O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou nesta semana um relatório que lança luz sobre um cenário alarmante: o progresso humano global encontra-se estagnado. Pela primeira vez em 35 anos, o crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) registrou o menor avanço desde o início das medições em 1990.
IA pode salvar o progresso humano? Veja o que diz novo relatório da ONU
ONU revela estagnação no progresso humano e aponta a inteligência artificial como chave para retomar o desenvolvimento. Saiba mais aqui!!
Apesar do panorama preocupante, o relatório sugere que a inteligência artificial (IA) pode ser uma ferramenta poderosa para reverter esse cenário. Mas, segundo a ONU, tudo depende de como essa tecnologia será usada e em quais áreas será aplicada.

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ONU: Estagnação histórica no desenvolvimento humano
Números que preocupam
O relatório de 2025, intitulado “Uma questão de escolha: pessoas e possibilidades na era da Inteligência Artificial“, revela que, mesmo após a pandemia de Covid-19, não houve a esperada retomada no avanço do IDH. Ao contrário: os dados mostram que a recuperação foi fraca e desigual.
O Índice de Desenvolvimento Humano, que considera indicadores de saúde, educação e renda, ficou praticamente estagnado em 2024. Em algumas regiões, como África Subsaariana e partes da Ásia, houve até retrocessos.
Desigualdade crescente
A estagnação não atinge todos da mesma forma. Países de IDH elevado conseguiram manter padrões razoáveis, mas os países de baixo e médio desenvolvimento enfrentam quedas acentuadas e sucessivas desde 2020.
Segundo o PNUD, essa disparidade entre países ricos e pobres aumentou pelo quarto ano consecutivo, aprofundando a desigualdade global. Esse abismo ameaça metas globais como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), cuja conclusão está prevista para 2030.
Inteligência artificial como agente de transformação
Potencial reconhecido pela ONU
O relatório do PNUD enfatiza que a IA pode ser uma ferramenta estratégica para reverter esse cenário. O administrador do programa, Achim Steiner, afirmou que “as escolhas que fazemos com a IA podem reacender o desenvolvimento humano e abrir novos caminhos”.
Segundo ele, a IA pode não ser uma solução mágica, mas pode gerar oportunidades reais, principalmente nos países em desenvolvimento — desde que acompanhada por políticas públicas sólidas.
Percepção pública sobre a IA
Os dados coletados pelo relatório mostram que a sociedade global já está relativamente familiarizada com a inteligência artificial. Veja alguns destaques:
- 1 em cada 5 entrevistados já utiliza IA em sua rotina;
- 50% acreditam que seus empregos podem ser automatizados;
- 60% veem impactos positivos da IA no mercado de trabalho;
- 13% têm medo de perder o emprego por causa da IA;
- Nos países com IDH baixo ou médio, 70% esperam ganhos de produtividade com IA.
Esses dados indicam uma abertura significativa da população mundial para a implementação da IA, desde que esta atue como aliada — e não substituta — da força de trabalho humana.
Três pilares para uma implementação eficaz
1. Colaboração entre humanos e IA
O relatório propõe um modelo de colaboração, e não competição, entre humanos e máquinas. A IA deve ser usada para ampliar capacidades humanas, e não para substituí-las por completo.
Nesse modelo, a tecnologia automatiza tarefas operacionais enquanto os humanos assumem funções estratégicas e criativas, aproveitando o melhor dos dois mundos.
2. Humanos no centro do ciclo de vida da IA
Outro ponto defendido pelo PNUD é que os seres humanos devem estar presentes em todas as etapas de desenvolvimento e uso da IA — desde a criação dos algoritmos até sua aplicação em serviços.
Essa abordagem garante que os sistemas sejam mais éticos, inclusivos e eficazes, além de reduzir vieses discriminatórios ainda comuns em sistemas automatizados.
3. Modernização de educação e saúde
A IA deve ser uma aliada na transformação dos sistemas públicos, como educação e saúde. Nos próximos anos, espera-se uma reestruturação desses setores com uso intensivo de IA para diagnóstico, triagem, ensino adaptativo e personalização do aprendizado.
Para isso, é necessário investir em infraestrutura tecnológica, formação de profissionais e marcos regulatórios que priorizem a equidade de acesso.
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Riscos e cuidados necessários
Acesso desigual à tecnologia
Apesar do potencial promissor, o relatório alerta que o acesso à IA ainda é muito desigual. Em regiões menos desenvolvidas, a falta de conectividade, educação tecnológica e investimento público pode impedir os benefícios esperados.
Sem uma estratégia global que leve essas desigualdades em conta, a IA corre o risco de ampliar ainda mais as diferenças entre ricos e pobres.
Ética e segurança
Outro ponto importante é o cuidado com a ética. A IA deve ser transparente, auditável e supervisionada por humanos. A ONU recomenda que cada país desenvolva um código de conduta próprio, seguindo diretrizes internacionais, para garantir que a tecnologia sirva ao bem coletivo.
O papel do Brasil nesse cenário
País tem vantagens estratégicas
O Brasil pode ser um dos protagonistas dessa transformação digital. Com uma população jovem, crescente número de startups e políticas públicas voltadas à transformação digital, o país possui elementos favoráveis para liderar em setores como educação, saúde e agricultura com IA.
Políticas públicas em andamento
Iniciativas como o Plano Nacional de Inteligência Artificial, lançado em 2021, e os recentes investimentos em conectividade para escolas e postos de saúde indicam que o país está se preparando para essa transição.
Contudo, especialistas alertam que o Brasil ainda precisa avançar em áreas como formação de mão de obra qualificada e regulação.

O novo relatório da ONU traz um diagnóstico claro: o progresso humano está ameaçado. Mas ele também aponta caminhos para a recuperação, e a inteligência artificial é uma das ferramentas mais poderosas à disposição da humanidade.
Com a abordagem certa — centrada no ser humano, ética, inclusiva e orientada por políticas públicas — a IA pode ser o motor que levará o mundo a um novo patamar de desenvolvimento. O futuro ainda é uma questão de escolha — e as decisões precisam começar agora.
