Uma verdadeira tempestade se formou nos bastidores do gigante financeiro Nubank. Após o anúncio do fim do modelo de trabalho remoto, a fintech enfrenta uma crise sem precedentes, marcada por demissões em massa, uma carta-manifesto contundente de funcionários e até denúncias graves de sabotagem de sistemas internos. O que era para ser uma transição para o modelo híbrido se transformou em um campo de batalha entre a empresa e parte de seus colaboradores.
Crise no Nubank: Fim do home office causa demissões, carta de protesto e denúncias de sabotagem
Crise no Nubank: demissões, carta-manifesto contra o fim do home office e denúncias de sabotagem. Sindicato exige recontratação.
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Crise no Nubank: Fim do Home Office Gera Demissões e Revolta
A decisão do Nubank de encerrar o regime de home office e adotar um modelo híbrido a partir de julho de 2026, com aumento gradual da frequência presencial, não foi bem recebida por uma parcela significativa de seus funcionários. Essa medida, anunciada em uma reunião com cerca de 7 mil participantes, desencadeou uma série de eventos que colocam a cultura da empresa sob os holofotes.
Carta-Manifesto sem assinatura pede reversão e recontratações
A insatisfação culminou na redação e leitura de uma carta-manifesto durante uma plenária organizada pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. O documento, que não foi assinado pelos trabalhadores, exige duas ações urgentes do Nubank:
- A reversão da decisão sobre o fim do home office e a abertura de negociação.
- A recontratação imediata de 14 funcionários demitidos desde o anúncio da mudança.
Leia na íntegra a carta dos funcionários do Nubank:
Os trabalhadores organizados de todas as entidades legais do Nubank (Nu Asset, Nu Commerce, Nu Crypto, Nu Financeira, Nu Invest, Nu Pagamentos, Nu Pay, Nu Signals, Nu Tech e Olivia) e de todos os países atuantes (Brasil, Colômbia e México) vêm através desta carta manifestar seu repúdio:
ao fim unilateral do modelo remoto e a imposição do trabalho presencial a partir de 2026
e às advertências e demissões retaliatórias de funcionários do Nubank que manifestaram seu legítimo descontentamento frente a uma decisão que impôs a todos uma drástica mudança em sua realidade de trabalho sem qualquer negociação prévia.
Em total contraste com o discurso de valorização de feedbacks, diversidade e autonomia, o Nubank reagiu com punição aos trabalhadores e trabalhadoras que se opuseram ao novo regime de trabalho. Oficialmente, 14 demissões por justa causa um número inédito e alarmante somadas a diversas advertências diante de reivindicações legítimas, a gestão escolheu a punição em vez do diálogo com os trabalhadores.
Em poucos anos, o Nubank cresceu de 25 milhões para mais de 100 milhões de clientes, superando US$ 20 bilhões de lucro líquido [na verdade, em 2024, a fintech registrou US$ 2 bilhões em lucro líquido anual], consolidando-se como uma das maiores histórias globais de sucesso e como o maior banco da América Latina.
Esse resultado é fruto do trabalho de equipes remotas, diversas e comprometidas, que entregaram crescimento, inovação e eficiência à distância em um modelo de trabalho que já contempla períodos presenciais de uma semana a cada três meses e impulsiona a cultura, colaboração e o fortalecimento das equipes. Essas equipes têm orgulho da empresa que construíram, dos resultados que entregaram, de dia após dia construir a marca mais valiosa do Brasil e um dos melhores bancos do mundo, segundo a Forbes.
Por isso, é inaceitável que tamanha mudança seja imposta sem diálogo e sem apresentar qualquer dado, evidência ou justificativa objetiva, ignorando a opinião de mais de 90% da empresa segundo a própria Chief People Officer. O que se vê é uma decisão arbitrária, insensível e sem base empírica, que ameaça o nosso bem-estar, a diversidade e confiança que sustentam nossa cultura e afeta profundamente nossas vidas, famílias e estabilidade financeira.
Não nos concentraremos aqui no fato que o trabalho remoto não reduz a produtividade. As evidências são claras e o próprio Nubank admitiu. Cabe mencionar que políticas de RTO [Return to Office, ou retorno ao escritório, em inglês] reduzem a satisfação média dos trabalhadores e provoca saída em massa de profissionais qualificados, sobrecarregando os que ficam.
Cuidadores familiares (especialmente mulheres), pessoas com deficiência e neurodivergentes são ainda mais afetadas por essas mudanças, causando impacto desmesurado no seu desempenho profissional e qualidade de vida. Por fim, deslocar trabalhadores para grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro implica em uma perda de renda real e no decréscimo da qualidade de vida dos trabalhadores.
Portanto, com nossos direitos constitucionais a manifestação e a livre organização, viemos exigir:
A REVERSÃO DO RTO, com abertura de negociação entre a empresa, seus trabalhadores e a representação sindical.
Fim da PUNIÇÃO e RECONTRATAÇÃO IMEDIATA de todos os demitidos por expressarem de forma justa a sua indignação por tamanho impacto nas nossas vidas e nosso trabalho
Convocamos todes funcionários do Nubank a se somarem nessa luta
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A carta critica o “fim unilateral” do modelo remoto e as “advertências e demissões retaliatórias”, afirmando que a empresa agiu com punição em vez de diálogo, ignorando o discurso de valorização de feedbacks e autonomia. Ela destaca que, apesar do crescimento e sucesso do Nubank impulsionado por equipes remotas, a decisão foi tomada de forma “arbitrária, insensível e sem base empírica”, afetando o bem-estar e a diversidade da empresa.
14 demissões e acusações de sabotagem: A punição pela crítica?
O número de desligamentos em um curto período chamou a atenção. Dos 14 funcionários demitidos:
- 12 foram por justa causa, alegando violação do código de ética da empresa. Segundo o Nubank, os desligamentos ocorreram devido a “xingamentos e ofensas” durante a reunião de anúncio do fim do home office. O Sindicato, no entanto, exige a revisão das demissões, argumentando que os trabalhadores apenas manifestaram descontentamento e que ninguém deveria ser punido por expressar opinião.
- Outros 2 foram desligados nesta semana sob a grave acusação de supostamente tentarem sabotar os sistemas internos da empresa. O CTO do Nubank, Eric Young, em memorando interno, confirmou a detecção de um planejamento de sabotagem e a demissão imediata dos envolvidos, que foram denunciados às autoridades.
O CEO do Nubank, David Vélez, defendeu a postura da empresa em um comentário no LinkedIn, afirmando que o “tipo de linguagem e comportamento dessas pessoas” excedeu o limite do aceitável em um canal corporativo.
As novas regras e o impacto no trabalhador
O novo modelo do Nubank, que entra em vigor em julho de 2026, prevê inicialmente dois dias presenciais por semana, aumentando para três dias a partir de janeiro de 2027. A fintech se comprometeu a oferecer auxílio financeiro para funcionários que precisem se mudar para São Paulo.
No entanto, a carta-manifesto dos trabalhadores ressalta que políticas de retorno ao escritório (RTO) podem:
- Reduzir a satisfação e provocar a saída de profissionais qualificados.
- Afetar desproporcionalmente cuidadores familiares (especialmente mulheres), pessoas com deficiência e neurodivergentes.
- Causar perda de renda real e decréscimo na qualidade de vida ao exigir deslocamento para grandes centros.
O Nubank, por sua vez, reforça que mantém “diálogo aberto e transparente com todas as entidades representativas apropriadas”, mas “não tolera desrespeito e violações de conduta”.
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