Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Nubank supera Petrobras e vira empresa mais valiosa do Brasil

Nubank supera a Petrobras e assume liderança em valor de mercado, simbolizando a força da economia digital frente às estatais em crise.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Nubank

O Nubank conquistou um feito histórico e simbólico para o capitalismo brasileiro: alcançou um valor de mercado de US$ 76,8 bilhões, superando pela primeira vez a Petrobras, avaliada em cerca de US$ 75 bilhões. A comparação entre uma fintech nascida em 2013 e uma estatal com mais de 70 anos revela não apenas o avanço da economia digital, mas também o atraso estrutural das empresas estatais brasileiras.

Essa ultrapassagem não é apenas contábil. Representa uma mudança de paradigma, na qual empresas inovadoras, privadas e de perfil tecnológico assumem o protagonismo diante de modelos tradicionais, burocratizados e vinculados ao Estado.

Leia mais:

Nubank transforma desafios financeiros em oportunidades reais

Nubank
Imagem: Freepik e Canva

A ascensão meteórica do Nubank

Fundado em 2013, o Nubank opera por meio da holding Nu Holdings Ltd., com ações negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE: NU) e ADRs no Brasil. Em pouco mais de uma década, transformou-se em um dos maiores bancos digitais do mundo, com cerca de 90 milhões de clientes na América Latina, concentrados especialmente no Brasil, México e Colômbia.

Elementos que explicam o sucesso:

  • Modelo digital 100% online, com serviços bancários simplificados;
  • Forte aposta em experiência do cliente e usabilidade;
  • Acesso facilitado a produtos financeiros como cartão de crédito, empréstimos, seguros e investimentos;
  • Estratégia de crescimento internacional, com expansão agressiva na América Latina;
  • Cultura corporativa baseada em agilidade, tecnologia e inclusão financeira.

O Nubank representa o sucesso de uma geração de empresas brasileiras que conseguiram driblar o ambiente hostil de negócios do país e se conectar diretamente com milhões de consumidores desassistidos pelos bancos tradicionais.

O contraste com a Petrobras: estatal em desaceleração

Retorno da Petrobras na distribuição do gás de cozinha deve baixar valores ao consumidor
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A Petrobras, gigante estatal do petróleo, já foi sinônimo de soberania energética e orgulho nacional. No entanto, sua trajetória nas últimas décadas tem sido marcada por escândalos de corrupção, intervenções políticas, instabilidade regulatória e prejuízos bilionários.

Mesmo lucrando em alguns trimestres, a companhia sofre com a volatilidade do mercado internacional, as mudanças constantes na política de preços de combustíveis e as incertezas quanto ao papel do Estado em sua gestão.

Essa conjuntura resultou na perda de confiança de investidores internacionais, especialmente quando comparada com empresas privadas que operam com maior autonomia e previsibilidade.

A distância do Brasil para as potências globais

Apesar do feito do Nubank, o Brasil ainda está muito distante das maiores potências econômicas do mundo no que diz respeito ao valor de mercado de suas empresas.

Segundo o portal CompaniesMarketcap.com, nenhuma empresa brasileira ultrapassa a marca de US$ 80 bilhões em valor de mercado. Em contraste:

  • EUA: mais de 130 empresas com valor acima de US$ 80 bilhões;
  • Suíça: 8 empresas;
  • Índia (membro do BRICS): 6 empresas.

Causas da defasagem brasileira:

  • Baixo investimento em inovação e tecnologia;
  • Excesso de burocracia e tributos;
  • Taxas de juros historicamente elevadas;
  • Insegurança jurídica e regulatória;
  • Cultura estatal ineficiente e falta de estímulo ao empreendedorismo.

Estatais brasileiras: da glória ao colapso

O setor estatal brasileiro, que deveria representar desenvolvimento estratégico e integração nacional, virou sinônimo de ineficiência.

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, por exemplo, fechou o ano de 2024 com prejuízo de R$ 3,2 bilhões, valor que corresponde à metade do déficit total das estatais federais, que somaram R$ 6,7 bilhões — o pior resultado em 20 anos.

Motivos da crise:

  • Ingerência política na gestão;
  • Baixa produtividade e tecnologia defasada;
  • Estruturas inchadas e modelo de negócios ultrapassado;
  • Dependência do orçamento público.

O resultado é que empresas estatais, antes tratadas como patrimônio nacional, hoje representam um risco fiscal permanente e se tornaram obstáculos ao crescimento sustentável.

Crise tripla: política, fiscal e tributária

O Brasil arrecada mais de R$ 3 trilhões em tributos por ano, mas segue enfrentando problemas básicos de infraestrutura, saúde e educação. Essa contradição se materializa em uma crise estrutural tripla:

Política:

  • Instabilidade institucional constante;
  • Polarização e agendas improvisadas;
  • Intervenções governamentais em empresas públicas e privadas.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Fiscal:

  • Dívida pública em crescimento acelerado;
  • Déficits constantes;
  • Baixa capacidade de investimento do Estado.

Tributária:

  • Sistema confuso e regressivo;
  • Custo elevado para quem produz;
  • Burocracia que desestimula o investimento produtivo.

O ambiente favorece o rentismo e penaliza o empreendedorismo. Afinal, por que abrir um negócio se é possível aplicar em títulos públicos que pagam juros reais acima de 10% ao ano com risco quase nulo?

O feito do Nubank é exceção, não regra

Nubank
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Ao alcançar o posto de empresa mais valiosa do Brasil, o Nubank não apenas simboliza uma conquista empresarial, mas escancara a falência do modelo estatal brasileiro. No entanto, sua ascensão é mais exceção do que tendência.

Mesmo coroada no topo do mercado nacional, a fintech ocupa apenas o 280º lugar entre as maiores empresas do mundo — um indicativo de que o Brasil continua fora dos grandes centros de poder econômico global.

O troféu solitário do capitalismo tropical

O caso do Nubank revela que é possível inovar, crescer e conquistar mercados mesmo em ambientes hostis. Mas também revela o quanto isso exige resiliência, capital estrangeiro e uma boa dose de sorte para contornar os entraves do sistema.

A fintech fundada por David Vélez, Cristina Junqueira e Edward Wible representa o que o Brasil poderia ser — um país aberto à inovação, meritocrático e moderno — mas que ainda se vê preso a um passado de estatais deficitárias e uma estrutura tributária sufocante.

O que falta para o Brasil decolar?

  • Reforma tributária real e simplificação fiscal;
  • Segurança jurídica para investidores;
  • Estabilidade política e regulatória;
  • Fomento ao capital de risco e ao ecossistema de startups;
  • Modernização da máquina pública e das estatais.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados