O pagamento do 13º salário, uma das principais gratificações anuais para os trabalhadores brasileiros, terá um impacto significativo na economia do país em 2024. Estima-se que o montante total a ser injetado na economia até dezembro será de R$ 321,4 bilhões, o equivalente a aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
Pagamento do 13º salário deve injetar R$ 321,4 bilhões na economia
O pagamento do 13º salário deve injetar R$ 321,4 bilhões na economia brasileira até o final de 2024, representando cerca de 3% do PIB do país, de acordo com estimativa do Dieese
O valor será distribuído entre trabalhadores formais, aposentados e beneficiários do INSS, com destaque para a Região Sudeste, que receberá a maior parte da verba. Essa projeção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revela a importância do benefício não apenas para os indivíduos, mas também para a economia como um todo.
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Quem será beneficiado pelo 13º salário?
Trabalhadores formais
O pagamento do 13º salário beneficiará aproximadamente 92,2 milhões de brasileiros, entre trabalhadores formais, aposentados e pensionistas. 56,9 milhões desses beneficiários são trabalhadores com carteira assinada, incluindo os empregados domésticos, que somam 1,4 milhão de pessoas.
Os trabalhadores do mercado formal receberão R$ 214 bilhões, o que representa 66% do total a ser distribuído. Isso inclui os setores público e privado e reflete um aumento importante no poder de compra dessas famílias.

Aposentados e pensionistas
A segunda maior parte do 13º será destinada a aposentados e pensionistas. 34,2 milhões de pessoas que recebem benefícios da Previdência Social (INSS) terão direito a R$ 60,1 bilhões, ou 19% do total.
Já os aposentados e pensionistas da União (Regime Próprio) somam 1,1 milhão de beneficiários e devem receber cerca de R$ 11,03 bilhões, ou 3,4% do montante total. Os pensionistas e aposentados dos estados e municípios também serão contemplados, mas os valores distribuídos entre essas categorias não são tão facilmente quantificáveis.
Impacto do 13º salário na economia
Estímulo à demanda no varejo e serviços
A injeção de R$ 321,4 bilhões na economia terá um impacto significativo no consumo, especialmente no varejo e no setor de serviços. Em termos absolutos, R$ 107 bilhões serão direcionados aos aposentados e pensionistas, contribuindo para o aumento do poder de compra e estimulando o consumo em diversas regiões do Brasil.
O pagamento concentrado no final do ano também tende a impulsionar as vendas de Natal e outros gastos de consumo, aumentando a demanda por produtos e serviços.
Em um ano de recuperação econômica após os efeitos da pandemia, esse montante contribuirá diretamente para o crescimento do PIB brasileiro, refletindo uma importante recuperação no setor comercial e no setor de serviços.
Distribuição regional do pagamento do 13º salário
A distribuição do 13º salário pelo Brasil não é homogênea e segue a dinâmica econômica de cada região. Segundo o Dieese, a maior parte do pagamento ocorrerá nos estados do Sudeste, que concentrarão 50,1% do total, devido à alta concentração de empregos formais e aposentados na região.
- Sudeste: R$ 160 bilhões (50,1%);
- Sul: R$ 53,5 bilhões (16,7%);
- Nordeste: R$ 51,1 bilhões (15,9%);
- Centro-Oeste: R$ 28,9 bilhões (9%);
- Norte: R$ 16,1 bilhões (5%).
Essa distribuição regional tem uma explicação lógica: as regiões com maior densidade populacional e maior concentração de empregos formais recebem proporcionalmente uma maior parte do pagamento, o que reflete a desigualdade regional no Brasil.
Variação média do 13º salário por estado
No Distrito Federal, os trabalhadores e aposentados terão um valor médio mais alto, com o 13º salário estimado em R$ 5.665. No entanto, nos estados do Maranhão e Piauí, o valor médio será bem mais baixo, cerca de R$ 2.000, o que demonstra as disparidades regionais no poder de compra da população brasileira.
Setores do mercado formal mais beneficiados
O setor privado e o setor público formal concentrarão grande parte do pagamento do 13º salário. Considerando que 55,5 milhões de brasileiros são assalariados formais, R$ 212 bilhões serão distribuídos entre esses trabalhadores. O setor de serviços, incluindo a administração pública, será o maior beneficiado, com 64,6% do total destinado aos seus profissionais.
Distribuição do 13º salário por setor
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- Serviços (incluindo administração pública): 64,6%;
- Indústria: 17%;
- Comércio: 13%;
- Construção civil: 3,3%;
- Agropecuária: 2,1%.
Essa distribuição também revela um panorama do perfil do mercado de trabalho brasileiro. O setor de serviços é o maior empregador no Brasil e, portanto, o maior beneficiado, seguido pela indústria e o comércio.
Valores médios por setor
O valor médio do 13º salário varia conforme o setor. No setor de serviços, o valor médio é o mais alto, com R$ 4.382. A indústria ocupa o segundo lugar, com R$ 3.896, enquanto o setor agropecuário registra o valor médio mais baixo, com R$ 2.380.
Desafios e perspectivas para o futuro
Apesar do impacto positivo imediato do pagamento do 13º salário na economia, é importante observar que esse montante pode não ser suficiente para uma recuperação plena em áreas mais carentes. A desigualdade na distribuição do 13º salário reflete também as disparidades regionais e setoriais que ainda marcam a economia brasileira.
A projeção do Dieese mostra que o pagamento do 13º salário em 2024 será fundamental para a sustentação do consumo e para o crescimento econômico, especialmente nas últimas semanas do ano. Entretanto, a recuperação econômica de longo prazo depende de reformas estruturais e investimentos em setores produtivos, como infraestrutura e tecnologia.

Considerações Finais
O 13º salário é, sem dúvida, uma das principais fontes de rendimento extra para os brasileiros no final do ano. Com a estimativa de injeção de R$ 321,4 bilhões na economia, o impacto do pagamento será significativo, especialmente para os trabalhadores formais e aposentados.
Esse valor ajudará a impulsionar o consumo e fortalecer a economia em 2024, proporcionando um alívio temporário para muitas famílias, mas também evidenciando as desigualdades regionais e setoriais que ainda precisam ser enfrentadas para garantir um crescimento mais equilibrado no futuro.
Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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