A Petrobras, uma das maiores empresas estatais do Brasil, enfrenta atualmente uma situação inédita nos últimos anos: a falta de profissionais qualificados para ocupar vagas em suas operações industriais.
De app para uniforme: Petrobras quer atrair trabalhadores autônomos
Petrobras quer ex-motoristas de app no setor industrial. Veja salários e como se qualificar para as novas vagas!
O fenômeno ocorre em meio a um cenário de pleno emprego no país, impulsionado por investimentos robustos da empresa e pela retomada econômica em setores como o da construção civil e refino.
Durante a apresentação do plano de investimentos da estatal no Rio de Janeiro, no dia 3 de julho de 2025, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que já há carência de profissionais como eletricistas, caldeireiros, mecânicos e soldadores, figuras essenciais para as atividades da companhia e de suas terceirizadas.
“Já estamos nessa fase de pleno emprego, já estão faltando eletricistas, caldeireiros e soldados, todo esse arsenal de pessoal que nós utilizamos e mobilizamos para as nossas operações”, declarou Chambriard.
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Investimentos bilionários e geração de empregos em massa

A Petrobras anunciou um pacote de investimentos superior a R$ 33 bilhões até 2029, com foco na área de refino e indústria petroquímica. Os recursos devem gerar 38 mil empregos diretos e indiretos, além de 100 mil oportunidades em serviços de manutenção ao longo dos próximos anos.
Apesar da concentração no estado do Rio de Janeiro, a escassez de mão de obra é um desafio em diversos estados brasileiros, segundo informou a presidente da estatal.
A empresa vê esse quadro como reflexo do reaquecimento do mercado de trabalho, mas alerta para os riscos de paralisações por falta de pessoal qualificado.
Petrobras quer motoristas de aplicativo de volta à construção
A Petrobras identificou que muitos profissionais qualificados migraram para o setor de transporte por aplicativo — como Uber, 99 e outros — durante os anos de retração econômica.
Agora, com a retomada de grandes obras e necessidade crescente de mão de obra técnica, a companhia busca repatriar esses trabalhadores. Renata Baruzzi, diretora-executiva de Engenharia, Tecnologia e Inovação, afirmou que:
“Muita gente foi para o Uber. Então, vamos ver se a gente consegue trazer o pessoal de volta do Uber para a obra”.
Segundo a executiva, muitos desses profissionais já começaram a retornar, atraídos por salários competitivos, benefícios como plano de saúde e a segurança do emprego formal.
Salários variam de R$ 6 mil a R$ 30 mil nas obras da Petrobras
William França, diretor executivo de Processos Industriais e Produtos, destacou que o novo ciclo de investimentos representa uma geração intensiva de empregos qualificados. Em setores como inspeção de solda e planejamento de operações, os rendimentos podem ultrapassar R$ 25 mil.
Exemplos de salários nas obras da Petrobras:
- Inspetor de solda: em torno de R$ 10 mil;
- Planejador de obras com domínio de software: até R$ 25 mil;
- Mecânicos e operadores de guindastes: entre R$ 6 mil e R$ 15 mil;
- Supervisores ou engenheiros especializados: acima de R$ 30 mil.
Além dos salários atrativos, a estatal reforça que os contratos com empresas terceirizadas exigem benefícios como plano de saúde, o que representa um diferencial importante para trabalhadores que antes atuavam como autônomos.
Programa Autonomia e Renda: qualificação para o mercado
Para enfrentar o gargalo de mão de obra, a Petrobras também aposta no Programa Autonomia e Renda, voltado para a qualificação profissional de beneficiários do Bolsa Família.
Em parceria com entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o projeto visa capacitar trabalhadores para atuação em obras e serviços de manutenção nas refinarias.
“A nossa ideia é que retire esse pessoal do Bolsa Família para que possa trabalhar não só nas nossas obras, como nas paradas de manutenção”, explicou Renata Baruzzi.
A estratégia reforça o compromisso da Petrobras com a inclusão social por meio do emprego formal, além de contribuir para reduzir a informalidade no país.
Contexto econômico: desemprego em queda histórica
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE no final de junho de 2025, a taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,2%, o menor índice registrado para o período desde 2012.
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O número de desalentados — pessoas que desistiram de procurar trabalho — também atingiu o menor patamar desde 2016.
O cenário reflete a recuperação econômica e a retomada de grandes projetos industriais, como os promovidos pela Petrobras. No entanto, o crescimento acelerado expõe a dificuldade de suprir a demanda por profissionais especializados.
Qualificação técnica é o maior gargalo
Apesar do volume de empregos disponíveis, muitas vagas seguem abertas por falta de mão de obra com formação técnica adequada. Áreas como soldagem, inspeção, controle de máquinas pesadas e planejamento de obras exigem experiência prática e certificações específicas, o que limita a absorção imediata de trabalhadores oriundos da informalidade.
Especialistas defendem o fortalecimento da educação técnica e de programas de qualificação rápida como caminho para resolver esse desequilíbrio entre oferta e demanda.
Caminhos para quem quer sair do aplicativo e voltar à indústria

Para os ex-motoristas de aplicativo interessados em retornar ao mercado formal da indústria, há oportunidades em diversas regiões do país. A recomendação é buscar cursos técnicos oferecidos por instituições como SENAI, Firjan, e os próprios programas da Petrobras, como o Autonomia e Renda.
Etapas recomendadas para migrar da informalidade para as obras industriais:
- Buscar qualificação técnica em áreas como elétrica, mecânica, soldagem e inspeção.
- Se cadastrar em plataformas das empresas terceirizadas que atuam com a Petrobras.
- Acompanhar os editais e programas de qualificação divulgados por Petrobras e entidades parceiras.
- Manter a documentação em dia, inclusive registros profissionais (CREA, NR-10, NR-35, etc).
Conclusão: do volante para o canteiro de obras
A iniciativa da Petrobras de atrair trabalhadores autônomos de volta ao setor industrial marca uma mudança importante no perfil da força de trabalho brasileira.
A transição do trabalho informal para o emprego formal, com direitos e benefícios, pode representar um salto de qualidade de vida para milhares de brasileiros.
Com salários competitivos, programas de capacitação e um ambiente econômico favorável, a retomada da indústria nacional se apresenta como um caminho promissor para quem busca estabilidade e valorização profissional.
Imagem gerada pelo ChatGPT
