:

Maior agência da Caixa no país é substituída por megaloja de produtos chineses

Samsung inova com o Odyssey OLED G6, o primeiro monitor de 500Hz do planeta

Resultados financeiros sólidos, mas abaixo do esperado

Imagem: Freepik e Canva

Lucro ajustado abaixo do consenso

Apesar do lucro líquido recorde, o lucro ajustado, métrica preferida pelo mercado para avaliação do desempenho de empresas de tecnologia financeira, foi de US$ 606,5 milhões.

O valor ficou abaixo da expectativa de analistas, que apontavam para US$ 630,5 milhões, segundo pesquisa da LSEG (London Stock Exchange Group).

Revisão fiscal impacta positivamente os números

Outro ponto que gerou dúvidas foi o impacto de US$ 47 milhões em créditos fiscais sobre o lucro antes dos impostos. Analistas destacam que, sem esse efeito pontual, o lucro teria sido ainda menor, o que reforça a percepção de que o crescimento não foi tão robusto quanto aparenta.

Queda no retorno sobre o capital preocupa

ROE em leve retração

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do Nubank caiu para 27% no trimestre, ante 29% no último trimestre de 2024. Embora superior ao ROE do Itaú (22%), o recuo frente ao trimestre anterior pode indicar dificuldade em manter a rentabilidade, especialmente após um período de forte crescimento.

NIM ajustado em queda

Outro dado relevante foi a queda na margem financeira líquida ajustada ao risco (NIM), que recuou para 8,2%.

O NIM nominal também caiu, atingindo 17,5%. Segundo o Nubank, isso se deve a “decisões estratégicas de crescimento”, mas o mercado entende que isso pode representar diminuição da eficiência na alocação de crédito.

Ações pressionadas por comparação com concorrentes

Desempenho inferior ao Inter e bancões

No acumulado de 2025, as ações do Nubank sobem apenas 13%, desempenho inferior ao do Inter (INBR32), que já valorizou 55%, e aos grandes bancos tradicionais, que avançaram mais de 20%.

Isso faz com que o mercado adote uma postura mais cautelosa com o Nubank, que vinha sob pressão após resultados fracos no quarto trimestre de 2024.

Crescimento internacional ainda em fase de consolidação

O avanço da fintech na América Latina, especialmente no México e na Colômbia, é visto como estratégico, mas ainda não apresenta retorno financeiro consistente.

O Nu México, por exemplo, obteve recentemente a licença bancária, o que representa um passo importante, mas traz também maiores custos regulatórios e operacionais.

Inadimplência preocupa investidores

Alta na inadimplência de curto prazo

O principal índice de qualidade de crédito do Nubank — inadimplência de 15 a 90 dias — subiu 60 pontos-base, chegando a 4,7%. Isso acende um sinal de alerta para os investidores, pois essa métrica é considerada um indicador antecipado de deterioração na carteira de crédito.

Queda na inadimplência de longo prazo

Por outro lado, a inadimplência de mais de 90 dias caiu para 6,5%, o que o banco considera reflexo de medidas de controle adotadas em trimestres anteriores.

A melhora é positiva, mas ainda não compensa a preocupação com o aumento no curto prazo, especialmente em um cenário de juros ainda elevados no Brasil.

Crescimento da base de clientes impressiona

Presença em mais da metade da população adulta brasileira

O Nubank alcançou 104,6 milhões de clientes no Brasil, o que representa quase 59% da população adulta do país. A expansão é robusta, mas analistas apontam que, com a base já muito ampla, o banco enfrenta agora o desafio de monetizar essa clientela com rentabilidade crescente.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Crescimento expressivo na América Latina

No México, o Nubank atingiu 11 milhões de clientes, alta de 91% em relação ao mesmo período de 2024. Na Colômbia, o crescimento trimestral foi de 30%, alcançando 3 milhões de usuários.

Esses dados reforçam o potencial de expansão internacional, mas ainda não impactam positivamente os lucros no curto prazo.

Receita cresce, mas com eficiência sob pressão

Receita total e financeira líquida em alta

As receitas totais cresceram 40%, atingindo US$ 3,2 bilhões, novo recorde histórico. Já a receita financeira líquida (NII) subiu 34%, para US$ 1,8 bilhão. Os números são positivos, mas refletem maior risco e exposição ao crédito, o que pressiona os indicadores de inadimplência.

Eficiência operacional mostra melhora

O índice de eficiência melhorou para 24,7%, ou 26,7% excluindo o impacto do crédito fiscal. Trata-se de um dos melhores índices entre as instituições financeiras da América Latina, indicando que o banco consegue gerar receita com menor custo relativo.

O que dizem os especialistas

nubank
Imagem: Divulgação/ Nubank

Para analistas, o mercado está em uma fase de revisão de expectativas com fintechs. Empresas como o Nubank, que até recentemente eram avaliadas por métricas de crescimento, agora são julgadas por sua rentabilidade e resiliência.

O fato de o lucro ajustado ter ficado abaixo do consenso e a inadimplência ter subido em algumas faixas contribuiu para a aversão de curto prazo dos investidores.

“O mercado está mais criterioso com valuation de fintechs. Mesmo resultados fortes não garantem valorização, se houver dúvidas sobre qualidade ou sustentabilidade dos números”, afirma Luiz Peixoto, analista do BTG Pactual.

Conclusão: resultado forte, mas expectativa ainda maior

Embora o Nubank tenha apresentado um dos melhores resultados trimestrais de sua história, a queda das ações reflete um movimento mais amplo de exigência do mercado por consistência e previsibilidade.

A fintech, que já foi símbolo de inovação e disrupção, agora precisa entregar crescimento com rentabilidade e qualidade de crédito.

O futuro do Nubank depende da capacidade de equilibrar crescimento acelerado com controle de risco, especialmente em um cenário macroeconômico ainda desafiador na América Latina.

O mercado ainda acredita no potencial da empresa, mas o tempo da tolerância com promessas já passou — agora, é hora de resultados consistentes e sustentáveis.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

Topicos relacionados