A Petrobras está em fase avançada de estudos para uma possível entrada estratégica na Raízen, joint venture formada pela brasileira Cosan e pela anglo-holandesa Shell, como parte de seu retorno ao mercado de biocombustíveis, especialmente o etanol. A movimentação sinaliza uma guinada importante da petroleira estatal, que pretende recuperar espaço no setor, com foco em parcerias estruturadas e investimentos sustentáveis.
Petrobras mira Raízen para retomar etanol com foco em limpeza e escala
Petrobras estuda entrar na Raízen para ampliar presença no etanol, com possível sociedade ou compra de ativos e anúncio previsto neste ano!
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a decisão deve ser anunciada ainda em 2025, e inclui opções como participação acionária minoritária, aquisição de ativos estratégicos ou até mesmo acordos operacionais com cláusulas específicas de governança corporativa.
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Raízen: um gigante do etanol em números
Liderança global e tecnologia de ponta
A Raízen é atualmente a maior produtora global de etanol de cana-de-açúcar, com um total de 29 usinas espalhadas principalmente pelo Centro-Sul do Brasil. A empresa também é a única no mundo a operar etanol de segunda geração (E2G) em escala comercial, com tecnologia que permite o aproveitamento do bagaço da cana para produção adicional de combustível.
Presença no varejo e distribuição
Além da produção industrial, a Raízen possui uma rede de mais de 8 mil postos de combustíveis da marca Shell em três países — Brasil, Argentina e Paraguai. Isso dá à companhia uma posição privilegiada tanto no upstream (produção) quanto no downstream (comercialização e distribuição) de combustíveis, especialmente os renováveis.
Desafios recentes da Raízen e da Cosan
Prejuízo bilionário no primeiro trimestre da safra
Apesar de sua força estrutural, a Raízen enfrentou um prejuízo de R$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre da safra 2025/26, revertendo o lucro de R$ 1,1 bilhão do mesmo período do ciclo anterior. Entre os fatores que contribuíram para esse desempenho estão:
- Redução no preço internacional do açúcar;
- Pressão sobre margens de exportação;
- Queda no consumo de etanol no mercado interno;
- Alta nos custos de produção e logística.
Cosan também sente os efeitos
A controladora Cosan vive um momento delicado. No segundo trimestre de 2025, registrou prejuízo de R$ 946 milhões, com dívida bruta acumulada de R$ 17,5 bilhões. Esse contexto abre uma janela de oportunidade para novos investidores, como a Petrobras, que podem injetar capital e ajudar na reestruturação das operações.
O interesse estratégico da Petrobras

Biocombustíveis voltam ao radar da estatal
Desde 2017, a Petrobras acena com um possível retorno ao setor de biocombustíveis, do qual havia se retirado parcialmente por questões de foco e rentabilidade. A entrada em empresas consolidadas como a Raízen pode ser a maneira mais rápida e eficiente de voltar ao setor com força.
O Plano Estratégico 2025–2029 da companhia prevê investimentos de US$ 2,2 bilhões em etanol, como parte de um total de US$ 111 bilhões voltados para transição energética, exploração e refino.
Parcerias ao invés de ativos do zero
A nova diretriz da estatal é fugir da verticalização total e buscar parcerias com empresas já estruturadas. A ideia é reduzir o tempo de maturação dos projetos, evitar investimentos pesados em infraestrutura e aproveitar expertise já consolidada no mercado.
Etanol de segunda geração: uma oportunidade ambiental e econômica
Tecnologia E2G como diferencial
O etanol de segunda geração (E2G) é produzido a partir de resíduos da cana, como o bagaço e a palha, o que o torna ainda mais sustentável e com maior eficiência energética. A Raízen lidera essa tecnologia no Brasil, com capacidade instalada em larga escala — um ativo altamente atrativo para a Petrobras.
Alinhamento com compromissos ESG
A entrada da Petrobras no setor de E2G também fortalece seu posicionamento em práticas ESG (Ambiental, Social e Governança). O investimento em combustíveis renováveis melhora a imagem da empresa perante o mercado internacional, atrai investidores institucionais e amplia acesso a linhas verdes de crédito.
Obstáculos regulatórios e a cláusula com a Vibra
Restrições contratuais
Um dos principais entraves para o movimento é a cláusula de não competição entre Petrobras e Vibra Energia (antiga BR Distribuidora), que impede a atuação direta da estatal no mercado de distribuição de combustíveis até 2029.
Para contornar a limitação, o corpo técnico da Petrobras estuda:
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- A segregação de ativos da Raízen para evitar sobreposição com a Vibra;
- Estruturas jurídicas com participação apenas em produção, sem envolvimento no varejo;
- Acordos de governança que limitem o poder de decisão da Petrobras sobre postos de combustíveis.
Outras negociações em andamento
Conversas com BP e Inpasa
Além da Raízen, a Petrobras também iniciou tratativas com outras gigantes do setor, como a BP Bunge Bioenergia e a paraguaia Inpasa, especializada em etanol de milho. Essas conversas fazem parte de uma estratégia maior de diversificação de fontes renováveis.
Impacto no setor e implicações geopolíticas
Consolidação de liderança regional
Caso a entrada na Raízen se concretize, a Petrobras poderá assumir um papel de destaque no mercado latino-americano de biocombustíveis, com capacidade de influenciar preços, exportações e até padrões tecnológicos da cadeia.
Resposta ao avanço do hidrogênio verde
O investimento em etanol também é uma forma de a estatal responder à corrida global pelo hidrogênio verde, outro vetor de transição energética. Ao apostar em uma tecnologia já madura, como o etanol de cana, a Petrobras garante presença estratégica no curto e médio prazo.
Cronograma e próximos passos

Decisão ainda em 2025
Fontes próximas à estatal indicam que a decisão sobre o ingresso na Raízen será tomada até dezembro de 2025. Até lá, a Petrobras espera concluir as análises de viabilidade econômica, risco regulatório e sinergia operacional.
Possível anúncio no 4º trimestre
Há expectativa de que o anúncio seja feito ainda no último trimestre de 2025, possivelmente no contexto da atualização do plano estratégico que a companhia costuma divulgar no fim do ano.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
