O Nubank (ROXO34) encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido de US$ 894 milhões, alta de 50% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado representa o maior lucro já registrado pela fintech desde sua fundação e consolida uma sequência de recordes trimestrais.
O desempenho reforça a estratégia de crescimento com disciplina financeira adotada pela companhia nos últimos anos. Mesmo diante de um ambiente competitivo e de juros elevados em mercados relevantes, o banco digital conseguiu expandir carteira, aumentar receitas e manter indicadores de inadimplência sob controle.
Apesar dos números robustos, as ações acumulam, em 2026, o pior desempenho entre instituições financeiras latino-americanas, refletindo incertezas do mercado sobre os impactos da inteligência artificial no setor bancário. Ainda assim, após subir 0,85% no pregão regular, os papéis avançaram 2,64% no after-market com a divulgação do balanço.
Segundo o fundador e CEO David Vélez, os resultados refletem escolhas estratégicas consistentes ao longo do ano. “Esses resultados demonstram nossa capacidade de combinar crescimento com disciplina e lucratividade consistente, enquanto continuamos investindo em nossos mercados principais”, afirmou.
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Crescimento acelerado com disciplina de custos
O quarto trimestre mostrou que o modelo digital da fintech segue ganhando escala.
Expansão da carteira de crédito
A carteira de crédito cresceu 40% na comparação anual, alcançando US$ 32,7 bilhões. O avanço consolida o banco como um dos principais players em crédito ao consumidor no Brasil e amplia sua relevância no México.
Na prática, isso significa maior presença em produtos como:
- Cartão de crédito
- Empréstimo pessoal
- Crédito consignado
- Financiamentos e parcelamentos
O crescimento da carteira é um dos principais motores de rentabilidade, já que a receita financeira líquida de juros (NII) atingiu US$ 2,8 bilhões no trimestre, alta de 13% ano contra ano.
Receita total em patamar histórico
A receita total somou US$ 4,9 bilhões no trimestre, avanço de 45% na comparação anual — também um recorde histórico.
Esse crescimento foi impulsionado por três fatores principais, segundo o diretor financeiro Guilherme Lago:
- Expansão da base de clientes
- Aumento da receita média por cliente ativo
- Estabilidade no custo de servir
“Isso gera alavancagem operacional positiva em relação à receita”, destacou o executivo.
Margem e eficiência operacional
A margem financeira líquida (NIM) encerrou o trimestre em 10,5%. Houve recuo de 0,3 ponto percentual frente ao trimestre anterior, mas avanço de 0,6 ponto na comparação anual.
De acordo com a companhia, o indicador teria permanecido praticamente estável não fosse uma contribuição extraordinária ao Prosofipo, fundo obrigatório de proteção a depósitos no México para instituições do tipo Sofipo.
Já o índice de eficiência caiu para 19,9%, melhora de 1,8 ponto percentual em relação ao ano anterior. Em termos práticos, isso indica que o banco está conseguindo gerar mais receita com controle proporcionalmente maior das despesas — uma vantagem estrutural frente a bancos tradicionais com estruturas físicas mais complexas.
Para efeito de comparação, o Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o trimestre com ROE de 23%, enquanto o Nubank reportou retorno sobre patrimônio de 29%.
Qualidade de crédito sob controle
Um dos principais pontos observados por investidores é a qualidade da carteira de crédito.
Inadimplência no Brasil
A inadimplência de 15 a 90 dias caiu para 4,1%, recuo de 0,2 ponto percentual no trimestre e 0,1 ponto na comparação anual. O movimento foi influenciado pelos efeitos sazonais do pagamento do 13º salário no fim do ano.
Já os atrasos acima de 90 dias permaneceram praticamente estáveis, em 6,6%.
Em um cenário de juros elevados e pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras, manter estabilidade na inadimplência é visto pelo mercado como sinal de gestão de risco adequada.
Gestão de risco e uso de tecnologia
A fintech atribui parte da estabilidade da carteira ao uso intensivo de dados e modelos proprietários de análise de crédito. A combinação entre inteligência artificial, histórico comportamental e monitoramento contínuo permite ajustar limites e ofertas de forma dinâmica.
Essa estratégia ajuda a reduzir perdas e melhorar precificação de risco — ponto crucial em um ambiente de competição crescente no setor financeiro.
Base de clientes atinge 131 milhões
O Nubank adicionou 4 milhões de clientes no quarto trimestre e 17 milhões ao longo de 2025, crescimento anual de 15%. A base total atingiu 131 milhões de clientes globalmente.
Liderança no Brasil
No Brasil, o Nubank já é a maior instituição financeira privada em número de clientes, segundo dados do Banco Central do Brasil. O banco digital superou instituições tradicionais em quantidade de correntistas, refletindo a forte digitalização dos serviços bancários no país.
Esse avanço foi impulsionado por:
- Conta digital sem tarifas
- Cartão de crédito amplamente aceito
- Aplicativo com alta avaliação
- Expansão para investimentos, seguros e crédito
Expansão no México
No México, a fintech já atende cerca de 15% da população adulta. O país é visto como mercado estratégico de longo prazo, com baixa penetração bancária e grande potencial de crescimento.
A operação mexicana passou por ajustes regulatórios e contribuições obrigatórias ao fundo Prosofipo, o que impactou pontualmente alguns indicadores financeiros no trimestre.
Mercado atento à inteligência artificial
Mesmo com resultados sólidos, as ações enfrentam pressão em 2026. Parte da cautela dos investidores está relacionada às transformações tecnológicas no setor financeiro, especialmente com a popularização de ferramentas baseadas em inteligência artificial generativa.
O mercado avalia como essas tecnologias podem:
- Reduzir barreiras de entrada
- Aumentar competição
- Pressionar margens
- Transformar atendimento e análise de crédito
Por outro lado, fintechs digitais como o Nubank tendem a estar melhor posicionadas para incorporar essas soluções rapidamente, devido à infraestrutura tecnológica mais moderna.
O que os números significam para o consumidor brasileiro
Para o cliente comum, os resultados indicam:
- Maior capacidade de oferta de crédito
- Ampliação de produtos e serviços
- Potencial manutenção de taxas competitivas
- Investimentos contínuos em tecnologia
A combinação de crescimento com controle de custos sugere sustentabilidade do modelo no médio prazo. No entanto, o cenário macroeconômico brasileiro — com juros, inflação e emprego — continuará sendo determinante para a evolução da inadimplência e da demanda por crédito em 2026.
Perspectivas para 2026
O Nubank encerra 2025 com:
- Lucro recorde
- ROE elevado
- Carteira de crédito em expansão
- Base de clientes consolidada
- Eficiência operacional em melhora
A principal incógnita para 2026 será o ritmo de crescimento diante de um mercado mais competitivo e tecnologicamente dinâmico. Ainda assim, os números do quarto trimestre reforçam a posição da fintech como uma das maiores instituições digitais do mundo.
Mesmo sob forte vigilância do mercado e em meio às transformações estruturais do setor financeiro, o Nubank encerra 2025 com crescimento expressivo, rentabilidade elevada e posição consolidada no Brasil e na América Latina.
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