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Quanto o Facebook paga por uma conta hackeada no Instagram?

Entenda quanto o Facebook tem pago em casos de contas hackeadas no Instagram, as bases legais e os direitos dos usuários.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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A segurança de dados nas redes sociais é um tema cada vez mais importante, especialmente com o aumento dos casos de contas hackeadas. Para quem teve seu perfil invadido no Instagram, a pergunta “quanto o Facebook paga por uma conta hackeada?” é mais do que relevante.

Nos últimos anos, o Facebook — agora Meta, empresa que controla o Instagram — tem sido condenado a pagar indenizações a usuários lesados por invasões de contas que causaram prejuízos financeiros e morais. Analisamos decisões recentes para entender as quantias envolvidas, os fundamentos legais e os direitos dos usuários.

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Imagem: ALEX_UGALEK / shutterstock.com

Casos recentes e valores de indenização

No Brasil, os tribunais têm dado suporte a usuários que sofreram com o hackeamento de contas no Instagram. Os valores das indenizações variam conforme o impacto da invasão e a resposta (ou a falta dela) da Meta. Vejamos alguns casos específicos que mostram como os valores de indenização têm sido estabelecidos.

Caso 1: Hackeamento e vexame público – Indenização de R$ 5 mil

Um dos casos mais conhecidos ocorreu em São Luís, Maranhão, onde o usuário, que contava com 11 mil seguidores em sua conta no Instagram, foi vítima de hackeamento. Segundo a decisão do 6º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo, a invasão causou grandes transtornos para o autor, que não conseguiu auxílio do Facebook para recuperar o acesso.

A falta de resposta adequada da plataforma levou à condenação da Meta a pagar R$ 5 mil em danos morais. Nesse caso, o juiz afirmou que o prejuízo ultrapassava o mero aborrecimento e violava a dignidade do usuário, configurando dano moral.

Caso 2: Perda de contato com seguidores e prejuízos – Indenização de R$ 10 mil para Maria Zilda Bethlem

Outro caso que gerou bastante repercussão foi o da atriz Maria Zilda Bethlem, que teve sua conta hackeada em outubro de 2020. Maria Zilda, figura pública, dependia das redes sociais para se comunicar com seu público e realizar lives durante a pandemia. Após o hackeamento, o Facebook não ofereceu suporte adequado para recuperação da conta, o que motivou a atriz a buscar reparação na Justiça.

A ação foi inicialmente julgada procedente com indenização de R$ 40 mil, mas o valor foi reduzido para R$ 10 mil em segunda instância. O tribunal concluiu que a Meta deveria ter mantido a segurança da conta de uma usuária pública, configurando um caso de dano moral.

Caso 3: Conta hackeada usada para fraude financeira – Indenização de R$ 3 mil

Em um caso julgado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), um corretor de imóveis teve sua conta no Instagram hackeada e utilizada para aplicar golpes envolvendo moedas virtuais. O TJDFT manteve a condenação de R$ 3 mil contra o Facebook, considerando que a invasão da conta e a inércia da plataforma afetaram a imagem do autor e causaram prejuízos.

O colegiado afirmou que o Facebook, mesmo fornecendo serviços seguros, não ofereceu provas de que o usuário falhou em seguir as medidas de segurança.

Caso 4: Perfil profissional e dano à imagem – Indenização de R$ 5 mil

Em outro caso semelhante, julgado na Bahia, o Facebook foi condenado a indenizar um tatuador em R$ 5 mil. A invasão da conta, que contava com mais de dez mil seguidores e era usada para promover seu estúdio de tatuagens, trouxe prejuízos tanto à sua imagem quanto ao seu negócio. Os hackers usaram o perfil para vender produtos fictícios, expondo o usuário a constrangimentos.

O juiz baseou sua decisão no Código de Defesa do Consumidor, afirmando que a Meta tinha o dever de manter a inviolabilidade da conta e reparar o usuário pelos danos sofridos.

A responsabilidade das redes sociais segundo a lei brasileira

Os casos citados demonstram que a Justiça brasileira tende a responsabilizar a Meta pela segurança das contas dos usuários. Essa responsabilidade é embasada no Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) e no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Segundo o Marco Civil, os provedores de aplicação têm a obrigação de garantir a proteção de dados pessoais e a privacidade dos usuários.

O CDC, por sua vez, estabelece que as empresas que prestam serviços aos consumidores devem responder por eventuais falhas na segurança e pela insuficiência de assistência ao usuário.

Além disso, a Justiça considera o impacto de invasões em contas de usuários profissionais, especialmente se o hackeamento acarretar prejuízos financeiros, de imagem ou constrangimento público.

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O que fazer se sua conta no Instagram for hackeada?

pessoa mascarada mexendo em computador
Imagem: Gorodenkoff/shutterstock.com

Para usuários que passam pela situação de hackeamento, é importante saber quais passos tomar para proteger seus direitos:

  1. Comunicar a invasão imediatamente: Notifique o Instagram e o Facebook sobre a invasão o quanto antes. Registre todos os detalhes da tentativa de contato, incluindo capturas de tela e e-mails enviados.
  2. Seguir as orientações de segurança da plataforma: O Instagram recomenda a autenticação em dois fatores e o uso de senhas fortes. Caso já tenha habilitado essas opções e ainda assim tenha sido hackeado, isso pode fortalecer sua argumentação para uma possível ação judicial.
  3. Documentar as tentativas de recuperação: Registre todas as tentativas de contato com o suporte do Instagram e, se necessário, reúna provas de que a plataforma não ofereceu o devido suporte.
  4. Consultar um advogado especializado: Em casos de prejuízo significativo ou dano moral, a orientação de um advogado pode ajudar a avaliar a viabilidade de uma ação judicial e as possíveis indenizações.

As consequências das indenizações para a Meta e os direitos dos usuários

Com o aumento dos casos e a determinação da Justiça brasileira em responsabilizar o Facebook e o Instagram por falhas de segurança, a Meta enfrenta pressões para investir em medidas de proteção mais robustas. Além disso, essas decisões incentivam as plataformas a responderem rapidamente a pedidos de ajuda em casos de invasão, sob pena de enfrentarem condenações financeiras.

Para os usuários, essas indenizações são uma vitória no sentido de garantir que as redes sociais respeitem seus direitos à privacidade e à segurança. As decisões judiciais mostram que as plataformas precisam oferecer mais do que um ambiente digital; devem, sobretudo, garantir que o ambiente seja seguro e que os usuários tenham o devido respaldo em casos de problemas.

A indenização como defesa dos direitos digitais

Os casos analisados demonstram que a Justiça brasileira está disposta a fazer valer os direitos dos usuários em relação à segurança digital.

As indenizações pagas pela Meta — que variam de R$ 3 mil a R$ 10 mil, dependendo das circunstâncias — são um reflexo do compromisso dos tribunais em responsabilizar as plataformas pelas falhas na proteção de dados e na assistência aos usuários prejudicados.

A principal mensagem é que, ao se posicionar contra invasões de contas e exigir que as redes sociais respondam por eventuais falhas, o Judiciário brasileiro está moldando um novo entendimento sobre a proteção de dados e segurança online, em prol dos direitos dos usuários.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital 

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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