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Tarifaço de Trump ao Brasil pode fortalecer Lula por causa do Pix, diz Paul Krugman

Paul Krugman afirma que ofensiva de Trump contra o Pix tenta punir o sucesso do sistema brasileiro e pode ter efeito político limitado.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana5 min de leitura
Tarifaço de Trump ao Brasil pode fortalecer Lula por causa do Pix, diz Paul Krugman

O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, voltou a colocar o Pix no centro do debate internacional ao publicar uma nova análise sobre a política comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil.

Em artigo divulgado em 20 de julho de 2026, Krugman classificou como equivocada a tentativa do governo de Donald Trump de associar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos a uma suposta prática comercial desleal. Para o economista, a iniciativa representa uma tentativa de punir um modelo que se mostrou mais eficiente e barato do que alternativas privadas utilizadas em diversos países.

A manifestação ocorre em meio à escalada das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após Washington justificar novas tarifas sobre produtos brasileiros alegando, entre outros pontos, que o Pix prejudicaria empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos.

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O que Paul Krugman disse sobre o Pix

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

No texto publicado em sua newsletter no Substack, Krugman questiona diretamente a lógica utilizada pelo governo americano para justificar as críticas ao sistema desenvolvido pelo Banco Central.

Segundo ele, não faz sentido considerar desleal o fato de um país oferecer aos seus cidadãos um meio de pagamento mais eficiente e de menor custo.

O economista argumenta que a concorrência normalmente recompensa soluções melhores, e não deveria haver punição pelo sucesso de uma tecnologia pública que reduz custos para consumidores e empresas.

Na avaliação de Krugman, a situação seria equivalente a criticar outros serviços que competem com soluções privadas por oferecerem vantagens econômicas aos usuários.

Por que o Pix entrou na disputa entre Brasil e Estados Unidos?

A discussão ganhou força depois que o governo Donald Trump incluiu o Pix entre os pontos analisados em uma investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

A alegação americana é que o sistema brasileiro poderia favorecer uma plataforma pública em detrimento de empresas privadas estrangeiras, especialmente gigantes do setor de cartões como Visa e Mastercard.

O governo brasileiro e o Banco Central rejeitam essa interpretação.

A posição oficial é que o Pix foi criado para aumentar a inclusão financeira, estimular a concorrência e reduzir os custos das transações para consumidores e comerciantes, sem impedir a atuação de empresas privadas.

Como o Pix mudou o mercado brasileiro

Lançado oficialmente em novembro de 2020 pelo Banco Central, o Pix rapidamente se tornou o principal meio de pagamento do país.

Entre seus principais diferenciais estão:

  • transferências disponíveis 24 horas por dia;
  • liquidação praticamente instantânea;
  • gratuidade para pessoas físicas na maioria das operações;
  • custo reduzido para empresas;
  • facilidade de integração com bancos e instituições financeiras.

Atualmente, o sistema é utilizado por praticamente todos os grandes bancos e fintechs que atuam no Brasil, além de milhões de pequenos comerciantes.

Segundo dados citados por veículos internacionais, o Pix já responde pela maior parte das transações eletrônicas realizadas no país e soma cerca de 170 milhões de usuários.

Krugman diz que o debate vai além dos cartões

Para Paul Krugman, a disputa não envolve apenas empresas de pagamento.

O economista afirma que existe uma preocupação maior relacionada ao futuro dos sistemas financeiros digitais.

Em seu artigo, ele menciona que outros projetos internacionais — como um eventual euro digital — poderiam reduzir, no futuro, a dependência global do dólar em determinadas transações internacionais.

Embora reconheça que o Brasil, sozinho, não tenha capacidade para alterar esse cenário global, Krugman avalia que a expansão de sistemas públicos de pagamento pode representar uma mudança estrutural no mercado financeiro internacional.

O que Trump fez em relação às moedas digitais

Outro ponto destacado por Krugman é que, logo no início do segundo mandato, Donald Trump assinou um decreto impedindo o Federal Reserve de avançar no desenvolvimento de uma moeda digital emitida pelo banco central americano (CBDC).

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Segundo o economista, parte da resistência política ocorre porque uma solução pública eficiente poderia competir diretamente com serviços privados de pagamento e até com ativos digitais emitidos pelo setor de criptomoedas.

O Pix pode ser afetado pelas tarifas dos Estados Unidos?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Na prática, especialistas avaliam que as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos não alteram o funcionamento do Pix dentro do Brasil.

O sistema pertence ao Banco Central e opera na infraestrutura financeira nacional.

As medidas comerciais anunciadas por Washington têm como foco produtos exportados pelo Brasil, e não o funcionamento operacional do sistema de pagamentos.

Ainda assim, o Pix acabou se tornando um dos símbolos da disputa comercial e tecnológica entre os dois países.

O economista acredita que a estratégia terá pouco efeito

Ao concluir sua análise, Paul Krugman afirma que a tentativa de utilizar tarifas comerciais para atingir o Pix dificilmente alcançará os resultados pretendidos.

Na avaliação dele, os impactos econômicos tendem a ser limitados, inclusive porque os próprios Estados Unidos precisam considerar os efeitos sobre preços de produtos brasileiros exportados para o mercado americano, como café, carne bovina e suco de laranja.

O que esperar daqui para frente

A disputa envolvendo o Pix mostra que sistemas de pagamento digitais passaram a ocupar um espaço estratégico nas relações econômicas internacionais.

Enquanto o Banco Central brasileiro segue expandindo funcionalidades do Pix e estudando novas integrações internacionais, os Estados Unidos mantêm críticas ao modelo brasileiro dentro das discussões comerciais em andamento.

Independentemente dos desdobramentos diplomáticos, o episódio reforça a importância que o sistema brasileiro conquistou desde seu lançamento. Em menos de seis anos, o Pix deixou de ser apenas uma inovação nacional para se tornar tema de debates envolvendo comércio internacional, tecnologia financeira e competitividade global.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Jessica Cassana

Autor

Jessica Cassana

Jéssica Cassana é especialista em benefícios sociais e atua como redatora no portal Seu Crédito Digital. Com linguagem acessível e conteúdo direto ao ponto, compartilha orientações práticas sobre o Bolsa Família, CadÚnico, CRAS, Caixa Tem e demais programas do governo. Sua missão é ajudar os leitores a entender e acessar seus direitos com mais autonomia, segurança e clareza.

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