O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mantém procedimentos de revisão de benefícios em 2026, especialmente daqueles relacionados à incapacidade para o trabalho. Uma convocação, entretanto, não significa que o pagamento será automaticamente cancelado.
A revisão serve justamente para que o INSS verifique se as condições que justificaram a concessão do benefício permanecem presentes. Durante o procedimento, o segurado pode apresentar documentos médicos, exames e outras informações capazes de demonstrar que continua incapacitado.
Por isso, quem receber uma convocação deve prestar atenção aos prazos e seguir as orientações oficiais. Ignorar o chamado é uma situação diferente de comparecer à avaliação e ter a continuidade do benefício analisada.
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O que é o pente-fino do INSS?

“Pente-fino” é a expressão popular utilizada para identificar ações de revisão realizadas pelo INSS.
No caso dos benefícios por incapacidade, a legislação permite que o Instituto convoque beneficiários para verificar se continuam presentes os requisitos que justificam os pagamentos.
Entre os principais benefícios sujeitos a esse tipo de avaliação estão o auxílio por incapacidade temporária, anteriormente chamado de auxílio-doença, e a aposentadoria por incapacidade permanente, antiga aposentadoria por invalidez.
A Lei nº 8.213/1991 estabelece regras para essas avaliações.
O próprio INSS informa que a aposentadoria por incapacidade permanente pode ser revista periodicamente para verificar se o beneficiário continua sem condições de exercer atividade profissional e sem possibilidade de reabilitação.
Receber convocação significa perder o benefício?
Não.
A convocação representa o início ou a continuidade de um procedimento de revisão. O resultado dependerá da análise realizada pelo INSS.
Em uma perícia de revisão, podem ocorrer diferentes conclusões.
O benefício pode ser mantido quando a incapacidade permanece, cessado quando a recuperação da capacidade para o trabalho é constatada ou, dependendo do caso, o segurado pode ser encaminhado para reabilitação profissional.
Há também situações em que um benefício temporário pode resultar no reconhecimento de incapacidade permanente.
Portanto, o chamado para perícia não equivale a uma decisão antecipada de corte.
Quem pode ser chamado pelo INSS em 2026?
As revisões atingem principalmente os benefícios cuja continuidade depende da permanência de determinadas condições.
O INSS informa que segurados que recebem benefícios por incapacidade há dois anos ou mais sem passar por perícia revisional podem ser notificados para uma nova avaliação.
A convocação pode ocorrer por correspondência ou por edital.
Por isso, manter endereço e demais informações cadastrais atualizados é uma medida importante.
Quem muda de residência e não informa o INSS corre o risco de não receber uma correspondência importante.
Auxílio por incapacidade temporária pode passar por revisão
O auxílio por incapacidade temporária é destinado ao segurado que esteja impossibilitado de desempenhar seu trabalho ou sua atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos em decorrência de doença ou acidente.
Segundo informações oficiais atualizadas pelo INSS em agosto de 2026, além da incapacidade, o interessado deve possuir qualidade de segurado e, em regra, cumprir a carência exigida.
Existem situações nas quais a carência é dispensada.
Durante uma revisão, o ponto central é verificar se a incapacidade que justificou o pagamento ainda existe.
Ter uma doença diagnosticada, por si só, não garante a manutenção do benefício. O que precisa ser analisado é o impacto atual da condição sobre a capacidade de trabalhar.
Aposentadoria por incapacidade permanente também pode ser revista
A aposentadoria por incapacidade permanente é concedida quando a pessoa está permanentemente impossibilitada de exercer atividade profissional e não pode ser reabilitada para outro trabalho.
O benefício pode ser reavaliado pelo INSS enquanto persistir a obrigação legal de revisão.
A recuperação da capacidade ou o retorno ao trabalho podem provocar a cessação do pagamento, observadas as regras aplicáveis ao caso.
Entretanto, existem grupos protegidos da convocação periódica, o que exige atenção à idade e ao tempo de recebimento dos benefícios por incapacidade.
Quem pode ficar dispensado da perícia periódica?
A legislação estabelece hipóteses de isenção das perícias periódicas de revisão para determinados beneficiários.
Segundo o INSS, estão dispensados da revisão periódica, entre outros casos:
- aposentados por incapacidade permanente que tenham completado 60 anos;
- segurados com 55 anos ou mais quando já tenham transcorrido pelo menos 15 anos desde a concessão da aposentadoria por incapacidade permanente ou do auxílio por incapacidade temporária que a tenha precedido;
- pessoas com HIV/Aids, conforme a proteção prevista na legislação.
Essa dispensa precisa ser interpretada corretamente.
Ela não significa que o INSS jamais poderá realizar qualquer análise relacionada ao benefício.
Existem situações em que uma nova avaliação ainda pode ocorrer
As regras de dispensa possuem exceções.
A legislação permite avaliação em determinadas circunstâncias, mesmo quando o segurado está protegido da perícia periódica comum.
Isso pode ocorrer, por exemplo, em hipóteses previstas expressamente em lei, como situações relacionadas à suspeita de fraude ou quando o próprio beneficiário necessita passar por avaliação para obter determinado direito.
Um exemplo é o pedido do adicional de 25% previsto para aposentados por incapacidade permanente que necessitam de assistência permanente de outra pessoa, quando preenchidos os requisitos.
Por isso, “dispensado da revisão periódica” não deve ser interpretado como “nunca mais poderá ser convocado pelo INSS”.
O que acontece se o segurado ignorar a convocação?
Esse é um dos pontos que exigem mais atenção.
Quem é formalmente convocado para uma perícia de revisão precisa seguir as orientações do INSS.
O Instituto informa que, após a convocação, é necessário realizar o agendamento indicado para evitar a suspensão do pagamento.
Assim, o maior risco não está simplesmente em receber a carta ou comunicado, mas em não atender à solicitação dentro do prazo estabelecido.
Se houver dúvida sobre a autenticidade da convocação, o segurado deve confirmar as informações pelos canais oficiais antes de entregar documentos ou clicar em links recebidos por mensagens.
Quais documentos apresentar na revisão do INSS?
A documentação médica é fundamental porque precisa demonstrar a situação atual do segurado.
No dia da perícia, o INSS orienta apresentar documento oficial de identificação com foto, CPF e documentos médicos relacionados ao problema de saúde e ao tratamento realizado.
Entre os documentos que podem ser úteis estão:
- laudos e relatórios médicos atualizados;
- resultados de exames;
- receitas e prescrições;
- relatórios de internação;
- documentos sobre cirurgias ou tratamentos realizados;
- informações sobre medicamentos utilizados;
- relatórios indicando limitações funcionais;
- documentos que demonstrem a evolução do quadro clínico.
Não basta juntar grande quantidade de papéis sem relação com a situação atual.
Sempre que possível, os documentos devem ajudar a explicar de forma objetiva qual é a doença ou lesão, quais limitações permanecem e como elas interferem na capacidade profissional.
Laudo médico recente pode fazer diferença
Um erro comum é comparecer à perícia apenas com documentos antigos.
Um diagnóstico feito anos atrás pode comprovar a existência da doença, mas não necessariamente demonstra a situação atual.
Um relatório recente pode esclarecer se houve melhora, piora ou estabilidade, quais tratamentos estão sendo realizados e quais limitações ainda existem.
Dependendo da condição, exames mais atuais também podem reforçar as informações apresentadas.
Isso não significa que documentos antigos devam ser descartados. Eles podem ajudar a demonstrar o histórico e a evolução da doença.
O perito avalia a doença ou a capacidade para trabalhar?
Nos benefícios por incapacidade, a existência de uma doença é apenas parte da análise.
A avaliação busca saber principalmente se aquela condição impede ou limita o segurado de desempenhar o trabalho ou a atividade habitual.
Por exemplo, duas pessoas podem possuir o mesmo diagnóstico e receber conclusões diferentes porque exercem profissões distintas ou apresentam graus diferentes de comprometimento.
Uma lesão física pode ser altamente incapacitante para uma atividade que exige esforço constante e produzir impacto menor em outro tipo de profissão.
Por isso, é importante explicar também quais tarefas fazem parte da rotina profissional.
O segurado pode ser enviado para reabilitação profissional
Nem toda perícia termina simplesmente com “benefício mantido” ou “benefício cortado”.
Quando existe incapacidade para a atividade habitual, mas possibilidade de exercer outra função, pode haver encaminhamento para reabilitação profissional.
Esse procedimento busca preparar o segurado para retornar ao mercado em uma atividade compatível com suas limitações.
O próprio INSS informa que a perícia revisional pode resultar em manutenção, cessação, transformação do benefício ou encaminhamento para reabilitação.
Benefício concedido pela Justiça também pode passar por revisão?
A existência de uma decisão judicial não significa necessariamente que o benefício permanecerá sem qualquer possibilidade de nova análise para sempre.
Benefícios por incapacidade concedidos ou reativados judicialmente podem estar sujeitos aos procedimentos previstos na legislação e na própria decisão judicial.
O INSS possui inclusive orientações específicas sobre perícias relacionadas a benefícios concedidos ou reativados por decisão judicial.
Qualquer revisão, contudo, deve respeitar o procedimento legal e as garantias do segurado.
BPC também passa por revisão?
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) possui natureza diferente das aposentadorias e auxílios previdenciários.
Ele é um benefício assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), apesar de sua operacionalização ocorrer pelo INSS.
O BPC garante um salário mínimo mensal à pessoa idosa com 65 anos ou mais ou à pessoa com deficiência que atenda aos requisitos estabelecidos.
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Em 2026, o salário mínimo está em R$ 1.621.
Para receber BPC, não é necessário ter contribuído anteriormente para o INSS.
Entretanto, existem requisitos relacionados à situação da pessoa com deficiência, quando for o caso, à renda, à composição familiar e ao Cadastro Único.
Esses requisitos também podem ser verificados ao longo do tempo.
BPC não paga 13º salário
Outra diferença importante é que o BPC não funciona como uma aposentadoria.
O beneficiário não recebe 13º salário por causa do BPC e o pagamento não gera pensão por morte para os dependentes.
Isso ocorre justamente porque o benefício pertence à assistência social e não ao regime contributivo da Previdência Social.
Biometria ganhou novas regras em 2026
Os beneficiários de programas sociais também devem prestar atenção às exigências relacionadas ao cadastro biométrico.
Desde 1º de maio de 2026, a concessão, a manutenção e a renovação de benefícios sociais passaram a observar a existência de cadastro biométrico, respeitadas as regras e exceções estabelecidas pelo governo.
Até 31 de dezembro de 2026, podem ser utilizados registros biométricos vinculados à Carteira de Identidade Nacional (CIN), CNH, Título de Eleitor ou passaporte, conforme as regras da política de biometria.
Há uma transição até 2028.
A partir de 1º de janeiro de 2028, a previsão oficial é de que apenas a biometria da CIN seja aceita para concessão, manutenção e renovação desses benefícios.
Portanto, afirmar que em 2026 somente a biometria da CIN, do Título de Eleitor ou da Polícia Federal é aceita pode deixar de fora documentos válidos durante o período de transição, como a CNH e o passaporte nas condições estabelecidas pelo governo.
CadÚnico precisa permanecer atualizado
Quem recebe BPC também deve ter atenção especial ao Cadastro Único.
Informações sobre renda, endereço e composição familiar precisam refletir a situação real da família.
A falta de atualização pode gerar problemas na manutenção do benefício e levar à necessidade de regularização.
Por isso, mudanças importantes na família devem ser comunicadas pelos canais adequados.
Como verificar uma convocação do INSS

Golpes envolvendo benefícios previdenciários são frequentes, especialmente quando criminosos utilizam temas como perícia, prova de vida, bloqueio ou revisão para assustar aposentados e beneficiários.
Antes de fornecer informações, a pessoa deve conferir a existência da convocação pelo Meu INSS ou buscar confirmação pela Central 135.
Mensagens solicitando pagamento para evitar bloqueio ou liberar benefício devem ser vistas com desconfiança.
A revisão oficial não exige pagamento a intermediários para impedir cancelamento.
O que fazer ao receber uma convocação
O primeiro passo é conferir se o comunicado é verdadeiro.
Depois, o segurado deve observar o prazo e verificar qual procedimento foi solicitado.
Se houver necessidade de perícia, é recomendável organizar antecipadamente documentos médicos, identificação pessoal e informações relacionadas ao tratamento.
Também é importante continuar acompanhando o Meu INSS depois do atendimento.
O resultado ou eventuais novas exigências podem aparecer no sistema.
Revisão administrativa não é a mesma coisa que pente-fino
Existe ainda uma diferença importante entre a revisão realizada pelo INSS para verificar a continuidade de um benefício e a revisão pedida pelo próprio segurado.
Em agosto de 2026, o portal Gov.br mantém serviços específicos para solicitar revisão de benefício.
O segurado pode pedir uma nova análise, por exemplo, quando acredita que houve problema no valor concedido ou no tempo de contribuição utilizado pelo INSS.
Há também um serviço específico de revisão administrativa de benefício por incapacidade para situações que não dependem de nova análise médico-pericial.
Portanto, a palavra “revisão” pode representar procedimentos diferentes.
Pente-fino exige atenção, mas convocação não é corte automático
A principal orientação para quem recebe benefício do INSS em 2026 é não ignorar comunicações oficiais.
Uma convocação para revisão não significa que o benefício será automaticamente cancelado. Ela abre um procedimento no qual a situação do segurado será novamente avaliada.
Nos benefícios por incapacidade, documentos médicos atualizados podem ser decisivos para demonstrar que as limitações permanecem.
Ao mesmo tempo, existem segurados protegidos da perícia periódica, especialmente em razão da idade e do longo período de recebimento de benefícios por incapacidade.
A recomendação é acompanhar regularmente o Meu INSS, manter dados cadastrais atualizados e desconfiar de mensagens alarmistas enviadas fora dos canais oficiais.
Quem atende corretamente à convocação e apresenta documentação consistente tem a oportunidade de demonstrar por que continua preenchendo as condições necessárias para receber o benefício.



