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Aposentados afetados por descontos ilegais do INSS receberão devolução

Após operação da PF que revelou fraudes bilionárias no INSS, CGU anuncia que os descontos indevidos serão devolvidos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Débito automático

Um dia após a operação da Polícia Federal que resultou na prisão de seis pessoas e no afastamento do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o governo federal se posicionou oficialmente sobre os próximos passos. Em coletiva realizada na tarde de quinta-feira, 24 de abril, o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, anunciou que os descontos irregulares feitos em pensões e aposentadorias serão devolvidos aos beneficiários.

A ação da PF e da CGU escancarou um esquema bilionário de cobranças indevidas ligadas a associações de aposentados, atingindo milhares de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social em todo o Brasil. A promessa de restituição parcial imediata e análise profunda dos valores cobrados nos últimos anos reacende o debate sobre transparência e proteção dos direitos dos idosos e pensionistas.

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INSS
Imagem: Freepik e Canva

Primeira devolução será feita já em maio

Durante a entrevista, o ministro Vinicius de Carvalho foi enfático ao afirmar que os valores descontados indevidamente neste mês de abril não serão repassados às associações e serão devolvidos já na folha de pagamento de maio.

“Os recursos descontados dos aposentados que iriam para as associações em maio já não vão para as associações. Esses recursos vão ser retidos e, na próxima folha de pagamento, serão restituídos aos aposentados”, declarou o ministro.

Esse processo, segundo a CGU, será automático para todos os casos identificados como irregulares, sem a necessidade de requerimento por parte dos beneficiários.

Valores anteriores também serão analisados

Além da devolução dos descontos recentes, o governo também planeja restituir valores cobrados indevidamente entre os anos de 2019 e 2024. No entanto, neste caso, não há prazo definido para o ressarcimento.

Carvalho explicou que será necessário um levantamento minucioso para verificar cada desconto realizado e confirmar se havia ou não autorização expressa do aposentado ou pensionista.

Esquema pode ter desviado mais de R$ 6 bilhões

A estimativa atual da CGU e da Polícia Federal é de que o esquema tenha causado prejuízo superior a R$ 6,3 bilhões em cinco anos. Os valores foram descontados diretamente dos benefícios pagos pelo INSS e repassados a entidades associativas que, em muitos casos, não tinham qualquer vínculo legítimo com os beneficiários.

As investigações apontam que muitos aposentados sequer tinham conhecimento de que estavam associados a essas entidades, nem autorizaram formalmente a cobrança das mensalidades.

Entenda a operação da Polícia Federal

Imagem de uma viatura da Polícia Federal.
Imagem: Celso Pupo / Shutterstock.com

A operação foi deflagrada na quarta-feira, 23 de abril, e mobilizou agentes da Polícia Federal em diversos estados. Seis pessoas foram presas, incluindo dirigentes de entidades e servidores públicos. O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo por decisão judicial pela manhã e demitido por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim do mesmo dia.

A investigação revelou que havia um conluio entre agentes públicos e dirigentes de entidades associativas, que se beneficiavam de termos de cooperação com o INSS para realizar os descontos diretamente na folha dos aposentados.

Como funcionava o golpe

O esquema consistia em incluir, sem consentimento, milhares de aposentados e pensionistas em associações que ofereciam supostos benefícios como assessoria jurídica, descontos em farmácias ou planos funerários. Os valores, que variavam de R$ 10 a R$ 50 mensais, eram descontados diretamente no pagamento dos benefícios e repassados às entidades.

As vítimas, em sua maioria idosos, só percebiam os descontos ao consultar extratos detalhados ou ao notar redução no valor mensal recebido.

Governo suspende todos os termos de cooperação com entidades

Como resposta imediata à operação, o governo federal suspendeu todos os termos de cooperação firmados entre o INSS e entidades de classe que permitiam a realização de descontos em folha. A medida vale até segunda ordem.

“A partir do próximo mês, aposentados e pensionistas não devem ter descontos de quaisquer mensalidades nas suas folhas de pagamento”, anunciou Vinicius de Carvalho.

A suspensão visa evitar que novas cobranças indevidas sejam realizadas enquanto o pente-fino nas autorizações e nos contratos não for concluído.

Como saber se você foi afetado pelos descontos indevidos

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A recomendação para aposentados e pensionistas é verificar o extrato de pagamento do benefício, acessando o portal Meu INSS ou o aplicativo oficial. No extrato, é possível visualizar todas as deduções feitas, incluindo:

  • Empréstimos consignados;
  • Descontos de associações;
  • Contribuições sindicais;
  • Mensalidades assistenciais.

Caso o beneficiário identifique alguma cobrança que não reconhece, é possível registrar reclamação pelo próprio aplicativo, pelo telefone 135 ou em uma agência do INSS.

Dicas para evitar fraudes e descontos indesejados

  • Nunca forneça seus dados pessoais a desconhecidos;
  • Leia com atenção todos os documentos antes de assinar;
  • Não aceite propostas de associações sem pesquisar a idoneidade da entidade;
  • Monitore mensalmente seu extrato de pagamento.

Reações no Congresso e na sociedade

A operação repercutiu de forma intensa entre parlamentares, entidades de defesa do consumidor e organizações de apoio aos idosos. A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social anunciou que vai propor mudanças legislativas para proibir definitivamente o desconto de mensalidades associativas em benefícios do INSS, a não ser com autorização presencial e documentada.

Já entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e o Procon-SP alertam que a prática constitui abuso e recomendam que as vítimas guardem todos os documentos que comprovem os descontos indevidos.

O que esperar nos próximos meses

INSS
Imagem: Freepik e Canva

A CGU deve conduzir, em parceria com o INSS e a PF, uma auditoria completa para identificar todas as entidades envolvidas, determinar os responsáveis e garantir a devolução integral dos valores cobrados indevidamente. O processo pode levar meses, dada a dimensão da fraude e o volume de registros a serem analisados.

Enquanto isso, os aposentados devem se manter atentos aos extratos e buscar orientação em caso de dúvidas ou suspeitas de irregularidade.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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