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Petrobras decepciona no 1T com queda nos dividendos e Ebitda abaixo, mas mira futuro com novos investimentos

Petrobras divulga Ebitda de US$ 10,7 bi e R$ 11,7 bi em dividendos no 1T25. Analistas veem resiliência, mas alertam para riscos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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A Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou nesta semana os resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre de 2025, apresentando um desempenho operacional considerado sólido, embora ligeiramente abaixo das expectativas do mercado em alguns indicadores. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) ajustado recorrente atingiu US$ 10,7 bilhões, enquanto os dividendos anunciados somaram US$ 2,1 bilhões (cerca de R$ 11,7 bilhões).

Apesar de a performance ter sido considerada praticamente em linha com as projeções, analistas de grandes bancos apontaram pontos de atenção importantes, especialmente no que diz respeito ao nível de investimentos (capex) e ao cenário de preços do petróleo Brent.

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Bandeira da empresa Petrobras estiada ao lado da bandeira do Brasil.
Imagem: SERGIO V S RANGEL/Shutterstock.com

Ebitda e lucro acima de parte das estimativas

A Petrobras apresentou um Ebitda 2% abaixo do consenso de mercado compilado pela própria companhia, conforme aponta o Goldman Sachs, mas ainda considerado robusto. Para a XP Investimentos, o lucro líquido ficou 16% acima de suas projeções, impulsionado por efeitos cambiais positivos na linha de despesas financeiras.

O desempenho operacional positivo do segmento de Exploração e Produção (Upstream) se destacou, com Ebitda de US$ 10 bilhões, superando em 3,9% a expectativa do JPMorgan. Segundo os analistas, isso se deve à melhor realização de preço no trimestre, o que compensou parcialmente o aumento nos custos de extração.

Segmentos com desempenho misto:

  • Refino: Queda de 28,7% no Ebitda, trimestre contra trimestre, impactado por custos operacionais e estoques;
  • Gás e Energias de Baixo Carbono: Resultado fraco, segundo os analistas;
  • Comercialização: Também com desempenho inferior ao esperado.

Dividendos regulares frustram parte do mercado

A estatal anunciou a distribuição de R$ 11,7 bilhões (R$ 0,91 por ação) em dividendos ordinários, valor cerca de 6% inferior ao consenso de mercado. Mesmo assim, representa um aumento de 31% em relação ao trimestre anterior, o que foi bem recebido por parte do mercado.

Segundo a Genial Investimentos, o rendimento em dividendos trimestral foi de 2,9%, o que equivale a um yield anualizado de 11,4%. No entanto, a casa de análise alerta que esse nível não deve se manter caso o preço do Brent continue entre US$ 60 e US$ 65 por barril.

Capex acima das expectativas é ponto de alerta

O capex (investimentos realizados) da Petrobras foi outro aspecto observado de perto. O valor totalizou US$ 3,98 bilhões, 8% acima do consenso, mas 29% menor em relação ao trimestre anterior. Esse alívio pontual, segundo o Goldman Sachs, pode não se repetir, já que o plano estratégico da companhia prevê um aumento estrutural dos investimentos nos próximos anos.

Para o Morgan Stanley, o capex foi “o número mais importante do trimestre”, e sua proximidade com a estimativa do banco (apenas 1% superior) foi vista como sinal de estabilidade e previsibilidade.

Dinâmica do fluxo de caixa livre (FCF):

  • FCF bruto: US$ 3,94 bilhões
  • FCF pós-arrendamentos: US$ 1,85 bilhão
  • Yield anualizado: 14,2%

Esses números representam alta de 18% frente ao 4T24 e 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que reforça a resiliência da geração de caixa da estatal, mesmo em ambiente de preços pressionados.

Análise de mercado: visões mistas

Goldman Sachs

Classificou o resultado como ligeiramente negativo, por conta dos dividendos e do capex acima do consenso. Ressaltou, porém, melhora sequencial em relação ao último trimestre.

XP Investimentos

celular com logo da XP Investimentos na tela, ao lado uma calculadora
Imagem: Brenda Rocha Blossom / shutterstock.com

Considerou os resultados levemente abaixo das estimativas, mas sem grandes surpresas. Espera que o mercado reaja de forma neutra a levemente negativa, com foco no fluxo de caixa livre e nos dividendos.

JPMorgan

Antecipou reação negativa moderada, destacando que o Ebitda ficou 3% abaixo do consenso, mas ressaltou o bom desempenho do segmento de E&P.

Morgan Stanley

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Manteve recomendação overweight (compra) para os ativos internacionais da Petrobras, destacando a capacidade de geração de caixa mesmo em cenários adversos de preço do petróleo.

Eleven Financial

O head de Research, Fernando Siqueira, destacou que a área de E&P novamente liderou os bons resultados, mas alertou para pressões no refino, comercialização e gás natural.

Preço do petróleo Brent no centro da discussão

A tese de dividendos da Petrobras está intimamente ligada à cotação do Brent, que atualmente gira entre US$ 60 e US$ 65 por barril. Analistas apontam que qualquer deterioração adicional nos preços do petróleo poderá afetar significativamente a capacidade da empresa de manter dividendos elevados, especialmente se a política de capex agressivo continuar.

Fatores que impactam a tese de investimentos:

  • Alta dos custos operacionais e despesas recorrentes;
  • Investimentos maiores com foco em transição energética e exploração;
  • Dependência do preço do petróleo para remuneração aos acionistas.

Para a Genial Investimentos, o cenário atual exige cautela. Ainda que os números sejam sólidos, a empresa acredita que o mercado seguirá cético diante de maiores aportes e margens pressionadas no refino.

Estratégia e perspectivas

A Petrobras segue com uma estratégia mais agressiva de investimentos, ampliando sua atuação em áreas de baixo carbono, exploração em novas fronteiras e infraestrutura de gás natural. Ao mesmo tempo, a empresa mantém o compromisso com a política de dividendos baseados no fluxo de caixa livre, ajustada conforme o desempenho operacional e financeiro.

Pilares estratégicos da Petrobras em 2025:

Fachada do prédio da Petrobras, com foco no logo da empresa.
Imagem: Simon Mayer / shutterstock.com
  • Foco em produção eficiente de petróleo e gás;
  • Ampliação de investimentos em energia renovável e gás natural;
  • Manutenção de disciplina financeira e geração de caixa;
  • Distribuição de dividendos conforme política vigente.

Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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