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Petrobras (PETR4): entenda como a queda do petróleo afeta os dividendos, segundo o UBS BB

UBS BB alerta que a queda do Brent e o temor de recessão global devem limitar dividendos da Petrobras (PETR4) até 2027!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
petrobras

O temor de uma recessão global e o aumento inesperado da produção de petróleo pela Opep+ derrubaram os preços da commodity nos mercados internacionais. Em apenas uma semana, o Brent recuou cerca de 14%, ou US$ 10 por barril, atingindo o menor patamar em quase quatro anos. Segundo avaliação do banco UBS BB, esse movimento tende a impactar diretamente o fluxo de caixa da Petrobras (PETR4) e, consequentemente, limitar o potencial de distribuição de dividendos nos próximos anos.

A análise, liderada pelo estrategista Matheus Enfeldt, destaca que, embora a Petrobras tenha apresentado desempenho superior a outras petroleiras latino-americanas na última semana, as ações preferenciais da estatal recuaram 4% apenas na segunda-feira (7), em meio ao pessimismo generalizado nos mercados globais.

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Imagem: Donatas Dabravolskas / Shutterstock.com

O que provocou a queda no preço do petróleo?

Opep+ antecipa aumento de produção e tensões comerciais agravam cenário

Entre os principais motivos para o recuo acentuado do Brent, os analistas do UBS BB citam:

  • A decisão da Opep+ de acelerar a oferta global de petróleo a partir de maio;
  • As tensões tarifárias internacionais, especialmente os novos impostos comerciais adotados pelos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump;
  • A crescente preocupação com uma recessão global, que pode reduzir significativamente a demanda por energia.

Essa combinação de fatores levou a uma correção na curva futura do Brent, agora estacionada na faixa de US$ 60 a US$ 65 por barril até 2027, sem grandes expectativas de valorização até lá.

Impacto na Petrobras: dividendos ameaçados?

UBS BB prevê fluxo de caixa mais restrito entre 2025 e 2027

Com a nova realidade dos preços do petróleo, o UBS BB estima que a Petrobras deve gerar um fluxo de caixa livre entre 7% e 8% ao ano até 2027, o que pode restringir o pagamento de dividendos aos acionistas.

“A não ser que a companhia opte por aumentar a alavancagem para sustentar dividendos em torno de 11%, a distribuição deve seguir mais comedida”, aponta o relatório da instituição financeira.

Apesar disso, o UBS BB mantém recomendação de compra para PETR4, com preço-alvo de R$ 49, baseado na expectativa de que a Petrobras possa se beneficiar de possíveis estímulos econômicos no Brasil e manter fundamentos sólidos mesmo em cenário global adverso.

Queda do petróleo é compensada por câmbio desfavorável

Paridade de importação ainda favorece manutenção dos preços internos

Mesmo com a queda nos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis, a desvalorização do real frente ao dólar compensou parte dessas perdas. A paridade de importação, segundo o UBS BB, atualmente indica:

  • +8% para a gasolina;
  • +2% para o diesel.

Ou seja, ainda há espaço para cortes nos preços internos, mas a estatal tem optado por manter estabilidade diante das incertezas externas.

Governo pressiona por cortes nos combustíveis

Ministério de Minas e Energia quer redução de até 10% na gasolina

Fontes do setor afirmam que o governo federal tem pressionado a Petrobras por reduções de até 10% na gasolina e 5% no diesel, como forma de aliviar o custo de vida da população. No entanto, a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, foi enfática ao declarar que não haverá cortes enquanto o cenário global continuar instável.

“O ambiente ainda é turbulento. Enquanto houver risco e imprevisibilidade, os preços nas refinarias serão mantidos”, afirmou a executiva.

Essa cautela da gestão da Petrobras visa evitar perdas operacionais em um ambiente de elevada volatilidade e pressão fiscal.

Perspectivas para PETR4: política e juros entram no radar

Fachada do prédio da Petrobras, com foco no logo da empresa.
Imagem: Simon Mayer / shutterstock.com

Eleições de 2026 e ciclo de juros influenciam as ações da estatal

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Além do petróleo e do câmbio, o cenário político-eleitoral brasileiro começa a ganhar destaque nas análises de investimento em Petrobras. Com a proximidade de 2026, o mercado monitora atentamente os desdobramentos políticos, sobretudo com especulações sobre possíveis mudanças de direção na política energética.

Outro fator de suporte potencial para as ações da PETR4 seria o fim do ciclo de alta dos juros no Brasil, o que poderia impulsionar fluxos para a renda variável e beneficiar empresas com maior peso no Ibovespa, como a própria Petrobras.

Avaliação técnica e desempenho recente da PETR4

Mesmo com queda recente, ações mantêm trajetória positiva no ano

Apesar do recuo de 4% no início da semana, a Petrobras ainda apresenta desempenho superior aos pares regionais e aos principais índices globais em 2025. As ações preferenciais (PETR4) são negociadas em torno de R$ 33,01, mas seguem atrativas segundo o UBS BB, que aponta potencial de valorização superior a 40%, considerando o preço-alvo de R$ 49.

A empresa segue entre as favoritas de investidores focados em dividendos e fluxo de caixa robusto, mesmo com o cenário adverso no curto prazo.

O que esperar dos dividendos da Petrobras em 2025?

Fachada da estatal brasileira Petrobras, com a logo em uma parede quadriculada cinza
Imagem: Wirestock Creators / Shutterstock.com

Cenário global adverso pode pressionar, mas estatal segue resiliente

Diante do cenário atual, os dividendos da Petrobras devem:

  • Ser menos generosos do que nos anos de Brent elevado (2022 e 2023);
  • Ficar entre 7% e 8% de yield, salvo decisão estratégica de elevar o endividamento para manter a atratividade aos acionistas;
  • Depender diretamente da estabilização do petróleo, do câmbio e da política interna nos próximos trimestres.

Ainda assim, a Petrobras segue como uma das estatais com maior potencial de geração de caixa da América Latina, e os analistas do UBS BB acreditam que o risco é limitado no médio prazo, dada a solidez operacional da companhia.

Imagem: Donatas Dabravolskas / Shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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