Com a proximidade da divulgação dos resultados trimestrais da Nvidia, a expectativa do mercado se volta para muito além dos números do período. Segundo análise da Mizuho, o foco dos investidores agora está centrado no que a companhia americana planeja para o médio e longo prazo — especialmente com a nova geração Blackwell e o desempenho na China, após as restrições envolvendo o chip H20.
Mizuho aponta o que os investidores devem observar no balanço da Nvidia
Mizuho analisa expectativas sobre o balanço da Nvidia e o impacto da nova geração Blackwell.
A Nvidia, protagonista na revolução da inteligência artificial e das GPUs de alto desempenho, enfrenta um momento decisivo. As expectativas não giram mais apenas em torno do lucro por ação ou das margens do último trimestre, mas em torno da direção estratégica da empresa diante de um mercado em constante transformação.
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Um balanço que vale mais pelo que promete

De acordo com a Mizuho, “a conclusão clara do feedback dos investidores é: a orientação do trimestre de julho importa muito menos que o normal devido às receitas perdidas do H20 na China”. A declaração reforça que os olhares estão voltados para o que vem a seguir — mais especificamente, para a aceleração na produção dos novos sistemas de rack Blackwell GB200 e para a possível antecipação do reconhecimento de receita ainda no trimestre de outubro.
A leitura do mercado é que, mesmo que os resultados não tragam grandes surpresas no curto prazo, os comentários da diretoria durante a conferência com investidores terão um papel central no comportamento das ações da Nvidia.
Blackwell no centro da estratégia
O Blackwell GB200, considerado o próximo salto tecnológico da Nvidia, é o grande trunfo da companhia para manter sua liderança no segmento de data centers e IA. O aumento da produção desse sistema e sua consequente aceitação no mercado podem ser determinantes para a valorização das ações no segundo semestre de 2025.
Além disso, há uma forte expectativa de que a empresa detalhe como os novos chips estão posicionados para substituir as lacunas deixadas pelo H20 na China. A Mizuho destaca que a GPU B20, voltada ao mercado chinês, pode surgir como uma solução estratégica para compensar perdas e recuperar participação em um dos maiores mercados do mundo.
As ações e a pressão da valorização recente
Embora a Nvidia tenha registrado uma alta de 23% desde 1º de abril, os analistas apontam que o valor de mercado ainda se encontra em patamares similares aos de junho de 2023. Esse comportamento, segundo a Mizuho, transforma a empresa em uma “potencial oportunidade de recuperação”, caso os dados apresentados venham acompanhados de boas perspectivas.
Ainda assim, o otimismo é cauteloso. “começando a se preocupar um pouco com a ação subindo tanto nas últimas semanas antes da divulgação… no nível de preço superior a US$ 130, o cenário definitivamente parece mais difícil em comparação com o nível de US$ 100-110”, avaliou a instituição.
Apesar disso, os analistas reconhecem que a balança pende mais para o lado positivo. “Com uma arma na cabeça, eu preferiria estar comprado do que vendido na ação hoje antes da divulgação”, afirmou a Mizuho, sinalizando confiança no desempenho futuro da empresa.
Margens, avaliação e projeções para 2027
Outro ponto importante no radar dos investidores é a recuperação das margens brutas da companhia. A expectativa é que a Nvidia consiga, em alguns trimestres, retornar aos níveis médios de 70%, o que indicaria uma sólida retomada operacional, especialmente com a consolidação dos novos produtos.
Para o ano fiscal de 2027, a Mizuho estima um lucro por ação (LPA) em torno de US$ 6. Essa projeção, se confirmada, colocaria a Nvidia dentro de uma faixa de avaliação (P/L) de 25 a 30 vezes, considerada atrativa para uma empresa com alto potencial de crescimento em tecnologia e IA.
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China e nova GPU: peças-chave para investidores
O futuro da atuação da Nvidia na China também está entre os fatores mais analisados. A proibição da exportação de determinados chips avançados ao país, como o H20, trouxe incertezas ao desempenho regional da empresa. Contudo, o lançamento da GPU B20 pode ser o movimento de adaptação necessário para manter relevância nesse mercado.
Investidores devem ficar atentos às declarações do CEO e do CFO da Nvidia, que podem detalhar os planos para mitigar os efeitos dessas sanções e, ao mesmo tempo, aproveitar as brechas legais e tecnológicas para continuar crescendo em território chinês.
Expectativas altas exigem entregas consistentes

O cenário geral é de grande expectativa, mas também de necessidade de execução eficiente. A Nvidia chega à divulgação de seus resultados com a missão de provar que continua sendo a líder indiscutível em IA e aceleração gráfica. Para isso, o sucesso do Blackwell, a retomada de receitas na China e a manutenção de margens robustas são ingredientes indispensáveis.
A partir das declarações da Mizuho, torna-se evidente que mais do que os números em si, é o discurso estratégico da empresa que terá o poder de movimentar as ações no curto e médio prazo. Os investidores não buscam apenas bons resultados: eles esperam um plano concreto para um futuro ainda mais promissor.
Com informações de: Investing.com
