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INSS sob investigação: PF deflagra nova fase de operação em oito estados

PF investiga fraudes em descontos ilegais no INSS. Operação Sem Desconto cumpre mandados em oito estados. Saiba detalhes.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Bradesco INSS

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) uma nova etapa da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A ação ocorre em oito estados e no Distrito Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), e visa aprofundar as investigações sobre crimes de organização criminosa, inserção de dados falsos em sistemas públicos e lavagem de dinheiro.

Segundo informações divulgadas pela PF, estão sendo cumpridos 66 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, foram bloqueados cerca de R$ 400 milhões em bens de dezenas de pessoas físicas envolvidas nas apurações.

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Estados envolvidos e foco da operação

Fraude PF
Imagem: Reprodução / Polícia Federal

As diligências desta nova fase da operação estão sendo realizadas em São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia, além do Distrito Federal.

De acordo com a PF, o objetivo é coletar novas provas e identificar a extensão das fraudes. As investigações apontam que descontos associativos não autorizados foram aplicados sobre benefícios previdenciários pagos pelo INSS, afetando milhares de aposentados e pensionistas em todo o país.

A corporação destaca que o esquema envolvia entidades e sindicatos que se apresentavam como representantes de aposentados, mas realizavam cobranças sem consentimento dos beneficiários.

Envolvimento de entidades ligadas a aposentados

Um dos locais de busca desta quinta-feira é a sede do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), em São Paulo. Segundo a PF, a medida visa esclarecer a participação de dirigentes da entidade em possíveis irregularidades.

O vice-presidente do sindicato, Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não é investigado nem teve mandado expedido contra si.

Entretanto, outros diretores do Sindnapi estão entre os alvos das diligências, incluindo o presidente Milton Baptista de Souza Filho, que também deve prestar depoimento à CPMI do INSS nesta quinta-feira (9), em Brasília.

Reação do sindicato e posicionamento oficial

Em nota à imprensa, o Sindnapi afirmou ter recebido com “surpresa” o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua sede e nas residências de dirigentes.

A entidade declarou que seus advogados ainda não tiveram acesso ao inquérito nem aos fundamentos que embasaram as medidas judiciais, mas garantiu “repúdio e indignação” a qualquer acusação de irregularidade.

“O sindicato comprovará a lisura e legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e o respeito que são devidos”, diz o comunicado.

O Sindnapi reforçou ainda que não houve prática de delitos na administração atual e que seus dirigentes estão colaborando com as autoridades.

Entenda o caso: origem da Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto foi deflagrada inicialmente em abril de 2024, após denúncias sobre descontos indevidos de mensalidades associativas aplicados em benefícios previdenciários do INSS sem autorização dos titulares.

A investigação conjunta da PF e CGU identificou a existência de uma rede de entidades e associações que atuavam para inserir cobranças fraudulentas diretamente nos contracheques de aposentados e pensionistas.

O esquema teria movimentado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, segundo estimativas oficiais. À época, seis servidores públicos foram afastados por envolvimento nas irregularidades.

Essas descobertas levaram à criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional, que apura a participação de agentes públicos e representantes de sindicatos nos desvios.

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Como funcionava o esquema de fraudes no INSS

De acordo com as investigações, o golpe se dava por meio de cadastros falsos inseridos em sistemas oficiais de benefícios do INSS.

Esses registros permitiam a cobrança de taxas associativas e contribuições mensais sem a anuência dos beneficiários. Em muitos casos, os aposentados só percebiam os descontos ao consultar o extrato bancário.

Os valores variavam de R$ 10 a R$ 50 por mês, mas o grande volume de beneficiários afetados resultou em bilhões desviados ao longo dos anos.

As fraudes, segundo a PF, eram dificultadas de detectar, pois as cobranças apareciam sob nomenclaturas genéricas, dificultando a identificação de sua origem.

Medidas de bloqueio e rastreamento de valores

bolsonaro fraude no inss
Imagem gerada por IA/ Seu Crédito Digital

O bloqueio de R$ 400 milhões em bens e contas bancárias tem o objetivo de garantir a restituição dos prejuízos ao erário e aos beneficiários do INSS.

Os investigadores afirmam que os valores confiscados pertencem a pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema, incluindo dirigentes sindicais e intermediários financeiros.

A PF destacou que continua realizando cruzamento de dados bancários e fiscais para identificar possíveis fluxos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

Com informações de: Agência Brasil

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Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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