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PicPay segue com aportes da família Batista e empurra IPO para depois

Família Batista injeta R$ 545,7 milhões no PicPay e adia IPO na Nasdaq. Crescimento da fintech é impulsionado por crédito e lucro recorde.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O PicPay, uma das principais fintechs brasileiras e rival direto de gigantes como Nubank e Mercado Pago, está traçando um caminho de crescimento sustentável com forte apoio de seus controladores, a família Batista. A holding J&F Participações, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, injetou R$ 545,7 milhões no PicPay apenas no primeiro semestre de 2025. A movimentação ocorre em meio ao adiamento do plano de abertura de capital na bolsa norte-americana Nasdaq.

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Imagem: JERO SenneGs / shutterstock.com

A confiança dos controladores no futuro da empresa

O CEO do PicPay, José Antonio Chedid, foi claro ao comentar a situação financeira da empresa: “O acionista está atualmente fazendo injeções de capital, e isso demonstra confiança no desempenho do negócio.” Segundo ele, outras injeções semelhantes poderão acontecer até que o banco digital atinja o chamado “ponto de autofinanciamento”, estimado para ocorrer dentro de três anos.

Injeções estratégicas visam consolidação da rentabilidade

Com a operação de crédito expandida e a diversificação de receitas, o PicPay tem se aproximado de uma posição financeira sustentável. A nova rodada de investimentos busca fortalecer esse processo, especialmente em um momento em que o mercado de crédito exige mais capital e regulações rigorosas por parte do Banco Central.

Lucro e crescimento impulsionam otimismo

O desempenho financeiro do PicPay no primeiro semestre de 2025 reforça a confiança dos acionistas. A empresa reportou um lucro de R$ 208,4 milhões, o triplo do registrado no mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito, por sua vez, alcançou R$ 16 bilhões — também três vezes superior.

Expansão com cautela no crédito

Apesar do crescimento acelerado, a empresa não ignora os riscos. O índice de inadimplência com mais de 90 dias subiu para 4,1%, um aumento de 2,2 pontos percentuais. O CEO afirma que o banco está atento aos sinais de risco e vem adotando medidas para mitigar impactos negativos no balanço.

IPO na Nasdaq adiado por tempo indeterminado

O PicPay chegou a ensaiar uma abertura de capital nos Estados Unidos em 2021, mirando uma avaliação de US$ 8 bilhões. No entanto, a alta dos juros globais e a instabilidade nos mercados obrigaram a empresa a suspender o projeto.

Chedid: IPO depende do cenário macroeconômico

“O mercado parece estar começando a se estabilizar, com alguns IPOs de fintechs, mas é cedo para dizer se isso se sustenta”, afirmou Chedid. Para ele, uma nova tentativa de listagem dependerá de um ambiente econômico mais favorável e de uma visão mais positiva do Brasil por parte dos investidores globais.

Mudança estratégica: de carteira digital a banco completo

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Imagem: Divulgação

Fundado em 2012 como uma carteira digital, o PicPay passou por uma transformação profunda após o lançamento do Pix pelo Banco Central, em 2020. O sistema de pagamentos instantâneos desestruturou o modelo original da fintech, que passou a operar como banco digital a partir de 2021.

Crédito próprio e expansão de serviços

A grande virada da empresa foi a decisão de originar crédito com base em seu próprio balanço patrimonial. Embora essa estratégia aumente as necessidades de capital, também fortalece a base de lucro. Hoje, 66% da receita do PicPay vêm de produtos como crédito, contra 46% há um ano.

Retorno sobre patrimônio em alta

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da empresa atingiu 20,3% no segundo trimestre de 2025, um crescimento de 2,7 pontos percentuais. Esses números são indicativos da maior eficiência na gestão de capital e da maturidade da operação.

PicPay vs Nubank e Mercado Pago: a batalha entre os gigantes

Com 63,9 milhões de clientes ativos em junho de 2025, o PicPay se firma como uma das maiores fintechs do Brasil. A empresa disputa diretamente o mercado com o Nubank (listado como NU na Bolsa de Nova York) e com o Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre (MELI).

Diferencial no relacionamento com o cliente

O PicPay aposta em uma interface simples, integração com o sistema bancário nacional e uma abordagem menos engessada do que os grandes bancos. Além disso, vem ampliando suas ofertas para pequenas e médias empresas (PMEs), com foco em produtos de gestão de caixa.

Aposta no crédito consignado do setor privado

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Outro foco estratégico do banco digital é o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, reformulado pelo governo federal em março de 2025. A fintech já desembolsou R$ 1,5 bilhão nessa linha de crédito, mas reduziu o ritmo de concessão nos últimos meses.

Problemas técnicos e perspectiva de retomada

“Houve alguns ajustes necessários na infraestrutura do produto, e não esperamos grande tração ainda neste segundo semestre. Mas no ano que vem, a perspectiva é muito positiva”, declarou Chedid.

Novos horizontes: soluções para empresas

Além do crédito, o PicPay mira o segmento de PMEs com ferramentas de gestão financeira que prometem competir com soluções de bancos tradicionais. Segundo o CEO, essas empresas ainda estão presas a modelos antigos de relacionamento bancário.

Simplificação e usabilidade como vantagens competitivas

A aposta está em entregar uma experiência simplificada para o pequeno empreendedor. Chedid acredita que, ao oferecer produtos fáceis de operar e integrados ao cotidiano do empresário, o PicPay poderá conquistar espaço nesse mercado.

Visão de longo prazo: autofinanciamento e protagonismo

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Imagem: Rafapress / Shutterstock.com

A estratégia da J&F Participações com o PicPay não se limita ao curto prazo. A meta de autofinanciamento até 2028, aliada a resultados consistentes e à ampliação da base de clientes, indica que os controladores visam consolidar a fintech como um player de peso no cenário nacional e internacional.

O momento ideal para o IPO

Embora o IPO continue nos planos, os executivos da empresa sabem que o sucesso da oferta pública depende de múltiplos fatores externos, como o apetite do investidor global, estabilidade política no Brasil e as taxas de juros internacionais.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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