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Lula tem 46% e Flávio 45% em pesquisa; outro levantamento aponta cenário invertido

Pesquisas recentes mostram Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em cenários de segundo turno. Veja os números e entenda a disputa.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··7 min de leitura
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A corrida presidencial de 2026 entrou em uma fase de maior equilíbrio entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). As pesquisas nacionais mais recentes mostram o presidente ainda à frente em parte dos cenários, mas com diferenças cada vez menores em uma eventual disputa de segundo turno. Em um dos levantamentos mais recentes, Flávio chegou a aparecer numericamente na liderança.

Os resultados não significam que haja uma virada consolidada. As margens de erro impedem afirmar que um dos dois esteja efetivamente à frente em alguns dos confrontos. O que os números revelam, porém, é uma eleição mais competitiva, marcada pela polarização e por um eleitorado que começa a definir suas escolhas a pouco mais de um mês do primeiro turno.

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O que mostram as pesquisas mais recentes?

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A pesquisa BTG/Nexus divulgada em 24 de agosto colocou Lula com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 45% de Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, o resultado foi considerado empate técnico.

Poucos dias depois, o levantamento Vox Brasil apresentou um quadro ainda mais apertado. Flávio apareceu com 45,1%, enquanto Lula registrou 44,5%. A diferença de apenas 0,6 ponto também está dentro da margem de erro, de 2,15 pontos percentuais.

Na prática, as duas pesquisas apresentam fotografias diferentes de uma mesma disputa: em uma, Lula aparece numericamente à frente; na outra, Flávio ocupa essa posição. Estatisticamente, entretanto, nenhum dos dois pode ser apontado como líder isolado no segundo turno.

Flávio reduziu a distância para Lula?

Sim. O movimento mais significativo aparece na série histórica do Vox Brasil.

No levantamento anterior do instituto, realizado no fim de julho, Lula tinha 47,5% contra 41,1% de Flávio em um eventual segundo turno. Na rodada seguinte, o presidente caiu para 44,5%, enquanto o senador avançou para 45,1%.

A mudança representa uma redução de 6,4 pontos percentuais na diferença entre os dois. A vantagem que era de Lula passou, numericamente, para Flávio.

Esse movimento, porém, não deve ser interpretado isoladamente como uma confirmação de virada eleitoral. Oscilações entre pesquisas podem ocorrer por diferentes fatores, incluindo período de coleta, metodologia, composição da amostra e margem de erro.

Como está o primeiro turno?

Apesar do equilíbrio no segundo turno, Lula continua numericamente à frente nas pesquisas de primeiro turno.

Na pesquisa BTG/Nexus mais recente, o presidente aparece com 37%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury, do Avante, chamou atenção ao alcançar 11%, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) registra 6%, Renan Santos (Missão) 3% e Romeu Zema (Novo) 2%.

Em outro levantamento divulgado no mesmo período, a AtlasIntel colocou Lula com 43,4% e Flávio com 33,7%. Augusto Cury apareceu novamente em crescimento, com 7,8%.

A diferença entre os resultados reforça uma questão comum em pesquisas eleitorais: levantamentos diferentes podem produzir números distintos sem que necessariamente exista uma contradição. Cada instituto trabalha com metodologia, amostra e período de entrevistas próprios.

O que é empate técnico?

O chamado empate técnico ocorre quando a diferença entre dois candidatos está dentro da margem de erro da pesquisa.

Se um levantamento aponta Lula com 46% e Flávio com 45%, por exemplo, não é correto afirmar que Lula está efetivamente um ponto à frente. Com margem de erro de dois pontos, o resultado pode variar dentro desse intervalo.

Por isso, a leitura mais adequada das pesquisas recentes é que Lula e Flávio estão tecnicamente empatados em alguns cenários de segundo turno, embora um ou outro apareça numericamente à frente.

Essa distinção é fundamental para evitar interpretações precipitadas sobre uma possível virada na corrida presidencial.

Rejeição também pode influenciar a disputa

Outro fator que chama atenção é o alto índice de rejeição dos dois principais candidatos.

Na rodada do BTG/Nexus divulgada em 24 de agosto, 49% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro aparecia logo atrás, com 48%.

Os números mostram que ambos possuem bases eleitorais fortes, mas também enfrentam resistência significativa entre parcelas do eleitorado.

Esse cenário pode ganhar importância na segunda etapa da eleição. Em uma disputa entre dois nomes, os candidatos precisam não apenas mobilizar seus apoiadores, mas também conquistar eleitores que rejeitam o adversário ou que ainda não estejam totalmente decididos.

O eleitor já definiu o voto?

Os levantamentos indicam que uma parcela relevante do eleitorado já apresenta preferência consolidada, embora ainda exista espaço para mudanças.

Na pesquisa BTG/Nexus de 17 de agosto, 78% dos eleitores que declararam voto disseram que a decisão já estava tomada e não mudaria. Ao mesmo tempo, 17% ainda estavam indecisos no cenário espontâneo.

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No levantamento seguinte, o percentual de indecisos na pergunta espontânea caiu para 15%, enquanto Lula registrou 38% e Flávio avançou de 29% para 31%.

A redução dos indecisos sugere que a campanha começa a produzir efeitos sobre uma parcela do eleitorado. Ainda assim, não significa que todos esses eleitores tenham definido de maneira definitiva quem apoiarão.

O que os números indicam para a eleição?

As pesquisas mais recentes apontam três tendências principais. A primeira é a manutenção de Lula na liderança numérica do primeiro turno em diferentes levantamentos. A segunda é a consolidação de Flávio Bolsonaro como seu principal adversário. A terceira é o estreitamento da disputa entre os dois em simulações de segundo turno.

A AtlasIntel, por exemplo, registrou Lula com 47,1% contra 42,6% de Flávio em um eventual segundo turno, diferença maior que a observada pela BTG/Nexus e pela Vox Brasil, mas ainda mostrando uma disputa competitiva.

Também chama atenção o crescimento de Augusto Cury em algumas pesquisas. O candidato passou a ocupar um espaço mais relevante entre os nomes da chamada terceira via, embora ainda esteja distante dos dois principais concorrentes em um cenário de segundo turno.

Isso significa que a eleição ainda está aberta a movimentos importantes nas próximas semanas. Debates, propaganda eleitoral, desempenho dos candidatos, acontecimentos políticos e econômicos e a transferência de votos dos demais concorrentes podem alterar o quadro.

Quando serão as próximas pesquisas?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A divulgação de novos levantamentos deve ganhar frequência à medida que a eleição se aproxima. A AtlasIntel, por exemplo, realizou uma nova coleta entre 25 e 30 de agosto, com divulgação prevista para 31 de agosto. O levantamento testa Lula contra Flávio Bolsonaro e outros possíveis adversários.

Com a campanha avançando, a comparação entre pesquisas passa a ser mais útil do que a análise de um único número. A tendência apresentada por diferentes institutos, especialmente quando há resultados semelhantes em períodos próximos, oferece uma visão mais consistente do comportamento do eleitorado.

Conclusão

As pesquisas eleitorais mais recentes mostram uma corrida presidencial mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro, principalmente em um eventual segundo turno. Embora Lula continue numericamente à frente em diversos levantamentos e mantenha vantagem no primeiro turno, a diferença para Flávio diminuiu em algumas pesquisas a ponto de configurar empate técnico.

O resultado ainda não permite afirmar que houve uma virada. A principal conclusão é que a disputa se tornou mais competitiva e que os próximos levantamentos terão papel importante para indicar se a aproximação de Flávio representa uma tendência consistente ou apenas uma oscilação dentro da margem de erro.

Para o eleitor, a melhor forma de acompanhar a corrida é observar a evolução dos números, verificar a metodologia de cada instituto e evitar conclusões baseadas em uma única pesquisa.

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