O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) prepara uma das mudanças mais significativas da história da Previdência brasileira: a digitalização completa das perícias médicas. A partir de 2026, todos os beneficiários poderão ser avaliados por videoconferência, sem a necessidade de deslocamento até uma agência física.
Perícias do INSS passam por novo regulamento e preocupam beneficiários
INSS digitaliza perícias médicas até 2026. Beneficiários poderão ser avaliados por vídeo, com laudos online e atendimento mais rápido pelo Meu INSS.
A iniciativa, anunciada pelo Ministério da Previdência Social, promete eliminar filas, acelerar o reconhecimento de benefícios e levar atendimento especializado a locais onde há escassez de médicos peritos. Trata-se de uma virada digital inédita no sistema público de avaliação de incapacidade.
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Uma virada digital no atendimento médico-pericial

A transição começou em 2024 com o projeto Perícia Conectada, que já realizou mais de 158 mil atendimentos remotos em todo o país. O modelo funciona de forma híbrida: o segurado comparece a uma unidade do INSS próxima à sua residência e é atendido virtualmente por um perito médico localizado em outro estado.
Segundo o governo, o programa foi um projeto-piloto de sucesso, demonstrando que é possível oferecer diagnósticos precisos e avaliações seguras sem a presença física do profissional.
“Com a perícia remota, conseguimos levar atendimento onde antes era impossível. Esse é o caminho para um serviço mais humano e eficiente”, afirmou Wolney Queiroz, secretário de Previdência, em entrevista à Agência Gov.
Fim das filas e menos burocracia
A digitalização total das perícias faz parte de um pacote de medidas voltadas à modernização do atendimento previdenciário. O ministro Carlos Lupi definiu como meta “eliminar as filas de perícia até o final de 2026”.
Para viabilizar o projeto, o governo federal anunciou a contratação de 500 novos peritos médicos federais em setembro de 2025, reforçando especialmente as regiões Norte e Nordeste, onde a carência de profissionais é mais grave.
A ampliação do quadro e o uso de tecnologia devem permitir que a média de tempo de análise de pedidos caia de 45 dias para até 15 dias.
“O Brasil é um país continental, e a tecnologia é a única forma de garantir equidade no atendimento”, destacou Lupi durante o anúncio.
Como funcionará a perícia médica por vídeo
O novo sistema será integrado ao portal Meu INSS, plataforma digital que já reúne serviços como agendamento, extrato de pagamento e acompanhamento de benefícios.
Etapas do processo:
- Agendamento online: o segurado acessará o Meu INSS e poderá escolher entre o atendimento presencial ou remoto.
- Conexão com o perito: no horário marcado, o beneficiário participará da consulta por videoconferência segura, em casa (para quem tiver estrutura técnica) ou em uma sala equipada de uma agência do INSS.
- Envio digital de documentos: exames, laudos e relatórios médicos poderão ser anexados online, com verificação automática de autenticidade.
- Emissão do laudo: o perito avaliará o caso, emitirá o parecer e assinará eletronicamente, com validade legal garantida.
Além disso, todas as sessões terão registro audiovisual e trilha de auditoria, o que aumenta a transparência e reduz a possibilidade de fraudes.
Benefícios diretos da perícia digital

A digitalização da perícia médica trará impactos positivos tanto para os segurados quanto para o sistema público.
Entre as principais vantagens:
- Menos deslocamentos: o cidadão economiza tempo e recursos, especialmente quem vive longe dos grandes centros.
- Redução de custos públicos: o INSS economiza em infraestrutura, transporte e logística.
- Acesso ampliado: localidades sem peritos fixos passam a ser atendidas regularmente.
- Análises mais rápidas: o tempo médio de resposta poderá cair em até 40%.
- Transparência e segurança: todo o processo será gravado e arquivado digitalmente.
O Ministério da Previdência estima que mais de 70% das perícias poderão ser realizadas de forma remota até o final de 2026, mantendo as presenciais apenas para casos que exijam exames físicos detalhados.
Desafios tecnológicos e sociais
Apesar dos avanços, a digitalização enfrenta obstáculos estruturais. Um dos principais é a conectividade limitada em regiões rurais e periferias urbanas, o que pode dificultar o acesso à videoconferência.
Outro desafio é garantir a segurança de dados sensíveis, como imagens, exames e prontuários médicos. O INSS afirma que a nova plataforma contará com criptografia de ponta e autenticação em dois fatores, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Casos complexos, como perícias de longa duração ou avaliações de múltiplas enfermidades, continuarão a ser realizados presencialmente.
Especialistas também alertam para a necessidade de treinamento contínuo dos peritos, a fim de assegurar uniformidade nos laudos e reduzir divergências regionais.
O papel da nova Lei nº 15.201/2025
A digitalização ganhou força após a sanção da Lei nº 15.201/2025, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criou o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB).
Essa lei estabelece metas de produtividade e bonificações para peritos e servidores que participarem de mutirões digitais e sistemas automatizados de análise.
O texto também determina que a adoção de novas tecnologias seja prioridade nas políticas de atendimento do INSS. Com isso, a teleperícia passa a ser considerada uma modalidade oficial de avaliação médica em todo o território nacional.
Segundo o Ministério da Previdência, o sistema estará plenamente operacional até o segundo semestre de 2026, com expansão gradual durante o próximo ano.
O que muda para os segurados
A principal mudança será a flexibilidade de escolha: o segurado poderá optar entre o modelo digital e o atendimento presencial tradicional.
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Essa transição híbrida visa evitar exclusões e garantir acessibilidade universal, principalmente para idosos ou pessoas com dificuldades tecnológicas.
Principais impactos positivos:
- Agilidade: processos mais rápidos e menos burocráticos.
- Previsibilidade: agendamentos e resultados disponíveis em tempo real.
- Comodidade: menos filas e espera em agências.
- Inclusão: acesso ampliado a quem mora em regiões com poucos peritos.
Para o governo, o impacto social será expressivo, especialmente entre os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), que frequentemente enfrentam longas esperas por avaliações médicas.
Um novo paradigma na administração pública
O INSS, historicamente associado à lentidão e à burocracia, busca se reposicionar como exemplo de inovação digital.
Nos últimos anos, o instituto tem adotado ferramentas de inteligência artificial, assinatura eletrônica e automatização de triagens para acelerar análises e reduzir fraudes.
A digitalização das perícias médicas representa, portanto, mais que uma modernização tecnológica — é um marco cultural no atendimento público.
Assim como o SUS digitalizou o prontuário eletrônico e a Receita Federal integrou cruzamentos automatizados de dados, o INSS agora entra definitivamente na era do governo digital.
“É uma revolução silenciosa. Estamos modernizando o atendimento sem tirar direitos, aproximando o Estado do cidadão”, disse Wolney Queiroz.
O futuro do atendimento previdenciário

A expectativa é que, com o sistema 100% digital, o INSS consiga eliminar filas históricas de perícia, agilizar a concessão de auxílio-doença, aposentadorias por invalidez e revisões do BPC.
Além disso, a integração com outros sistemas governamentais permitirá que dados de saúde e histórico laboral sejam cruzados automaticamente, evitando retrabalho e erros.
A longo prazo, o governo planeja incorporar recursos de inteligência preditiva, capazes de antecipar demandas e priorizar casos urgentes.
Conclusão: um passo decisivo rumo à inclusão e eficiência
A digitalização total das perícias médicas do INSS marca um novo capítulo na história da Previdência Social. O projeto combina tecnologia, eficiência e inclusão, com o objetivo de oferecer um serviço mais ágil, justo e acessível para milhões de brasileiros.
Com o avanço da teleperícia, o governo se aproxima do cidadão, reduz distâncias geográficas e moderniza a máquina pública — sem abrir mão da qualidade técnica ou da segurança jurídica.
Até 2026, a promessa é clara: um INSS mais rápido, digital e humano.
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