O Brasil chegou a 2026 com 255 pessoas donas de patrimônios estimados em pelo menos R$ 1 bilhão. Juntas, elas concentram R$ 1,86 trilhão, valor superior ao orçamento anual de diversas áreas essenciais do país somadas.
Pelo quarto ano consecutivo, Eduardo Saverin aparece na primeira posição. Cofundador do Facebook e atualmente investidor de empresas de tecnologia, ele possui uma fortuna estimada em R$ 162,9 bilhões.
A lista mostra, porém, muito mais do que uma disputa por posições. Ela revela quais setores mais produziram grandes fortunas no Brasil, como tecnologia, bancos, bebidas, mineração, cosméticos e agronegócio.
Também é importante entender que os valores não representam dinheiro parado em contas bancárias. A maior parte dessas fortunas está vinculada a ações, participações societárias, fundos e empresas privadas, cujos preços podem mudar rapidamente.
Leia mais:
Brasil mantém distância de países ricos em renda por hora trabalhada
Quem é o brasileiro mais rico em 2026?

Eduardo Saverin permanece como o brasileiro mais rico em 2026, segundo a lista nacional da Forbes. Seu patrimônio foi calculado em R$ 162,9 bilhões.
Nascido em São Paulo, Saverin ficou conhecido mundialmente por participar da criação do Facebook ao lado de Mark Zuckerberg, Dustin Moskovitz, Chris Hughes e outros estudantes de Harvard.
O empresário ajudou a financiar a operação inicial da rede social em 2004. Após divergências com Zuckerberg, sua participação foi reduzida, provocando uma disputa judicial encerrada por meio de acordo.
Mesmo com uma fatia minoritária, Saverin se beneficiou da valorização do Facebook e, posteriormente, da Meta, grupo que controla Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads.
Atualmente, ele vive em Singapura e também atua como investidor de capital de risco. Por meio da B Capital, aplica recursos em empresas de tecnologia com potencial de crescimento acelerado.
Os 10 brasileiros mais ricos em 2026
A lista reúne empresários, herdeiros e investidores ligados a alguns dos maiores grupos econômicos do Brasil e do exterior. Os valores são estimativas e podem variar conforme o desempenho das empresas, das bolsas e do câmbio.
Segundo a Forbes Brasil, estes são os dez maiores patrimônios do país:
- Eduardo Saverin: R$ 162,9 bilhões;
- Vicky Safra e família: R$ 130,6 bilhões;
- Jorge Paulo Lemann e família: R$ 103,5 bilhões;
- André Esteves: R$ 66,1 bilhões;
- Fernando Roberto Moreira Salles: R$ 50,3 bilhões;
- Pedro Moreira Salles: R$ 46,6 bilhões;
- Max Van Hoegaerden Herrmann Telles: R$ 38,8 bilhões;
- Miguel Krigsner: R$ 35,7 bilhões;
- Carlos Alberto da Veiga Sicupira e família: R$ 35,4 bilhões;
- Ricardo Castellar de Faria: R$ 35,1 bilhões.
Somados, os dez primeiros possuem aproximadamente R$ 705 bilhões. O valor corresponde a cerca de 38% de toda a riqueza atribuída aos 255 bilionários do levantamento.
De onde vêm as maiores fortunas do Brasil?
Embora todos apareçam classificados como bilionários, os patrimônios foram construídos de maneiras diferentes. Alguns nasceram de empresas criadas pelos próprios empresários, enquanto outros envolvem heranças e participações familiares acumuladas durante décadas.
Eduardo Saverin: tecnologia e capital de risco
A maior parte da fortuna de Saverin está relacionada à participação que ele preservou no Facebook. A abertura de capital da empresa, realizada em 2012, permitiu ao mercado atribuir um preço público às ações.
Nos anos seguintes, a expansão da Meta e a valorização dos ativos tecnológicos aumentaram o patrimônio do brasileiro. Seus investimentos em startups por meio da B Capital também contribuíram para diversificar suas fontes de riqueza.
Vicky Safra: patrimônio de uma dinastia bancária
Vicky Safra e seus filhos aparecem na segunda posição, com R$ 130,6 bilhões. A fortuna está ligada ao Banco Safra e aos negócios internacionais construídos pela família ao longo de várias gerações.
A trajetória dos Safra no setor financeiro começou no Oriente Médio, ainda no século XIX. A família chegou ao Brasil na década de 1950 e transformou o banco em uma instituição com atuação nacional e internacional.
Após a morte de Joseph Safra, em 2020, o patrimônio foi dividido entre a viúva e os filhos. Por isso, o levantamento apresenta a riqueza de Vicky associada à família.
Jorge Paulo Lemann: bebidas e investimentos globais
Jorge Paulo Lemann ocupa o terceiro lugar, com patrimônio de R$ 103,5 bilhões. Sua fortuna está relacionada principalmente à 3G Capital e à participação na AB InBev, uma das maiores fabricantes de bebidas do mundo.
Ao lado de Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, Lemann construiu um modelo de investimentos baseado na compra, expansão e reorganização de grandes empresas.
O grupo participou de operações envolvendo Ambev, Burger King, Heinz e outras marcas internacionais. Lemann também esteve entre os principais acionistas da Americanas, empresa que entrou em recuperação judicial após a descoberta de inconsistências contábeis bilionárias.
André Esteves: expansão do BTG Pactual
André Esteves aparece em quarto lugar, com R$ 66,1 bilhões. Sua trajetória está diretamente ligada ao crescimento do BTG Pactual.
Esteves iniciou a carreira no antigo Banco Pactual, onde entrou como analista de sistemas e posteriormente se tornou sócio. Depois da venda da instituição ao UBS, ele fundou a BTG Investments e recomprou o banco.
A valorização das ações do BTG Pactual e sua participação no controle explicam grande parte do patrimônio estimado.
Irmãos Moreira Salles: bancos e mineração
Fernando Roberto Moreira Salles e Pedro Moreira Salles ocupam, respectivamente, a quinta e a sexta posições.
A riqueza da família tem origem no Unibanco, instituição fundada a partir dos negócios bancários conduzidos por Walther Moreira Salles. Em 2008, o banco se uniu ao Itaú, formando o Itaú Unibanco.
Os irmãos também possuem participação na Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, a CBMM, uma das principais produtoras mundiais de nióbio. O metal é usado para aumentar a resistência de ligas aplicadas em automóveis, oleodutos, construção civil e equipamentos industriais.
Max Telles: nova geração da 3G Capital
Max Van Hoegaerden Herrmann Telles ocupa a sétima posição, com R$ 38,8 bilhões. Ele é filho de Marcel Herrmann Telles, um dos fundadores da 3G Capital ao lado de Lemann e Sicupira.
O patrimônio está relacionado principalmente à participação familiar na AB InBev. A presença de Max no ranking representa uma transferência de riqueza entre gerações, fenômeno que tende a ganhar espaço nas próximas listas.
Miguel Krigsner: crescimento do Grupo Boticário
Miguel Krigsner ocupa o oitavo lugar, com R$ 35,7 bilhões. Diferentemente das fortunas ligadas a bancos e investimentos financeiros, seu patrimônio nasceu no setor de cosméticos.
O empresário abriu uma pequena farmácia de manipulação em Curitiba, em 1977. O negócio evoluiu para O Boticário e, posteriormente, para um grupo que reúne diferentes marcas e milhares de pontos de venda.
A expansão pelo sistema de franquias foi decisiva. Nesse modelo, empreendedores independentes operam unidades da marca mediante regras comerciais e pagamento de taxas.
Carlos Sicupira: AB InBev e 3G Capital
Carlos Alberto Sicupira aparece na nona posição, com R$ 35,4 bilhões. Sua fortuna está concentrada em ações da AB InBev e investimentos realizados pela 3G Capital.
Conhecido como Beto Sicupira, ele começou a trabalhar com Lemann na antiga corretora Garantia. Posteriormente, participou da compra das Lojas Americanas e da formação do grupo de bebidas que daria origem à Ambev.
Ricardo Faria: agronegócio e produção de ovos
Ricardo Castellar de Faria fecha o grupo dos dez mais ricos, com R$ 35,1 bilhões. Fundador da Granja Faria e CEO da Global Eggs, ele construiu sua fortuna no setor de produção de ovos.
O empresário ganhou posições após ampliar seus negócios no Brasil e no exterior. Em 2026, passou da 21ª para a décima colocação, com o patrimônio praticamente dobrando.
Sua entrada no top 10 mostra o peso crescente do agronegócio na formação de grandes fortunas brasileiras.
Como a Forbes calcula o patrimônio dos bilionários?
A Forbes estima quanto valem os ativos controlados por cada pessoa ou família. O cálculo pode considerar ações negociadas em Bolsa, participações em empresas fechadas, imóveis relevantes e outros investimentos conhecidos.
Quando a empresa possui ações públicas, a avaliação utiliza a cotação do mercado em uma data de referência. Se uma pessoa controla 10% de uma companhia avaliada em R$ 20 bilhões, por exemplo, essa participação pode representar aproximadamente R$ 2 bilhões antes de descontos e dívidas.
Para empresas fechadas, a estimativa é mais complexa. São analisados resultados financeiros, operações recentes, participação societária e o valor de companhias semelhantes.
Também podem ser descontadas dívidas conhecidas. Como nem todo patrimônio privado é público, os números devem ser entendidos como estimativas fundamentadas, e não como saldos exatos.
Ter uma fortuna bilionária significa possuir tudo em dinheiro?
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Não. Um empresário com patrimônio estimado em R$ 50 bilhões não costuma ter esse valor disponível para saque imediato.
Grande parte da riqueza está imobilizada em ações e participações empresariais. Para transformar todos esses ativos em dinheiro, seria necessário vendê-los, o que poderia derrubar o preço e gerar impostos e outros custos.
Essa diferença explica por que uma fortuna pode subir ou cair bilhões em apenas um dia. Quando as ações de determinada empresa se valorizam, a participação do acionista passa a valer mais, mesmo que ele não tenha vendido nenhum papel.
O câmbio também influencia rankings divulgados em reais. Se uma fortuna é formada por ativos cotados em dólares e a moeda norte-americana se valoriza, o patrimônio convertido para reais tende a crescer.
O que mudou na lista de bilionários em 2026?
Dos 255 integrantes do levantamento, 151 aumentaram seus patrimônios, o equivalente a 59,2% do total. Outros 77, ou 30,2%, ficaram menos ricos, enquanto 27 mantiveram valores semelhantes.
A lista também recebeu cinco novos integrantes. A entrada de nomes depende tanto da criação de riqueza quanto da divulgação de participações empresariais que antes não estavam suficientemente documentadas.
Entre os dez primeiros, Ricardo Faria registrou o movimento mais expressivo, saltando da 21ª para a décima colocação. Carlos Sicupira foi o único integrante do top 10 a perder posições, recuando do sexto para o nono lugar.
O ranking mostra um Brasil mais rico?
O crescimento do patrimônio dos bilionários não significa, necessariamente, que a renda da população tenha avançado na mesma proporção.
A valorização de ações e empresas pode elevar rapidamente a riqueza de quem possui grandes participações societárias. Já a renda dos trabalhadores depende de salários, emprego, inflação e produtividade.
O ranking mede a concentração patrimonial de um grupo específico. Ele não substitui indicadores como Produto Interno Bruto, renda per capita, distribuição de renda e Índice de Gini.
Ainda assim, a lista ajuda a entender a estrutura econômica brasileira. Bancos, mineração, bebidas e negócios familiares continuam relevantes, enquanto tecnologia e agronegócio ganham espaço.
Por que tantos bilionários brasileiros vivem no exterior?
Vários integrantes da lista residem em países como Singapura, Suíça e Estados Unidos. As razões podem envolver negócios internacionais, planejamento sucessório, qualidade de vida e questões tributárias.
Morar fora, porém, não elimina automaticamente a nacionalidade brasileira nem a ligação patrimonial com empresas do país.
A residência fiscal é uma condição diferente da cidadania. Ela define em qual país a pessoa está sujeita a determinadas obrigações tributárias, de acordo com as leis locais e os tratados aplicáveis.
Perguntas frequentes

Quem é a pessoa mais rica do Brasil em 2026?
Eduardo Saverin ocupa a primeira posição, com patrimônio estimado em R$ 162,9 bilhões. Sua fortuna está ligada à Meta e aos investimentos realizados pela B Capital.
Quem é a mulher mais rica do Brasil?
Vicky Safra é a mulher mais rica do país. O patrimônio atribuído a ela e à família chega a R$ 130,6 bilhões e tem origem principalmente no Banco Safra.
Quantos bilionários existem no Brasil?
A lista brasileira da Forbes de 2026 reúne 255 pessoas com patrimônio estimado acima de R$ 1 bilhão.
Quanto possuem os bilionários brasileiros juntos?
Os 255 integrantes concentram um patrimônio estimado em R$ 1,86 trilhão.
A fortuna dos bilionários fica guardada no banco?
Não. A maior parte está vinculada a ações, empresas, imóveis e outros investimentos. O patrimônio não equivale a dinheiro imediatamente disponível.
Por que o valor das fortunas muda tanto?
As estimativas variam conforme o preço das ações, o valor das empresas, as dívidas conhecidas e a cotação do câmbio. Grandes movimentações no mercado podem alterar bilhões de reais em poucos dias.



