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Pagamento do 13º salário deve injetar R$ 321,4 bilhões na economia

O pagamento do 13º salário deve injetar R$ 321,4 bilhões na economia brasileira até o final de 2024, representando cerca de 3% do PIB do país, de acordo com estimativa do Dieese

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
Economia pessimistas

O pagamento do 13º salário, uma das principais gratificações anuais para os trabalhadores brasileiros, terá um impacto significativo na economia do país em 2024. Estima-se que o montante total a ser injetado na economia até dezembro será de R$ 321,4 bilhões, o equivalente a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. 

O valor será distribuído entre trabalhadores formais, aposentados e beneficiários do INSS, com destaque para a Região Sudeste, que receberá a maior parte da verba. Essa projeção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revela a importância do benefício não apenas para os indivíduos, mas também para a economia como um todo.

Leia mais: INSS antecipará o pagamento do 13º salário para novos aposentados e pensionistas

Quem será beneficiado pelo 13º salário?

Trabalhadores formais

O pagamento do 13º salário beneficiará aproximadamente 92,2 milhões de brasileiros, entre trabalhadores formais, aposentados e pensionistas. 56,9 milhões desses beneficiários são trabalhadores com carteira assinada, incluindo os empregados domésticos, que somam 1,4 milhão de pessoas.

Os trabalhadores do mercado formal receberão R$ 214 bilhões, o que representa 66% do total a ser distribuído. Isso inclui os setores público e privado e reflete um aumento importante no poder de compra dessas famílias.

13º salário INSS
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Aposentados e pensionistas

A segunda maior parte do 13º será destinada a aposentados e pensionistas. 34,2 milhões de pessoas que recebem benefícios da Previdência Social (INSS) terão direito a R$ 60,1 bilhões, ou 19% do total. 

Já os aposentados e pensionistas da União (Regime Próprio) somam 1,1 milhão de beneficiários e devem receber cerca de R$ 11,03 bilhões, ou 3,4% do montante total. Os pensionistas e aposentados dos estados e municípios também serão contemplados, mas os valores distribuídos entre essas categorias não são tão facilmente quantificáveis.

Impacto do 13º salário na economia

Estímulo à demanda no varejo e serviços

A injeção de R$ 321,4 bilhões na economia terá um impacto significativo no consumo, especialmente no varejo e no setor de serviços. Em termos absolutos, R$ 107 bilhões serão direcionados aos aposentados e pensionistas, contribuindo para o aumento do poder de compra e estimulando o consumo em diversas regiões do Brasil.

O pagamento concentrado no final do ano também tende a impulsionar as vendas de Natal e outros gastos de consumo, aumentando a demanda por produtos e serviços. 

Em um ano de recuperação econômica após os efeitos da pandemia, esse montante contribuirá diretamente para o crescimento do PIB brasileiro, refletindo uma importante recuperação no setor comercial e no setor de serviços.

Distribuição regional do pagamento do 13º salário

A distribuição do 13º salário pelo Brasil não é homogênea e segue a dinâmica econômica de cada região. Segundo o Dieese, a maior parte do pagamento ocorrerá nos estados do Sudeste, que concentrarão 50,1% do total, devido à alta concentração de empregos formais e aposentados na região.

  • Sudeste: R$ 160 bilhões (50,1%);
  • Sul: R$ 53,5 bilhões (16,7%);
  • Nordeste: R$ 51,1 bilhões (15,9%);
  • Centro-Oeste: R$ 28,9 bilhões (9%);
  • Norte: R$ 16,1 bilhões (5%).

Essa distribuição regional tem uma explicação lógica: as regiões com maior densidade populacional e maior concentração de empregos formais recebem proporcionalmente uma maior parte do pagamento, o que reflete a desigualdade regional no Brasil.

Variação média do 13º salário por estado

No Distrito Federal, os trabalhadores e aposentados terão um valor médio mais alto, com o 13º salário estimado em R$ 5.665. No entanto, nos estados do Maranhão e Piauí, o valor médio será bem mais baixo, cerca de R$ 2.000, o que demonstra as disparidades regionais no poder de compra da população brasileira.

Setores do mercado formal mais beneficiados

O setor privado e o setor público formal concentrarão grande parte do pagamento do 13º salário. Considerando que 55,5 milhões de brasileiros são assalariados formais, R$ 212 bilhões serão distribuídos entre esses trabalhadores. O setor de serviços, incluindo a administração pública, será o maior beneficiado, com 64,6% do total destinado aos seus profissionais.

Distribuição do 13º salário por setor

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  • Serviços (incluindo administração pública): 64,6%;
  • Indústria: 17%;
  • Comércio: 13%;
  • Construção civil: 3,3%;
  • Agropecuária: 2,1%.

Essa distribuição também revela um panorama do perfil do mercado de trabalho brasileiro. O setor de serviços é o maior empregador no Brasil e, portanto, o maior beneficiado, seguido pela indústria e o comércio.

Valores médios por setor

O valor médio do 13º salário varia conforme o setor. No setor de serviços, o valor médio é o mais alto, com R$ 4.382. A indústria ocupa o segundo lugar, com R$ 3.896, enquanto o setor agropecuário registra o valor médio mais baixo, com R$ 2.380.

Desafios e perspectivas para o futuro

Apesar do impacto positivo imediato do pagamento do 13º salário na economia, é importante observar que esse montante pode não ser suficiente para uma recuperação plena em áreas mais carentes. A desigualdade na distribuição do 13º salário reflete também as disparidades regionais e setoriais que ainda marcam a economia brasileira.

A projeção do Dieese mostra que o pagamento do 13º salário em 2024 será fundamental para a sustentação do consumo e para o crescimento econômico, especialmente nas últimas semanas do ano. Entretanto, a recuperação econômica de longo prazo depende de reformas estruturais e investimentos em setores produtivos, como infraestrutura e tecnologia.

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Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Considerações Finais

O 13º salário é, sem dúvida, uma das principais fontes de rendimento extra para os brasileiros no final do ano. Com a estimativa de injeção de R$ 321,4 bilhões na economia, o impacto do pagamento será significativo, especialmente para os trabalhadores formais e aposentados. 

Esse valor ajudará a impulsionar o consumo e fortalecer a economia em 2024, proporcionando um alívio temporário para muitas famílias, mas também evidenciando as desigualdades regionais e setoriais que ainda precisam ser enfrentadas para garantir um crescimento mais equilibrado no futuro.

Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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