A Petrobras (PETR3; PETR4) pode aplicar uma redução de 11% no preço da gasolina nas refinarias durante o segundo trimestre de 2025, segundo estimativa divulgada por analistas do banco UBS BB. A queda, equivalente a R$ 0,34 por litro, está relacionada principalmente ao recuo nas cotações internacionais do petróleo, conforme destaca relatório obtido com exclusividade pela reportagem nesta quarta-feira (21).
Preço da gasolina pode cair 11%, segundo UBS BB; Petrobras (PETR4) deve anunciar corte em breve
Petrobras pode cortar preço da gasolina em 11% no 2º trimestre de 2025, segundo relatório do UBS BB. Baixa do petróleo motiva possível redução.
A possível redução reacende o debate sobre a política de preços da estatal, que vem sendo pressionada tanto por fatores externos quanto pela necessidade de preservar a competitividade do mercado interno. O impacto da medida, se confirmada, deverá ser sentido em toda a cadeia de combustíveis, com reflexos no transporte, inflação e consumo das famílias brasileiras.
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Entenda o contexto da redução proposta

Congelamento vigente nas refinarias
Atualmente, o preço da gasolina está congelado em R$ 3,01 por litro nas refinarias desde 9 de julho de 2024, quando a Petrobras promoveu um aumento de R$ 0,20 por litro. Desde então, o mercado internacional tem registrado uma sequência de quedas na cotação do petróleo, ao passo que o câmbio se estabilizou em níveis mais favoráveis.
Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o Preço de Paridade de Importação (PPI) – referência usada para avaliar se os preços internos estão alinhados ao mercado internacional – acumula uma redução de R$ 0,43 por litro desde o último reajuste.
Diferenças entre preços nas refinarias
O UBS BB destaca que a gasolina vendida pela Petrobras está atualmente 5% abaixo do PPI na refinaria de Paulínia (SP) e 6% abaixo na refinaria de Itaqui (MA). No caso do diesel, a defasagem é semelhante: 5% abaixo do PPI em Paulínia, mas 7% abaixo em Itaqui.
Essas diferenças regionais refletem tanto os custos logísticos quanto as variações de demanda e estrutura tributária locais.
Projeções do UBS BB: gasolina e diesel em queda
Impacto esperado para a gasolina
O relatório assinado pelos analistas Matheus Enfeldt, Tasso Vasconcellos e Victor Modanese projeta um corte de 11% no preço da gasolina no segundo trimestre de 2025. Isso representaria uma redução direta de R$ 0,34 por litro, o que poderia levar o preço nas refinarias a R$ 2,67, se o congelamento atual for encerrado.
Esse movimento, segundo os analistas, é sustentado pela expectativa de manutenção das cotações internacionais do petróleo em patamares mais baixos do que os observados no primeiro semestre de 2024.
Diesel também deve cair
A equipe do UBS BB também prevê uma redução de mais de 2% no preço do diesel, o equivalente a cerca de R$ 0,07 por litro. Assim como na gasolina, o recuo é atribuído à queda do petróleo, mas também à redução da demanda sazonal observada em parte do segundo trimestre.
Os analistas alertam, no entanto, que a defasagem atual no diesel ainda está acima dos níveis ideais, o que pode dificultar a estratégia de repasse total da redução, principalmente em algumas regiões.
Influência internacional e mudanças na política de preços
A cotação do petróleo em queda
O barril de petróleo tipo Brent, referência global, vem sendo negociado abaixo de US$ 80 desde o início de abril, após atingir picos superiores a US$ 90 em meados de 2024. A queda é resultado do aumento da produção por países não membros da Opep e do desaquecimento econômico em grandes economias como China e Alemanha.
Esse cenário tem permitido espaço para ajustes internos no Brasil, especialmente após o governo reforçar o discurso de que a política de preços da Petrobras deve seguir critérios mais voltados ao mercado nacional.
Revisão da paridade internacional
Embora o PPI não seja mais a diretriz oficial da Petrobras desde 2023, ele ainda serve como parâmetro para o setor. A empresa afirma considerar custos internos e internacionais na sua formação de preços, mas sem seguir uma fórmula fixa.
Com isso, mesmo com a defasagem apontada por entidades do setor, a Petrobras mantém o controle sobre o ritmo e o momento dos reajustes, o que tem provocado críticas de agentes do mercado.
Possíveis impactos econômicos da redução

Combate à inflação
Uma queda de 11% na gasolina pode ter reflexos diretos no IPCA, índice oficial de inflação. Como combustível é item de peso considerável na composição do índice, o recuo no preço ajudaria a conter a inflação nos meses seguintes à redução.
Segundo cálculos preliminares de economistas do mercado, um corte de R$ 0,34 por litro poderia reduzir o IPCA em até 0,15 ponto percentual no trimestre.
Alívio no transporte e logística
Setores como o de transportes e logística também devem sentir os efeitos da redução, com possíveis quedas nos custos operacionais. Isso se reflete tanto no transporte coletivo urbano quanto nas empresas de entregas e cargas rodoviárias.
Consumo das famílias
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A queda nos preços da gasolina tende a liberar parte da renda das famílias, principalmente de classes mais baixas, que ainda dependem do transporte individual ou de aplicativos. O movimento pode estimular o consumo em outros setores da economia.
Petrobras e mercado: reações e expectativas
PETR3 e PETR4 podem reagir na Bolsa
As ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) podem ter reações mistas com o anúncio de cortes nos combustíveis. Embora uma política de preços mais alinhada ao mercado nacional agrade consumidores e o governo, ela pode reduzir a margem de lucro da estatal no curto prazo.
Analistas do mercado seguem atentos às sinalizações da diretoria da empresa e aos dados macroeconômicos que podem influenciar as cotações do petróleo nos próximos meses.
Investidores atentos às decisões do governo
Com a proximidade do segundo semestre, o governo federal também deve intensificar sua atenção à política de preços da Petrobras. Qualquer movimento brusco na defasagem dos preços pode ser interpretado como interferência política, o que preocupa os investidores institucionais.
No entanto, até o momento, o relatório do UBS BB não indica que a redução projetada decorra de pressão governamental, mas sim de fundamentos econômicos e do comportamento do mercado internacional.
O que esperar nos próximos meses?

Monitoramento diário do PPI
Importadores, distribuidores e revendedores de combustíveis seguirão monitorando o PPI diariamente. A diferença entre o valor da gasolina e do diesel praticado no exterior e o preço nas refinarias será determinante para pressionar (ou não) a Petrobras por novos cortes.
Nova rodada de ajustes em análise
Caso o petróleo continue em queda, novas rodadas de redução nos preços dos combustíveis podem ocorrer ainda no segundo semestre de 2025. No entanto, analistas alertam que o cenário é volátil e depende de fatores como conflitos geopolíticos, clima e decisões da Opep+.
Conclusão
A possível redução de 11% no preço da gasolina pela Petrobras no segundo trimestre de 2025 reflete uma conjuntura favorável no mercado internacional do petróleo e pode gerar impactos positivos na economia brasileira. Além de aliviar os custos para consumidores e setores logísticos, o corte pode contribuir para conter a inflação. No entanto, o cenário ainda é volátil e depende da continuidade das quedas no preço do petróleo e da estabilidade do câmbio. A expectativa é de que a estatal continue monitorando o mercado para ajustar sua política de preços com responsabilidade e transparência.
