Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Perícia médica: INSS volta a exigir a realização presencial

O INSS anuncia a retomada da perícia presencial para auxílio-doença em casos específicos, após aumento nas concessões. Entenda as mudanças e o impacto nos segurados

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou que irá retomar a exigência de perícia médica presencial para alguns tipos de auxílio-doença, uma mudança que ocorre em resposta ao aumento significativo nos pedidos e concessões de benefícios através do sistema digital Atestmed. 

Esta decisão marca uma nova fase nas políticas de concessão de benefícios e busca melhorar o controle sobre as solicitações de auxílio-doença, especialmente para categorias específicas de segurados. Veja mais detalhes!

Leia mais: Como solicitar revisão em benefícios do INSS?

Contexto da Mudança

O que é o Atestmed?

O Atestmed é um sistema digital que permite que os segurados solicitem o auxílio-doença sem a necessidade de uma perícia presencial. Implementado para agilizar o processo de concessão e reduzir o tempo de espera, o sistema teve como objetivo aliviar a carga sobre o INSS, que enfrentava longas filas para atendimento.

Aumento nas Concessões

Segundo dados do Ministério da Previdência Social (MPS), houve um aumento expressivo nas concessões de auxílio-doença, especialmente em casos relacionados a doenças osteomusculares. 

Entre outubro de 2023 e setembro de 2024, 62% dos pedidos deferidos foram para dorsalgias (dores nas costas), um sinal de que a utilização do Atestmed pode ter sido excessiva ou mal aplicada em determinados casos.

Atestmed INSS
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Que Muda com a Retomada da Perícia Presencial?

Categorias Impactadas

O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, afirmou que a perícia presencial será exigida para:

  • Segurados com doenças osteomusculares: Como dores nas costas e lesões em articulações;
  • Desempregados no período de graça: Aqueles que mantêm o direito a benefícios sem contribuir;
  • Segurados facultativos: Aqueles que contribuem por vontade própria.

Objetivo da Mudança

A decisão de retomar a perícia presencial visa:

  • Controlar Abusos: A percepção de um aumento nos pedidos pode indicar comportamentos de abuso do sistema;
  • Melhorar a Análise dos Casos: A perícia presencial pode proporcionar uma avaliação mais detalhada e precisa das condições de saúde dos segurados;
  • Reduzir Despesas: Embora o Atestmed tenha sido visto como uma forma de reduzir custos, o aumento nas concessões levantou preocupações sobre a sustentabilidade financeira do INSS.

Análise dos Dados

Crescimento nas Concessões de Auxílio-Doença

Levantamentos realizados pelo pesquisador Rogério Nagamine indicam um crescimento de 43,5% nas concessões de auxílio-doença relacionadas a doenças osteomusculares em 2023, em comparação com 2022. Essa tendência alarmou o governo, que busca medidas para controlar o aumento de gastos.

Comparativo entre Atestmed e Perícias Presenciais

Dados preliminares mostram que o tempo médio de concessão via Atestmed foi de 93,4 dias, superior aos 82,77 dias observados nas perícias presenciais. Isso sugere que a análise presencial pode resultar em um controle mais eficiente sobre os benefícios concedidos.

Implicações da Decisão

Para os Segurados

Os segurados que se enquadram nas novas categorias exigidas para a perícia presencial terão que se preparar para um processo que pode ser mais demorado e exigente. A mudança pode gerar incertezas e preocupações entre os segurados, especialmente aqueles que dependem do auxílio-doença para sua sobrevivência financeira.

Para o INSS

A volta da perícia presencial pode ajudar o INSS a aprimorar o processo de concessão, permitindo um controle mais rigoroso sobre os benefícios. Além disso, a medida pode ajudar a reduzir os custos com pagamentos retroativos, que se tornaram uma preocupação para a administração pública.

Críticas e Desafios

A Opinião de Especialistas

Críticos, como a ANMP (Associação Nacional dos Médicos Peritos), expressam preocupações sobre a eficácia do Atestmed desde sua implementação. O presidente da ANMP, Luis Argolo, destacou que a medida poderia levar a um “dano exponencial” ao sistema, prejudicando tanto os segurados quanto a sustentabilidade orçamentária do INSS.

A Necessidade de Ajustes

Os especialistas sugerem que, para que a decisão de retomar a perícia presencial seja bem-sucedida, o INSS precisará fazer ajustes contínuos e avaliar a eficácia das novas diretrizes. Isso envolve não apenas monitorar os dados de concessão, mas também ouvir os feedbacks dos segurados e dos profissionais de saúde envolvidos.

Um mulher caminhando na seção de perícia médica do INSS, ao lado esquerdo tem a porta de um consultório, escrito: "consultório perícia médica 2".
Imagem: Joa Souza / Shutterstock.com

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Considerações Finais

A retomada da perícia presencial pelo INSS para alguns tipos de auxílio-doença é uma resposta a um cenário que se tornou insustentável com o uso excessivo do sistema digital Atestmed. 

Embora essa mudança possa trazer benefícios em termos de controle e redução de abusos, também levanta questões sobre a eficácia do processo de avaliação e as implicações para os segurados. 

A situação exigirá um monitoramento cuidadoso e uma abordagem equilibrada para garantir que os direitos dos segurados sejam respeitados enquanto se busca uma gestão mais eficiente dos recursos públicos.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Quando as novas regras entrarão em vigor?

As novas diretrizes devem ser implementadas ainda em outubro de 2024, embora detalhes finais estejam sendo discutidos.

2. Todas as doenças exigirão perícia presencial?

Não, apenas doenças osteomusculares e categorias específicas de segurados serão encaminhadas para perícia presencial.

3. O que deve ser feito por segurados que necessitam do auxílio-doença?

Os segurados devem acompanhar as orientações do INSS e se preparar para possíveis agendamentos de perícia.

4. Como o INSS planeja monitorar essa mudança?

O INSS irá coletar dados e avaliar os resultados após a implementação das novas regras, ajustando o processo conforme necessário.

5. Há risco de fraudes com a mudança?

A administração do INSS está ciente do potencial de abusos e busca implementar medidas para minimizar esse risco.

Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

Topicos relacionados