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Lula avança na AtlasIntel e chega a 47,7% em cenário de 2º turno contra Flávio

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Lula

A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta quarta-feira (23), mostra uma disputa presidencial ainda bastante concentrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os dois candidatos avançaram no cenário de primeiro turno em relação ao levantamento anterior, enquanto a simulação de segundo turno registrou uma inversão apenas numérica, ainda dentro da margem de erro.

No primeiro turno, Lula aparece com 45,8% das intenções de voto, contra 43,4% de Flávio. Na pesquisa anterior, realizada na semana passada, os percentuais eram de 44,1% e 41,7%, respectivamente. Como os dois cresceram 1,7 ponto percentual, a distância entre eles permaneceu em 2,4 pontos.

No segundo turno, Lula passou a registrar 47,7%, enquanto Flávio aparece com 47,4%. A diferença de 0,3 ponto percentual é inferior à margem de erro de um ponto, portanto o levantamento não permite apontar vantagem estatisticamente conclusiva entre os dois.

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O que mudou na nova pesquisa AtlasIntel

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Foto: AP photo/Eraldo Peres

A principal alteração em relação à rodada anterior está no cenário de segundo turno. Na pesquisa divulgada em 17 de setembro, Flávio tinha 47,2% e Lula, 46,8%. Agora, os números são de 47,7% para Lula e 47,4% para Flávio.

A mudança, portanto, deve ser interpretada dentro dos limites estatísticos do levantamento. Uma diferença inferior à margem de erro não representa, isoladamente, uma mudança consolidada na preferência do eleitorado.

O primeiro turno também mostra uma disputa concentrada nos dois principais candidatos. Depois deles, aparecem Renan Santos, com 4,5%, Augusto Cury, com 2,1%, Ronaldo Caiado, com 1,3%, e Romeu Zema, com 0,9%.

Aprovação do governo teve pouca alteração

A avaliação do governo também apresentou uma mudança mais discreta. A desaprovação de Lula caiu de 54% para 53%, enquanto a aprovação permaneceu em 45%. Isso significa que a oscilação das intenções de voto não foi acompanhada por uma transformação de mesma magnitude na avaliação da administração federal.

Esse dado é relevante para a leitura da pesquisa porque intenção de voto e avaliação de governo são perguntas diferentes. Um eleitor pode aprovar ou desaprovar uma administração e, ainda assim, declarar preferência por um candidato por razões relacionadas à economia, à oposição ou a outros temas da campanha.

Situação financeira das famílias também mudou

A pesquisa identificou alterações na percepção dos brasileiros sobre o próprio orçamento. A parcela dos entrevistados que afirmou ter ficado sem dinheiro ao longo do mês caiu de 40% na rodada anterior para 34%.

Ao mesmo tempo, aumentou de 31,5% para 36% o grupo que declarou ter conseguido guardar dinheiro. Os números indicam uma melhora na percepção financeira captada pelo levantamento, mas não permitem concluir, sozinhos, que a renda real das famílias tenha aumentado na mesma proporção.

O levantamento também mostra que o custo de vida continua sendo uma preocupação importante. Para 44,2% dos entrevistados, o aumento dos preços dos alimentos é o fator que mais pesa negativamente sobre as finanças familiares. Contas básicas, como luz, água, gás e internet, aparecem em seguida, com 32,1%.

Dívidas acumuladas e juros altos foram citados por 25% dos participantes. Na rodada anterior, esse percentual era de 33,5%.

Bolsa Família entra no contexto econômico

A coleta da nova pesquisa ocorreu entre 17 e 22 de setembro, período que inclui o anúncio do reajuste do Bolsa Família. O governo federal oficializou uma recomposição de 15,04% nos valores do programa, com vigência a partir da folha de outubro.

Com a mudança, o benefício mínimo por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a atualização foi calculada com base na variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.

A coincidência entre o anúncio e o período de coleta merece ser registrada, mas não permite atribuir causalidade ao resultado eleitoral. A pesquisa não identifica, por exemplo, quantos entrevistados mudaram de opinião por causa do reajuste nem estabelece uma relação direta entre o benefício e a variação das intenções de voto.

Crise no STF aparece como fator de percepção eleitoral

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Outro resultado chama atenção pela diferença em relação aos indicadores econômicos. Para 52,3% dos entrevistados, a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal prejudica mais a candidatura de Lula. Para 20,8%, o impacto negativo seria maior sobre Flávio Bolsonaro. Outros 15,5% avaliam que os dois são prejudicados igualmente.

O dado representa a percepção dos entrevistados sobre os efeitos eleitorais do episódio, e não uma medição objetiva de impacto sobre os votos.

Na rodada anterior, 49,5% haviam apontado Lula como o candidato mais prejudicado pela crise. A alta para 52,3% ocorre, portanto, mesmo com a manutenção de números próximos na disputa presidencial.

Esse contraste mostra que diferentes temas podem produzir percepções distintas entre os eleitores. A economia doméstica, o preço dos alimentos, os programas sociais e a situação institucional aparecem simultaneamente no cenário pesquisado.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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