Por décadas, arqueólogos acreditaram que os primeiros humanos chegaram às Américas há cerca de 13 mil anos, período associado à chamada Cultura Clóvis. No entanto, uma nova pesquisa publicada na revista Science Advances em 2025 está desafiando essa narrativa.
Pesquisadores confirmam: presença humana nas Américas começou muito antes do previsto
Descubra como novas pesquisas antecipam a chegada humana às Américas. Confira o estudo surpreendente agora!
Um conjunto de pegadas humanas encontrado no Parque Nacional de White Sands, no Novo México, nos Estados Unidos, revela que a presença humana no continente pode ter começado há mais de 23 mil anos.
Essa descoberta não apenas antecipa a chegada dos humanos em milhares de anos, mas também levanta novas perguntas sobre quem eram esses povos ancestrais e como chegaram até aqui.
Leia mais:
Brasil lidera na América Latina com 433 mil milionários em dólar, diz UBS
O que a descoberta revela?

Local da descoberta: Parque Nacional de White Sands
O Parque Nacional de White Sands é conhecido por suas dunas brancas de gesso, que hoje cobrem uma antiga bacia de lago. Foi neste cenário que os pesquisadores encontraram as pegadas preservadas em sedimentos que datam da última era glacial.
Como foram encontradas as pegadas?
As pegadas foram descobertas em 2021, quando uma equipe de pesquisadores britânicos analisava o local. Na época, eles utilizaram datação por radiocarbono em sementes e restos de plantas encontrados nas mesmas camadas dos rastros. As análises iniciais apontaram uma idade entre 23 e 21 mil anos.
Contudo, a descoberta foi inicialmente contestada por parte da comunidade científica, que questionava se os materiais analisados poderiam ter absorvido carbono de fontes mais antigas, o que tornaria as datas imprecisas.
Nova datação reforça a teoria
Método utilizado na nova pesquisa
Em 2022, o professor Vance Holliday, geocientista da Universidade do Arizona, liderou uma nova expedição para confirmar ou refutar a datação anterior.
Ao investigar camadas de sedimento de coloração avermelhada encontradas entre estratos de gesso branco, argila verde e lama preta, a equipe percebeu que esses depósitos poderiam fornecer uma nova janela temporal.
Resultados consistentes
A nova análise envolveu 55 amostras datadas por três laboratórios independentes, utilizando o método de radiocarbono em microvestígios orgânicos. Os resultados apontaram idades variando entre 22.400 e 20.700 anos, confirmando a estimativa anterior.
“É um registro notavelmente consistente. Chega-se a um ponto em que é realmente difícil explicar tudo isso como um erro”, afirmou Holliday.
Desafios para a arqueologia
Queda do paradigma da Cultura Clóvis
Por muito tempo, a Cultura Clóvis, com artefatos datados de 13 mil anos, foi considerada o marco inicial da presença humana nas Américas. A confirmação das pegadas de White Sands coloca essa teoria em xeque.
Segundo o coautor da pesquisa, Jason Windingstad, “é uma sensação estranha quando você vê essas pegadas. Elas contradizem tudo o que nos ensinaram sobre o povoamento da América do Norte”.
Quem eram esses primeiros humanos?
Possíveis hipóteses:
- Povos pré-Clóvis: Grupos humanos que chegaram bem antes do período Clóvis e podem ter sido extintos antes de deixarem vestígios mais robustos.
- Migrações múltiplas: A ocupação das Américas pode ter ocorrido em diferentes ondas migratórias, algumas muito mais antigas do que se imaginava.
- Desafios climáticos: As condições da última era glacial podem ter dificultado a sobrevivência e a disseminação desses povos iniciais.
Como esses humanos chegaram às Américas?
Teorias tradicionais
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
As teorias mais aceitas até hoje apontam que os humanos chegaram à América através do Estreito de Bering, uma ponte de terra que existia entre a Sibéria e o Alasca durante as glaciações.
Novas possibilidades
Com a descoberta de pegadas mais antigas, surgem hipóteses alternativas:
- Migração costeira: Povos navegadores podem ter percorrido a costa do Pacífico, chegando à América antes da formação do corredor livre de gelo.
- Rotas desconhecidas: A possibilidade de outras rotas, até então não identificadas, é cada vez mais discutida entre os especialistas.
Impacto científico da descoberta

Revisão dos livros de história
A confirmação da presença humana há mais de 20 mil anos obriga arqueólogos, historiadores e paleontólogos a reavaliar teorias sobre a colonização das Américas.
Novas linhas de pesquisa
- Buscas por outros vestígios: A descoberta estimula expedições em outras áreas do continente para encontrar mais evidências dessa ocupação antiga.
- Estudos genéticos: Pesquisas de DNA antigo podem revelar quem eram esses povos e sua relação com populações indígenas atuais.
- Análise de rotas migratórias: A comunidade científica agora precisa estudar novas hipóteses sobre como os primeiros humanos chegaram e se espalharam pelas Américas.
História que continua sendo escrita
Apesar da confirmação das pegadas com mais de 20 mil anos, muitas perguntas permanecem sem resposta. Quem eram esses humanos? Por onde vieram? Por que desapareceram antes da ascensão da Cultura Clóvis?
O professor Holliday resume bem a sensação dos pesquisadores: “Respondemos uma pergunta, mas agora temos outras dez.” O mistério sobre a ocupação das Américas está longe de ser encerrado — e cada descoberta abre novos capítulos na fascinante história da humanidade.
Imagem: USGS, NPS, Bournemouth University
