O mercado financeiro brasileiro acompanha uma negociação que pode marcar uma nova etapa na trajetória do Nubank. A fintech aparece como a principal candidata à aquisição da operação brasileira da Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco estatal de Portugal, em uma movimentação que tem como principal objetivo acelerar a obtenção de uma licença bancária plena no Brasil.
Embora o negócio ainda dependa de decisões do governo português e da aprovação dos órgãos reguladores dos dois países, a possível aquisição desperta interesse por seus impactos no setor financeiro, na estratégia do Nubank e na concorrência entre as instituições bancárias.
Neste artigo, você entende por que o Nubank quer comprar a CGD Brasil, como funciona a licença bancária, quais são os próximos passos da negociação e quais podem ser os reflexos para os clientes.
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Por que o Nubank quer comprar a CGD Brasil?

Diferentemente do que muitos imaginam, o interesse do Nubank não está relacionado principalmente à carteira de clientes da instituição portuguesa.
O principal objetivo da fintech é obter uma licença bancária completa, permitindo ampliar sua atuação dentro do sistema financeiro nacional e atender às novas exigências regulatórias estabelecidas pelo Banco Central.
Segundo declarações públicas da empresa, a aquisição seria um caminho mais rápido do que solicitar uma autorização completamente nova, processo que costuma ser longo e envolve diversas etapas de análise.
Além disso, o fundador e CEO global do Nubank, David Vélez, já afirmou anteriormente que uma eventual compra teria foco regulatório, e não necessariamente comercial.
O que mudou nas regras do Banco Central?
Em novembro de 2025, o Banco Central publicou novas regras relacionadas ao uso de termos que remetem diretamente à atividade bancária.
Na prática, instituições que não possuem autorização para funcionar como banco pleno passaram a enfrentar restrições quanto ao uso de determinadas expressões em marcas e domínios, como “bank”.
A medida busca aumentar a transparência para os consumidores, reduzindo possíveis interpretações equivocadas sobre o tipo de autorização que cada instituição financeira possui.
Esse novo cenário tornou ainda mais estratégica a obtenção de uma licença bancária completa por parte do Nubank.
Como está a negociação?
A venda da CGD Brasil entrou na fase final do processo competitivo conduzido pelo governo português.
Os interessados já apresentaram propostas e comprovaram capacidade financeira para concluir a aquisição.
Segundo informações divulgadas por veículos especializados, apenas dois grupos devem permanecer na disputa até a decisão final, sendo o Nubank apontado como favorito neste momento.
Apesar disso, nenhuma definição oficial foi anunciada.
Caso seja escolhido como vencedor, o negócio ainda dependerá da aprovação das autoridades regulatórias brasileiras e portuguesas antes de ser efetivamente concluído.
Quanto vale a operação?
O governo português pretende arrecadar aproximadamente R$ 250 milhões com a venda da subsidiária brasileira.
Parte desse montante, porém, está ligada à assunção de obrigações financeiras pelo comprador.
Entre os principais números da CGD Brasil estão:
- ativos totais entre R$ 1,8 bilhão e R$ 1,9 bilhão;
- patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões;
- carteira de crédito de aproximadamente R$ 870 milhões.
Especialistas destacam que parte dessa carteira possui operações consideradas de maior risco, fator que influencia diretamente o valor da negociação.
Por que Portugal decidiu vender a CGD Brasil?
A venda faz parte de um plano iniciado após a crise financeira internacional de 2008.
Na época, Portugal assumiu compromissos junto às autoridades europeias para reduzir sua participação em determinados ativos estatais, fortalecer as contas públicas e diminuir o nível de endividamento do país.
A alienação da operação brasileira integra esse processo de reorganização patrimonial.
A compra muda alguma coisa para os clientes do Nubank?
Neste momento, não.
Mesmo que a aquisição seja concluída, os clientes continuarão utilizando normalmente os serviços oferecidos pelo Nubank.
Mudanças estruturais normalmente ocorrem apenas após a conclusão da operação e da integração regulatória entre as instituições, processo que costuma levar vários meses.
Caso a licença bancária plena seja obtida, o Nubank poderá ampliar sua atuação em determinados segmentos financeiros no futuro, sempre respeitando as autorizações concedidas pelos órgãos reguladores.
Quais são os próximos passos?
Antes que a compra seja oficialmente concluída, ainda existem diversas etapas importantes:
Escolha da melhor proposta
O governo português analisará as ofertas apresentadas pelos concorrentes para definir o comprador.
Aprovação regulatória
Mesmo após a escolha do vencedor, a operação dependerá da autorização das autoridades competentes no Brasil e em Portugal.
Entre elas, destaca-se o Banco Central do Brasil, responsável por avaliar mudanças de controle em instituições financeiras autorizadas a operar no país.
Integração operacional
Se todas as aprovações forem concedidas, começa a fase de integração entre as instituições, incluindo aspectos jurídicos, tecnológicos, regulatórios e administrativos.
O que essa negociação representa para o mercado financeiro?

Caso seja confirmada, a aquisição pode representar um dos movimentos estratégicos mais relevantes do setor financeiro brasileiro nos últimos anos.
Além de fortalecer a posição institucional do Nubank, a obtenção de uma licença bancária plena pode ampliar sua competitividade frente aos bancos tradicionais e abrir espaço para novos produtos e serviços.
Ao mesmo tempo, a operação demonstra como o ambiente regulatório continua influenciando diretamente as decisões estratégicas das grandes fintechs que atuam no Brasil.
Conclusão
A disputa pela aquisição da CGD Brasil vai além de uma simples compra de ativos. Para o Nubank, trata-se de uma oportunidade estratégica de fortalecer sua posição regulatória e ampliar seu espaço no sistema financeiro brasileiro.
Embora a fintech seja apontada como favorita, o processo ainda está sujeito à análise do governo português e à aprovação das autoridades regulatórias dos dois países. Até que todas essas etapas sejam concluídas, a negociação permanece em aberto.
Independentemente do desfecho, o caso evidencia como as mudanças nas regras do setor bancário vêm influenciando as estratégias das principais instituições financeiras e reforça a importância da regulação para o desenvolvimento do mercado brasileiro.
