A pensão por morte é um direito assegurado a dependentes do trabalhador que vem a falecer, mas o processo de solicitação junto ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ficou mais complexo após a reforma da Previdência. Desde a implementação da Lei 13.846, em 2019, as regras para comprovação de união estável passaram a ser mais rigorosas, complicando a concessão do benefício para aqueles que não têm a documentação necessária.
Neste artigo, explicaremos como funciona a concessão de pensão por morte para quem não tem união estável formalizada, as exigências da reforma da Previdência e o impacto das novas regras.
O que é e quem tem direito?

A pensão por morte é um benefício pago pelo INSS aos dependentes de um trabalhador que falecer, garantindo uma compensação financeira para a família. O benefício está disponível para cônjuges, companheiros, filhos e outros dependentes, mas a concessão exige a comprovação do vínculo familiar.
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A pensão por morte é regulamentada pelo INSS, e as condições para a sua obtenção variam conforme o tipo de dependência e a situação do falecido. Para os cônjuges ou companheiros, a comprovação de união estável ou casamento é essencial para que o benefício seja concedido.
A dificuldade de comprovação de união estável
Para solicitar a pensão por morte no INSS, é necessário comprovar a existência de um vínculo familiar com o falecido, e essa comprovação tem se tornado mais exigente ao longo dos anos. A partir da Lei 13.846, em vigor desde 2019, não basta apenas declarar que se vivia em união estável. Agora, o solicitante deve apresentar uma série de documentos e provas que comprovem a convivência.
Documentos exigidos para comprovar a união estável
Para que a união estável seja reconhecida pelo INSS, o solicitante precisa apresentar documentos que comprovem a convivência com o falecido, como:
- Contrato de união estável registrado: Embora não seja obrigatório, o contrato formal registrado em cartório pode facilitar a aprovação do pedido.
- Comprovantes de residência conjunta: Faturas de serviços como água, luz ou telefone, em que ambos os parceiros estão registrados no mesmo endereço, são válidas como provas.
- Fotos, mensagens e registros de convivência: O INSS pode exigir evidências mais pessoais, como fotos, vídeos e prints de mensagens trocadas entre os parceiros.
Esses documentos precisam ser apresentados com uma certa antecedência. A lei exige que as provas da união estável tenham sido geradas com pelo menos 24 meses de antecedência ao falecimento do trabalhador.
Exclusão de testemunhas como prova
Outro ponto importante introduzido pela Lei 13.846 é a exclusão do uso exclusivo de testemunhas como prova de união estável. Testemunhas só serão aceitas em casos excepcionais, como situações de força maior, que impossibilitem a coleta de documentos ou evidências mais substanciais. Isso dificulta a vida de muitos que, por diversas razões, não guardaram fotos ou comprovantes formais da união.
O impacto das novas regras para quem não tem união estável formalizada
O impacto da reforma da Previdência é claramente negativo para aqueles que não têm união estável formalizada ou que não conseguiram reunir a documentação exigida. Mesmo que um casal tenha vivido juntos por muitos anos, a falta de documentos comprobatórios pode resultar na negativa da pensão por morte.
Isso se torna especialmente difícil em casos onde a convivência era mais discreta, ou quando o casal não se acostumou a documentar a relação. A exigência de provas adicionais, como fotos ou mensagens, pode ser um obstáculo intransponível para muitas pessoas, que, de boa-fé, não guardaram registros da convivência.
A intenção por trás das mudanças: Combate à fraude
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As mudanças nas regras de concessão de pensão por morte foram implementadas com o objetivo de combater fraudes no sistema de benefícios. A principal preocupação do INSS era que pessoas que não mantinham qualquer vínculo real com o falecido estivessem solicitando benefícios fraudulentos.
A exigência de documentos adicionais, como fotos e comprovantes de residência, visa garantir que o beneficiário realmente vivia com o falecido. No entanto, a medida tem gerado críticas, pois pode afetar negativamente pessoas que, por diversos motivos, não mantiveram registros formais de sua união, como é o caso de muitos casais que convivem sem oficializar a união em cartório.
Como proceder para garantir a concessão da pensão por morte?

Caso você se encontre nessa situação e precise solicitar a pensão por morte, é essencial começar o processo de coleta de documentos o quanto antes. Confira alguns passos para garantir que o seu pedido seja bem-sucedido:
- Documentação básica: Tenha em mãos os documentos de identificação, como CPF, RG e a certidão de óbito do falecido.
- Provas de convivência: Se você não tem um contrato formal de união estável, reúna todos os documentos que possam comprovar a convivência, como comprovantes de residência, fotos, mensagens e outros.
- Registre o vínculo: Se possível, formalize a união estável em cartório, o que pode facilitar o processo no futuro.
- Solicitação online ou presencial: A solicitação pode ser feita pelo site do INSS ou em uma agência física. O INSS também oferece suporte para orientar sobre quais documentos são necessários.
Considerações finais
A concessão da pensão por morte no INSS passou a ser mais criteriosa após a reforma da Previdência de 2019. A exigência de documentação detalhada para comprovação de união estável tem gerado dificuldades para aqueles que não têm um contrato formal ou não guardaram registros da convivência. Embora o objetivo seja combater fraudes, as novas regras acabam dificultando o acesso ao benefício para muitas pessoas de boa-fé.
Se você se encontra nesta situação, é fundamental se informar sobre os documentos exigidos e preparar a sua solicitação com antecedência, garantindo que todos os requisitos legais sejam atendidos.
