Após um hiato de quatro anos sem aquisições, a Olist, uma das principais plataformas de integração para pequenas e médias empresas (PMEs), anuncia a compra da fintech Flip. A operação marca não apenas a retomada das aquisições pela companhia, mas também a entrada decisiva da Olist no mercado de crédito.
Olist compra fintech Flip e acelera entrada no crédito
Após quatro anos, a Olist volta a fazer aquisições com a compra da Flip e inicia oferta de crédito com FDIC de R$ 90 milhões para pequenas empresas.
Além da incorporação da Flip, a Olist estruturou um Fundo de Direitos Creditórios (FDIC) de R$ 90 milhões para financiar operações de antecipação de recebíveis. A expectativa da empresa é oferecer crédito diretamente para sua base de mais de 50 mil clientes nos próximos dois meses.
Leia mais:
WhatsApp deixará de funcionar em celulares antigos a partir de 5 de agosto; confira os modelos
Aquisição reforça a estratégia de integração

Fundadores da Flip se tornam sócios da Olist
O valor da aquisição não foi divulgado. O pagamento será realizado por meio de uma combinação de dinheiro e ações da Olist. Com isso, os fundadores da Flip, Gustavo Traballe e Raphael Levi, tornam-se sócios da empresa e passam a integrar o time executivo da plataforma.
Aceleração do plano de expansão
A transação acelera a estratégia de crescimento da Olist, antecipando em pelo menos três anos o plano de expansão de sua vertical financeira. O crédito, agora elemento central da nova fase, deve figurar entre os três principais produtos da companhia em um futuro próximo.
A trajetória da Flip e seu apelo estratégico
Receita crescente e histórico sólido
A Flip surgiu com um investimento inicial de R$ 10 milhões e nunca recorreu a investidores externos. Em 2024, a empresa alcançou R$ 40 milhões em receita e planejava dobrar esse montante em 2025. Ao longo de sete anos de atuação, originou mais de R$ 1 bilhão em operações de crédito, mantendo um baixo índice de perdas.
Rentabilidade superior a empresas listadas
Para Tiago Dalvi, CEO e fundador da Olist, a rentabilidade da Flip — medida por seu Net Interest Margin (NIM) — supera a de muitas empresas listadas na bolsa. “A Flip tem um modelo enxuto, muito rentável e com profundo conhecimento do comportamento de pequenas empresas”, destaca.
Crédito como motor de sobrevivência das PMEs
Acesso a crédito é a maior dor das empresas
Segundo Dalvi, o maior desafio enfrentado por pequenos e médios negócios é o acesso ao crédito. “O principal motivo de falência entre as empresas é o descompasso de fluxo de caixa”, afirma.
Dados e inteligência a favor dos clientes
A Olist, por integrar diferentes etapas da cadeia — desde vendas até logística e gestão financeira —, possui uma base rica de dados. Informações como sazonalidade, volume de vendas e controle de estoque permitem uma análise mais precisa do risco de crédito. “Temos dados que os bancos tradicionais não têm. E isso faz toda a diferença”, pontua o CEO.
A decisão entre construir ou adquirir
Construir do zero levaria mais tempo
A intenção de atuar diretamente com crédito não é nova dentro da Olist. A dúvida, segundo Tiago, sempre foi se o caminho mais eficaz seria construir a solução do zero ou adquirir uma empresa já consolidada.
“A construção de modelos de crédito de qualidade leva tempo. A aquisição encurta esse processo”, explica. A busca por um ativo começou há cerca de um ano. Após nove meses de conversas, a Flip se mostrou a parceira ideal.
Receita de crédito deve crescer rapidamente
Com a aquisição, o plano de crescimento previsto para cinco anos será comprimido para 12 a 18 meses. A empresa espera que, em até dois anos, a nova vertical de crédito represente metade de sua receita total.
A inspiração de grandes players do mercado

Exemplo de Mercado Livre, Shopify e Toast
O movimento da Olist segue uma tendência global de plataformas SaaS (Software as a Service) incorporarem soluções financeiras diretamente em seus produtos — o chamado fintech embedded.
Exemplos incluem o Mercado Livre, cuja fintech Mercado Pago já representa de 50% a 60% de sua receita. Shopify e Toast também aumentaram significativamente sua rentabilidade ao integrar serviços financeiros. “Esse é o caminho natural para quem já tem uma base sólida e tecnológica”, argumenta Tiago.
Totvs também seguiu esse caminho
A Totvs, gigante brasileira de ERP, também enveredou por esse caminho. Iniciou parcerias com empresas como Creditas, adquiriu a Supplier e, em 2023, formou uma joint venture com o Itaú.
Diferença no modelo da Olist
Solução nativamente integrada
Apesar das semelhanças com movimentos anteriores de mercado, a Olist acredita que seu modelo é único. A grande diferença está na profundidade da integração entre as diferentes áreas da plataforma.
“Estamos propondo algo muito diferente. Nossa oferta é nativamente integrada. Não é uma solução acoplada, mas parte do ecossistema”, reforça Tiago.
Ajustes em tempo real com base em dados
Essa integração permite, por exemplo, que a plataforma acompanhe o ciclo de vida do cliente, ajustando os limites de crédito com base em indicadores reais e atualizados.
De marketplace à plataforma completa
Crescimento por aquisições anteriores
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Fundada há cerca de 10 anos como uma ferramenta para vendedores em marketplaces, a Olist passou por uma transformação profunda. Entre 2020 e 2021, adquiriu a TinyERP, Vnda e PAX, expandindo para áreas como ERP e logística.
Lançamento da vertical financeira
Há um ano e meio, a empresa lançou sua vertical financeira, com conta digital e sistema de pagamentos integrados. Hoje, mais de R$ 5 bilhões passam mensalmente pela plataforma — o que representa entre 6% e 7% de todo o varejo brasileiro.
Novo momento da companhia
Com esse volume e estrutura, a Olist atingiu, segundo seu CEO, a fase mais madura da história da empresa. “Temos o melhor produto, um time muito alinhado e um ecossistema completíssimo. Agora é seguir acelerando”, diz Tiago.
Os próximos passos
Crédito disponível em até 60 dias
Nos próximos meses, a empresa pretende disponibilizar a contratação de crédito diretamente pela plataforma. A expectativa é oferecer taxas mais competitivas e prazos mais adequados à realidade das PMEs.
Novos produtos financeiros no radar
Além disso, a empresa deve ampliar os recursos do FDIC e diversificar as linhas de crédito disponíveis, com produtos específicos para antecipação de vendas, capital de giro e expansão de negócios.
Olist mira rentabilidade com escala

Crédito com margens mais altas
A aposta da Olist é que o crédito, além de resolver uma dor urgente dos clientes, traga margens superiores à média da empresa. “Essa vertical tem potencial para representar uma parte significativa do nosso lucro operacional”, diz Tiago.
Redução do custo de aquisição de cliente
O modelo de fintech embedded tende a ser mais rentável porque aproveita estruturas já existentes e reduz custos de aquisição de cliente. A Olist, por já ter relacionamento com seus usuários, não precisará gastar grandes somas para captar tomadores de crédito.
Expansão do valuation no horizonte
Nos bastidores, a empresa também já trabalha com projeções que indicam que a nova frente pode dobrar o valuation da companhia nos próximos anos.
Conclusão: um novo ciclo para a Olist
Com a aquisição da Flip, a Olist entra em uma nova fase de sua história. A entrada no mercado de crédito reforça a tese de que as plataformas mais bem-sucedidas serão aquelas capazes de oferecer soluções integradas, alinhadas à realidade de seus clientes.
Em um momento em que o crédito continua escasso para PMEs, a aposta da Olist pode se transformar em diferencial competitivo e impulsionar sua liderança no setor.
Pode ser do seu interesse:
