O Nubank alcançou um marco significativo em sua estratégia de internacionalização ao receber a aprovação regulatória para operar como banco múltiplo no México. A informação foi confirmada pela empresa na quinta-feira, 24 de abril, sinalizando uma mudança importante na forma como a fintech atuará no mercado mexicano, onde está presente desde 2019 como uma Sociedade Financeira Popular (Sofipo).
Nubank no México: o impacto da licença de banco múltiplo na operação
Nubank recebe licença de banco múltiplo no México e poderá expandir serviços, incluindo conta salário e aumento na cobertura de depósitos.
A nova licença permitirá ao Nubank ampliar seu portfólio de produtos e alcançar uma fatia ainda maior do mercado financeiro local, que ainda enfrenta grandes desafios em termos de inclusão bancária. Com mais de 10 milhões de clientes no México e US$ 4,5 bilhões em depósitos, a empresa dá um passo crucial rumo à consolidação como um player bancário completo no país.
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Um mercado estratégico para o crescimento do Nubank

México: centro das atenções da fintech
De acordo com o CEO e fundador do Nubank, David Vélez, o México é um pilar fundamental na estratégia global da companhia. “Investimos mais de US$ 1,4 bilhão no mercado, não apenas em crescimento, mas também para promover inovação e elevar os padrões do setor financeiro local”, afirmou em comunicado.
Essa afirmação é respaldada por números expressivos e por uma trajetória de investimentos robusta no país, onde o banco tem buscado oferecer serviços financeiros a uma população amplamente desbancarizada. A Sofipo, modelo sob o qual o Nubank operava até então, tem como foco principal o atendimento a pessoas de baixa renda e pequenas empresas.
Com a nova licença, a fintech poderá competir em condições mais favoráveis com instituições tradicionais e outras plataformas digitais que já operam no setor bancário mexicano, como Mercado Pago — que aguarda aprovação — e Revolut, que começou suas operações em 2024.
Inclusão bancária como trunfo
Uma das primeiras iniciativas previstas com a nova licença será a oferta de contas salário. Segundo dados divulgados pelo próprio Nubank, apenas 36% dos adultos mexicanos têm acesso a esse tipo de conta, e cerca de 90% do mercado está concentrado em cinco grandes bancos. Este cenário cria uma janela de oportunidade para a fintech, que tem expertise em democratizar o acesso a serviços financeiros.
A conta salário é vista como uma porta de entrada para outros produtos, como crédito pessoal, investimentos e seguros, criando um ecossistema mais completo e duradouro para a base de clientes da empresa.
Impacto na segurança e na confiança do consumidor
Cobertura do IPAB multiplicada por 16
Outro ponto importante é o aumento na proteção ao consumidor. Ao se tornar um banco múltiplo, o Nubank poderá oferecer aos seus clientes uma cobertura de seguro de depósito muito mais robusta, por meio do Instituto para a Proteção da Poupança Bancária (IPAB). A proteção será multiplicada por 16 em relação à cobertura oferecida sob a Sofipo.
Esse incremento é visto como uma vantagem competitiva relevante, especialmente em um país onde a confiança nas instituições financeiras ainda está em processo de consolidação. A ampliação da cobertura pode atrair clientes mais cautelosos e incentivar depósitos de maior valor.
Perspectivas financeiras e projeções de mercado

Analistas apostam em crescimento agressivo
A aprovação da licença já era esperada pelo mercado, especialmente após notícias veiculadas pela Reuters no início de abril indicarem que o pedido havia sido aceito pelas autoridades mexicanas. Em relatório subsequente, analistas do Goldman Sachs afirmaram que o México representa uma oportunidade de “crescimento significativo” para o Nubank.
Segundo o banco de investimentos, a fintech brasileira pode alcançar até 8% do mercado de cartões de crédito mexicano até 2027. Além disso, o México poderia representar também 8% do portfólio total de crédito do Nubank no mesmo período. Em 2024, a carteira de crédito da empresa totalizou US$ 20,7 bilhões, registrando crescimento de 14% no último trimestre.
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Os analistas — Tito Labarta, Tiago Binsfeld, Beatriz Abreu e Lindsey Shema — também preveem que a operação no México pode atingir o ponto de equilíbrio ainda em 2025, dependendo do ritmo de crescimento das carteiras de empréstimos, contribuindo com até 10% dos resultados financeiros do grupo até 2027.
Reação do mercado e valorização das ações
Investidores respondem positivamente
O otimismo em relação à expansão mexicana já se refletiu nas ações da empresa. Os papéis do Nubank encerraram o dia 24 de abril em alta de 2,26%, cotados a US$ 11,75. No acumulado do ano, a valorização já chega a 10,5%, levando o valor de mercado da fintech a US$ 56,6 bilhões.
O desempenho reforça a percepção de que o avanço no México está sendo bem recebido por investidores, que veem na diversificação geográfica uma estratégia eficiente para reduzir riscos e aumentar o potencial de crescimento da companhia.
Competição acirrada e desafios pela frente
Disputa entre fintechs esquenta no México
Apesar do avanço, o Nubank ainda terá de enfrentar forte concorrência. Além das tradicionais instituições financeiras mexicanas, outras fintechs estrangeiras também enxergam o país como um terreno fértil. A britânica Revolut já obteve sua licença bancária e começou a operar, enquanto o Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, aguarda aval para ingressar no setor como banco.
O desafio será manter a taxa de crescimento e garantir uma experiência do cliente que supere as expectativas, fator que tem sido diferencial na atuação da empresa desde sua fundação.
Imagem: Freepik e Canva
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