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Empresário investigado no escândalo do INSS diz: “O que a gente ganhava nem multinacional ganha”

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Novas revelações sobre a Operação Sem Desconto colocaram no centro da investigação empresários ligados a associações que recebiam mensalidades descontadas diretamente de aposentadorias e pensões do INSS. Entre os investigados está Igor Dias Delecrode, ex-dirigente da Associação de Amparo ao Aposentado e Pensionista (AASAP).

O caso ganhou novo destaque após a divulgação, em setembro de 2026, de trechos de uma gravação obtida pelo Estadão. Segundo a reportagem, o vídeo registra uma conversa ocorrida em maio de 2025 na qual Delecrode e Anderson Cordeiro Vasconcelos discutem valores movimentados pelas entidades e possíveis investimentos. As defesas citadas na reportagem contestam a utilização das gravações e afirmam desconhecer sua autenticidade.

A investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários. A PF informou, em julho de 2026, que a apuração envolve suspeitas de organização criminosa, estelionato previdenciário e ocultação ou dilapidação patrimonial.

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O que a investigação descobriu sobre os descontos

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O mecanismo investigado dependia de acordos de cooperação técnica firmados entre entidades associativas e o INSS. Esses instrumentos permitiam que mensalidades fossem descontadas diretamente dos benefícios dos aposentados e pensionistas que supostamente haviam aderido às associações.

O problema identificado pela CGU foi a existência de um número elevado de beneficiários que afirmaram nunca ter autorizado os débitos.

Em auditoria realizada com 1.273 aposentados e pensionistas, 1.242 pessoas, ou 97,6%, disseram não ter autorizado os descontos. Além disso, 95,9% afirmaram não participar de associação. Os dados foram obtidos em entrevistas realizadas pela CGU em todas as unidades da Federação.

A auditoria também apontou problemas na documentação apresentada por parte das entidades. Em material oficial sobre a operação, a CGU informou que examinou 29 entidades com acordos de cooperação e identificou, entre outros problemas, que 70% delas não haviam entregado documentação completa ao INSS.

Quem são os empresários chamados de “Golden Boys”

Igor Dias Delecrode aparece nas investigações associado a outras três pessoas: Felipe Macedo Gomes, Anderson Cordeiro Vasconcelos e Américo Monte Jr.

Segundo informações apresentadas à CPMI do INSS e reportagens sobre a investigação, os quatro estiveram ligados às entidades AASAP, Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev e ANDAPP. Juntas, essas associações são apontadas como responsáveis por movimentar aproximadamente R$ 700 milhões em mensalidades associativas.

É importante destacar que os valores e vínculos fazem parte de investigações e acusações ainda submetidas à apuração das autoridades. Ser investigado ou ser alvo de medidas judiciais não equivale a uma condenação criminal definitiva.

O grupo passou a ser chamado de “Golden Boys” em reportagens que acompanharam a operação, em referência ao patrimônio e ao padrão de consumo atribuído aos empresários. Em uma operação realizada em maio de 2026, a PF apreendeu uma frota de 29 veículos avaliada em cerca de R$ 27,7 milhões, segundo informações divulgadas pela imprensa.

O que aparece nas gravações divulgadas

A reportagem do Estadão, reproduzida por outros veículos em 21 de setembro de 2026, afirma ter obtido aproximadamente 30 minutos de imagens de câmeras instaladas em um apartamento.

Em determinado trecho, Delecrode fala sobre o volume de dinheiro obtido em relação ao investimento inicial atribuído às atividades das entidades. Em outro momento, os participantes conversam sobre a possibilidade de utilizar recursos em outros negócios, incluindo franquias.

As declarações precisam ser analisadas dentro do contexto da investigação e não constituem, isoladamente, prova de responsabilidade criminal. A defesa dos empresários afirmou desconhecer a existência, autenticidade e integridade dos vídeos e questionou a forma como eventual material teria sido obtido.

Como os descontos chegavam aos aposentados

A estrutura investigada funcionava a partir da autorização para que determinadas associações recebessem mensalidades diretamente dos benefícios previdenciários.

Quando o desconto era registrado no benefício, o valor era retirado antes que o aposentado recebesse integralmente sua renda mensal. Segundo a auditoria da CGU, uma parcela expressiva dos entrevistados sequer reconhecia a associação responsável pela cobrança.

O problema ganhou dimensão nacional porque os descontos foram realizados em benefícios de pessoas que dependem da aposentadoria ou pensão para despesas básicas. A própria CGU informou que, após as apurações, o INSS suspendeu os acordos vigentes e os descontos vinculados a eles a partir do fim de abril de 2025.

O que aconteceu com o dinheiro

A investigação também busca esclarecer o destino dos valores recebidos pelas entidades.

Segundo informações apresentadas durante a CPMI e reportagens sobre o caso, parte dos recursos teria sido transferida para empresas relacionadas aos empresários e pessoas próximas. As autoridades investigam se essas operações tiveram como finalidade ocultar ou desviar recursos provenientes dos descontos.

A PF confirmou que a Operação Sem Desconto também apura justamente possíveis mecanismos de ocultação e dilapidação patrimonial. Em julho de 2026, uma nova ordem judicial foi cumprida contra um dos investigados com o objetivo declarado de descapitalizar um dos principais alvos da investigação.

A investigação continua em 2026

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A Operação Sem Desconto não terminou com as primeiras ações realizadas em 2025. A PF e a CGU continuaram realizando diligências, enquanto o caso passou a tramitar também no Supremo Tribunal Federal.

Em março de 2026, o STF autorizou uma nova fase da operação no Distrito Federal e no Ceará, envolvendo medidas contra investigados por suposta organização criminosa relacionada aos descontos indevidos.

Em julho, a Polícia Federal voltou a cumprir mandado de busca e apreensão no Distrito Federal. A corporação informou que a medida foi autorizada pelo STF e fazia parte das investigações sobre os descontos não autorizados.

Para os aposentados, o caso também produziu mudanças práticas. O INSS criou mecanismos para que beneficiários consultem descontos associativos, contestem cobranças não reconhecidas e solicitem restituição. O governo federal informou ainda que o acordo de ressarcimento já havia devolvido bilhões de reais a milhões de beneficiários.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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